“Quebra Azul” Mais de Um Ano Depois

Baleia comenta as faixas de seu primeiro álbum antes e agora

2,412 total views, 2 views today

Quebra Azul foi uma das mais belas surpresas de 2013 e o disco que revelou Baleia ao mundo. Antes de um já prometido novo disco para 2015, o primeiro álbum ganha novo fôlego com o EP Baleia Ao Vivo no Maravilha 8, que traz quatro de suas músicas e uma cover que une Caymmi e Radiohead.

E é de Quebra Azul que vem praticamente todo o repertório da maioria dos shows que Baleia fez desde seu lançamento. Como acontece com qualquer banda, essas faixas ganharam novas cores e formas com o decorrer do tempo e o amadurecimento delas no palco – e o disco ao vivo traz um pouco disso.

Conversamos com a banda sobre as músicas antes e depois, e aproveitamos para mostrar um vídeo inédito de Furo, um dos destaques do EP e dos shows, como o que a banda fará no Lollapalooza Brasil 2015. Em breve, Baleia anunciará mais datas de shows.

Casa

“É a menor música do disco”, conta Gabriel Vaz, “é a ‘casa’, o primeiro momento. Tudo começa em ‘casa’, é o ponto de partida”. Com uma introdução marcante e melodia característica, a faixa fica marcada também pelos timbres usados. Nos shows, “não teremos seis violinos, banjo e bandolim (aguardem nosso Acústico MTV)”, brinca Felipe Pacheco. “A necessidade gerou uma introdução com violino e as magias do pedal de loop”, continua, “além disso, a necessidade de usar a guitarra ao vivo por não termos os intrumentos acústicos levou a música para outro lugar, um pouco mais agressivo”.

Motim

“Motim também ganhou uma introdução nova que gostamos muito”, conta Pacheco, “acaba que virou quase que obrigatoriamente nossa música de abertura de show”. “A música fala sobre estar fora de seu lugar seguro, em se lançar”, comenta Gabriel. Isso valeu também para a adaptação ao vivo, que preciou abrir mão de uma bateria (foram duas gravadas simultaneamente para o álbum) e adotar o rototom para completar. “Acabamos alongando o final também, colocando algo que pode ser chamado de solo de guitarra (guitarrista só quer aparecer)”, brinca Felipe.

Furo

Foi a faixa que mudou Baleia pra sempre. Durante um ensaio, a composição ganhou uma dimensão totalmente diferente da que tinha antes, “e a própria banda virou uma outra banda depois disso, foi o divisor de águas”, conta Gabriel. Com esta natureza de transformação que a música possui, não era de se estranhar que ela crescesse ao vivo, tanto é que ela está de um jeito nos shows e outro no EP, já que ele conta com o trio de violinos. “Acho que a maior adaptação que fizemos foi na parte central, com as três guitarras que se complementam ritmicamente”, diz Felipe, que conta que nos shows “faço tudo na mesma guitarra. Fica bem diferente, mas funciona bem!”.

Jiraiya

É a música nostálgica do álbum, conta Gabriel. “Ela é musicalmente mais ingênua”, conta David Rosenblit, “só que a gente deu um jeito dela ficar mais épica”. Ao vivo, “as muitas vozes de violino fazem falta”, conta Pacheco, “mas com um violino só e a Sofia tocando guitarra resolve bem, dá outra cara pra música”.

In

“Era um poema da Sofia”, conta João Pessanha, “tem uma métrica bem doida”. “Ela foi sendo construída em cima da letra”, explica Gabriel, “ela não volta, seguindo a história, o arco emocional da letra” e completa: “É uma das minhas preferidas”. Ao vivo, Felipe conta que eles cortaram a intro “pra poder fazer emenda com Casa, que vem antes” no show. “No disco”, continua, “essa música tinha muito instrumento, vários violões e guitarras e violinos”, mas ele garante que “não fazem nenhuma falta” ao vivo – e quem já viu concorda.

Sangue do Paraguai (Furo 2)

“Sem o arranjo de violinos”, comenta Felipe, “a música ao vivo acaba virando um momento mais simples, íntimo. É muito bom quando as pessoas cantam junto!”. Ela foi gravada depois das outras e não estava no repertório oficial, “mas ela cabia perfeitamente no arco e no universo lírico do disco”, segundo Gabriel, e a banda optou por incluí-la. “É legal porque você respira entre In e Breu”, explica João, “caiu como uma luva”.

Breu

“Acho que ela mudou pouco da gravação”, comenta Felipe sobre o formato ao vivo, “eu substituí grande parte do arranjo de cordas por coisas na guitarra com efeito”. “Acho que é a música mais intensa, poética e emocional, do disco”, segundo Gabriel, “é o último momento de energia do disco”. “Parecido com Furo, ela começou com uma levada e a gente foi transformando aos poucos nos ensaios”, conta David. “Ela começou como uma marcha, uma coisa meio Flamenca, meio Folk”, lembra Vaz.

Despertador

“É meio que uma combinação de todo o disco”, diz Gabriel, “ela fala sobre tudo o que o disco fala”. “É como um sonho”, segundo David, “uma confusão e depois você acorda”. Felipe conta que gosta muito dela ao vivo: “O clima que a plateia passa é de atenção e envolvimento, é muito bom pra gente no palco”. Infelizmente, por sua longa duração, ela nem sempre está presente nas apresentações mais curtas que Baleia faz, principalmente em festivais.

2,413 total views, 3 views today

ARTISTA: Baleia
MARCADORES: Ao Vivo

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.