Profissão Produtor: Dan Auerbach e Patrick Carney

Além de produzir seu próprios discos, os Black Keys também dão seu toque em obras de outros artistas que não necessariamente seguem a linha que o duo mostra em sua obra

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Eu tenho certeza que você conhece o “lado músico” da dupla Patrick Carney e Dan Auerbach, quando estão lado a lado conduzindo seu Blues Rock no The Black Keys, mas você sabia que, além de empunhar as baquetas e a guitarra, respectivamente, os dois músicos também tem um “lado produtor”? Não estou só falando das obras de sua própria banda, mas também de outros artistas – e alguns que fogem completamente da sonoridade proposta da simplicidade blueseira do duo de Akron.

Mesmo não fazendo muito tempo que os dois saíram de seus postos de performer para assumir o de produtores, o duo já acumula em sua carreira ótimas obras se posicionando atrás da mesa de som.

Patrick Carney

O baterista do Black Keys ainda tem um currículo tímido quando se trata de produções. Começando somente em 2012, o músico tem, até o momento, somente dois discos assinados com seu nome como produtor. O primeiro deles veio logo no inicio daquele ano com a segunda obra do duo de Indie Pop Tennis. Young & Old consegue superar seu antecessor em quase tudo ( a não ser talvez pelo nível de doçura Pop do primeiro, que chega a ser cansativa às vezes). A mão de Carney ali se faz presente para orquestrar as guitarras de Patrick Riley e o piano e voz de Alaina Moore, além de agregar metais e uma percussão econômica e potente às faixas. No fim das contas, o Indie Pop cheio de sacarina, ganha também certa aura roqueira e tudo isso se deve a produção do baterista.

A segunda produção tem mais a cara do que o músico faz ao lado de Dan em sua banda. The Sheepdogs tem uma sonoridade hibrida entre Blues Rock e Southern Rock e chegou ao seu quarto disco como um dos talentos escondidos nas terras canadenses. Com a produção de Patrick esse talento foi mostrado ao resto do mundo, mas foi em sua própria casa que estouraram de vez – estreando em primeiro lugar nas paradas locais, vendendo muitos discos e sendo indicado a alguns prêmios. Não tenho dúvidas, que a banda já tinha um grande talento (e seu três discos anteriores estão aí para provar isso), mas às vezes só falta o produtor certo para que as coisas realmente tomem seu rumo. Felizmente, a banda achou Patrick.

(Boas) Notícias dão conta de que o novo do Black Lips terá também Carney na mesa de som. E, segundo os membros da banda, o sucessor do ótimo Arabia Mountain, “combinará faixas voltadas aos clubes e hinos do Southern Rock”. Bom, pelo que já vimos, seja de Patrick ou da própria banda, podemos esperar coisa boa pela frente.

Dan Auerbach

Já o guitarrista e vocalista do duo está a mais tempo produzindo e tem um curriculo um pouco mais extenso. Começando em 2007 com o Rock garageiro do terceiro disco do quarteto de Omaha Brimstone Howl, (Guts of Steel), Dan partiu, desde então, para projetos maiores conforme foi adquirindo experiência. Em sua lista de bons discos, encontram-se de bandas como Buffallo Killers (Let It Ride), Hacienda (Loud Is The Night, Big Red & Barbacoa e Shakedown), Patrick Sweany (Every Hour Is a Dollar Gone), a jovem Jessica Lea Mayfield (With Blasphemy So Heartfelt e Tell Me), The Ettes (Do You Want Power) e outras se baseiam principalmente com elementos que ele usa em sua banda: o Garage Rock, Blues Rock, Southern Rock e até mesmo o Folk/Country.

Já em 2012, Dan começou a produzir álbuns que alcançaram mais gente. Presença constante em muitas das listas de melhores discos do ano passado, Locked Down (obra que concorreu ao Grammy deste ano), do lendário Dr. John ganhou produção do guitarrista. Mas Auerbach não produz só lendas, o mais recente álbum de JEFF the Brotherhood, Hypnotic Nights, ganhou a marca do guitarrista ao transformar o caótico som dos irmãos Orall em som mais Pop e palpável. Ainda no ano passado, uma das grandes revelações da década, Michael Kiwanuka (Home Again) e a já consagrada Grace Potter & the Nocturnals (The Lion the Beast the Beat), também foram produzidos por Dan – desta vez se enveredando para lado do Soul e Folk, como o disco de Kiwanuka.

Neste ano, o destaque das produções de Auerbach fica por conta do quarto disco do The Growlers, Hung at Heart – além de algumas hypes como o segundo álbum do Hanni El Khatib.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts