Quem É Jill Scott?

Impulsionada por Disclosure e SZA, diva do R&B encontra seu espaço com o público de hoje

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Catorze anos depois do lançamento do álbum Who Is Jill Scott?, tenho a impressão que essa pergunta tem sido feito com cada vez mais frequência por quem não viu a cantora conquistar seu espaço no R&B da virada dos anos 1990/2000 e por aqueles que estão curtindo a retomada que esse estilo recebeu nos últimos tempos, trazendo a um novo público nomes ainda desconhecidos. É o caso de Jill Scott.

Você provavelmente já ouviu seus vocais, mesmo que não tenha se dado conta. Isso porque a faixa Stimulation, que Disclosure colocou em seu Settle, usa um sample de A Long Walk, o primeiro sucesso da moça, lançado em 2000. Ouça e veja se reconhece.

A Long Walk fez um belo barulho na época de seu lançamento, agradando em cheio o público de nomes como Lauryn Hill e Erykah Badu. Foi essa última, inclusive, a responsável pelo sucesso de Jill. Erykah gravou com The Roots a composição You Got Me, co-escrita pela moça e vencedora do Grammy de Melhor Performance de Rap por um Grupo ou Duo. A partir daí, surgiram oportunidades de trabalhar com nomes populares como Will Smith e uma turnê com o musical da Broadway Rent, tudo isso na estrada que a levou até lançar Who Is Jill Scott? Words and Sounds Vol.1 – título que reflete o burburinho sobre a artista nos bastidores da música.

A partir daí, seu nome virou frequente em veículos sobre música, inclusive com clipes sempre presentes na MTV e figurinha carimbada entre indicados ao Grammy – e ela finalmente venceu um em 2005 por Melhor Performance de Urban/R&B Alternativo por Cross My Mind, faixa de seu segundo álbum de estúdio, Beautifully Human: Words and Sounds Vol. 2, de 2004 (meu preferido).

Antes desse lançamento, ela já tinha impressionado a todos com um belo e rico álbum ao vivo, Experience: Jill Scott 826+. Ele traz performances que reúnem muitas de suas melhores características, como um vocal impecável, interpretação sexy, muito suingue e groove e aquela ambientação de jam que as melhores apresentações de banda R&B costumam ter, com muitos instrumentistas e backing vocals no palco.

A partir daí, sua carreira se desmembrou também em outros ramos, algo que marcou sua segunda metade da década. Ela lançou um livro de poesias e retomou seu trabalho como atriz no cinema e em séries de TV (ela protagonizou a produção The No. 1 Ladies’ Detective Agency, parceria dos canais BBC e HBO. E, como não poderia deixar de ser, veio prêmios Grammy pelas faixas God Bless the Child e Daydreamin’ (dueto com Lupe Fiasco).

Talentosa e bem sucedida em tudo o que faz, Jill não demorou a receber o status de “diva” e ser um dos nomes mais respeitados do R&B. Com quatro álbuns lançados (houve ainda The Real Thing: Words and Sounds Vol. 3 (2007) e The Light of the Sun (2011), um revival do estilo era mesmo o que faltava pra artista ser conhecida entre o público jovem.

Isso deu uma nova guinada na última semana, quando SZA lançou o dueto Divinity, que deve estar em seu próximo disco, com a cantora. Mesmo com uma discografia tão curta e uma carreira jovem (quando comparada a outros nomes do R&B), serviu também como uma forma de homenagear um nome de tanto peso dentro do estilo na última década.

Portanto, agora é a melhor hora de redescobrir Jill Scott, alguém que provavelmente será cada vez mais frequente na música contemporânea – e, mesmo se isso não acontecer, ela merece presença honrosa em nossos fones de ouvido.

SZA & Jill Scott – DIVINITY

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MARCADORES: Redescobertas

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.