Por onde andam os Novos Paulistas?

Se lembra do coletivo que, lá em 2009, foi responsável por trazer uma nova cara a MPB paulistana? Três anos depois, os artistas estão com muita coisa nova para mostrar

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Em 2009, um grupo de artistas muito interessantes começou a despontar na cena paulistana por pegar elementos da MPB e dar uma roupagem diferente e mais atual a eles. Começava também a se criar uma forte amizade e companheirismo entre aqueles artistas, como Tiê, Thiago Pethit, Tulipa Ruiz, Dudu Tsuda e Tatá Aeroplano, que começavam a despontar com seus trabalhos solos e, em uma iniciativa dos músicos, juntaram-se sob o nome Novos Paulistas. A carga de significância e importância dada à reunião deu muito que falar na época e repercutiu em tudo que é lugar. A clara alusão ao grupo Novos Baianos rendeu comparações e muita especulação sobre um possível trabalho colaborativo e inédito dos cinco artistas juntos, o que, infelizmente, não aconteceu.

Mas a pretensão dos músicos não foi a de criar um super-grupo, mas celebrar sua amizade e fazer música juntos. O quinteto realizou diversos shows em que cada um apresentava canções de seus discos e trocavam figurinhas no palco, mostrando que toda a troca de experiências se estendia dos estúdios para os palcos. Mais que um movimento ou banda propriamente dita, esse foi um recorte do que acontecia de interessante na música paulistana naquele tempo. Três anos depois, os músicos, mesmo sem ter se reunido novamente como grupo, estão com novidades que valem a pena ser conferidas.

Dudu Tsuda

O prolífico músico já está ativo na cena alternativa desde 2000 e já esteve em duas bandas (Jumbo Elektro e Cérebro Eletrônico) com Tatá Aeroplano, além de inúmeras outras que já participou. O disco de estreia do músico veio somente nesse ano: Le Son Par Lui Même, um primeiro contato com a composição e arranjos inteiramente feitos por Dudu. O disco é quase todo cantado em francês e inglês, cheio de recortes de estilos e influências unidos por um amálgama eletrônicô que remete a bandas como Kraftwerk e Stereolab. Arranjos e letras se suportam muito bem, o que o torna um ótimo disco de estreia.

Tatá Aeroplano

Este é outro cara de inúmeras bandas e projetos que, depois de muito tempo, enfim decidiu gravar seu primeiro disco solo. Cão Sem Dono surgiu dessa vontade do músico lançar um álbum escrito e produzido inteiramente por ele e contando com o apoio dos fãs, em um financiamento coletivo, e com o dos amigos, nos instrumentos. Ele já estava sendo planejado desde 2010 e foi gravado no ano seguinte para um lançamento em 2012. Com diversas referências, do Brega à Psicodelia, o registro é bem divertido e faz referências a alguns de seus trabalhos anteriores e a participações em outros projetos que já havia feito antes.

Thiago Pethit

O sucessor de Berlim, Texas já tem nome, capa e lançamento previsto para Agosto. Estrela Decadente tem a difícil missão de suceder um ótimo disco e, para isso, conta com participações de peso, como Mallu Magalães e Cida Moreira, além da produção de Kassin. O músico ainda não divulgou nenhum áudio ou prévia, mas estamos atentos e ansiosos para este lançamento. Ainda nese ano, o músico lançou o último clipe de seu primeiro trabalho, Não Se Vá, que traz a sensibilidade da música transportada para o vídeo, dirigido por Vera Egito.

Tiê

Sweet Jardim foi responsável por levar a moça para fora do circuito paulistano e apresenta-la a novas pessoas fora da capital paulista. Seu sucessor, A Coruja e o Coração, traz os temas tristes em baladinhas, só que com uma cara mais colorida. O disco ganhou uma instrumentação mais encorpada, com mais violões e banjo, e participação de alguns nomes da cena de São Paulo, como Marcelo Jeneci e Tulipa Ruiz. Além das músicas autorias, a moça regravou Mapa Mundi de Pethit e Só Sei Dançar Com Você de Tulipa. Com esse disco, lançado em 2011, a moça chegou a ir até para o SXSW neste ano.

Tulipa Ruiz

Assim como seus colegas Tiê e Pethit, a moça está lançando seu segundo disco. Ele já vinha sendo mostrado aos poucos pelas faixas É, Ok e Dois Cafés, que saíram mais cedo no mês passado, e, nessa semana, o álbum foi lançado para download gratuito no site da Tulipa. O trabalho é mais brando que seu antecessor, Efêmera, mas segue quase a mesma linha dele, se mostrando mais sólido e acessível ao vestir uma roupagem ainda mais Pop no “Pop Florestal” de seu primeiro registro.

Cada um deles seguiu seu caminho, mas sempre com o companheirismo que havia em 2009. Seus novos trabalhos trazem muito disso, com as participações e covers, e agora seria um ótimo momento para a “gangue” se reunir e mostrar a química de seus recentes lançamentos para os palcos, como um coletivo.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts