Quem Te Viu, Quem Te Vê

Seja por maturidade, experimentação ou pressão, as bandas acabam mudando pelo menos um pouco sua sonoridade original. Veja alguns exemplos, nem sempre muito positivos

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Se há bandas que não mudaram em (quase) nada sua sonoridade desde sua formação (Interpol, The Hives, The National e Franz Ferdinand, só para citar algumas), há tantas outras que se desfizeram (quase que) totalmente de sua roupagem original e partiram para outros caminhos, alguns mais acessíveis outros mais ríspidos. Fizemos um pequeno levamento de grandes nomes que mesmo partindo para direções bem diferentes, se desfizeram de suas características originais para abraçar algo novo.

Um ponto em comum interessante sobre estas bandas é que todas elas tiveram grande relevância com seus primeiros álbuns (e aqui focamos nos grandes nomes do começos dos anos 2000) e conforme foram deixando seu som mais Pop, perderam um pouco dessa importância (pelo menos no que diz respeito a ser inovador em algum sentido; referência para outros artistas, eles definitivamente sempre foram), porém ainda assim angariarando um enorme número de novos fãs com isso.

Não estou tentando soar saudosista ou tendo uma “crise do mainstream”, mas é perceptível, sem nenhum grande esforço, a mudança que essas bandas tiveram durante os últimos anos. Fazendo parte de uma evolução natural dos integrantes ou simplesmente por uma opção mercadológica, mudanças invariavelmente vão acontecer. Algumas para melhor, outras para pior, mas elas sempre acontecerão. Mas o mais importante é ter em mente o motivo pelo qual isso aconteceu e não somente analisar o fato isoladamente.

The Strokes

Antes

Se no início a sonoridade do quinteto nova-iorquino era puramente dominada por tendências garageiras e influências roqueiras dos anos 60 e 70, com o tempo outros elementos foram integrando os discos do grupo. Embarcando por viagem pela década de 80 e pelos sintetizadores da época, os anos 2010 veriam nascer um novo The Strokes, com o divisor de águas, Angles. Nem precisa dizer que seu profundo experimentalismo não agradou muito os antigos fãs. Tentando se redimir em Comedown Machine (2013), o grupo ficou em um meio termo entre a tentativa de reconstruir seus primeiros anos e a nova fase inaugurada em Angles, porém sem a mesma relevância que tivera no começo de carreira.

Depois

Arctic Monkeys

Antes

Indo para seu quinto disco (a ser lançado ainda neste ano), o quarteto de Sheffield não é mais aquele bando de rapazes pós-púberes que “não acreditavam no hype”, com o tempo se tornaram verdadeiros Rock Stars em uma nova encarnação que emana mais atitude e pungência que não eram vistas nos primeiros anos de banda – ainda assim, jovialidade e energia de tal época também se perderam com a nova postura de Alex Turner e banda. Essa nova conduta veio não só com a idade, mas também com a aproximação do grupo à Josh Homme (líder do Queens of The Stone Age e produtor de Humbug, terceiro disco dos macacos). Essa mesma postura (porém tirando um pouco do peso das guitarras) permaneceu em Suck It And See e pelo que a banda nos forneceu como pistas até agora, deve continuar em seu novo lançamento, AM.

Depois

Yeah Yeah Yeahs

Antes

Se compararmos Fever To Tell e Mosquito, pouco há em comum entre estes dois álbuns do trio (respectivamente, primeiro e mais recente) . É claro que assinatura vocal de Karen O continua a mesma, mas muito da implacabilidade e crueza de seu som não existem mais. Substituído por brincadeiras com sintetizadores e um maior cuidado com instrumentação e produção, a nova fase do grupo certamente é mais madura, mas que sem sucesso tenta recuperar esse frescor e relevância do começo de carreira.

Depois

Kings of Leon

Antes

Infelizmente o quarteto neto de Leon Followill é o melhor exemplo de como certas mudanças não tem mais volta. Se o começo de carreira era dominado por um Rock enérgico, sujo e cheio de influências sulistas, seus últimos lançamentos se enveredaram para um Rock Pop adolescente e insosso, que certamente os fez angariar uma grande legião de fãs, mas isso à custa de perder sua identidade. Mesmo tentando resgatar um pouco dessa raiz em Come Around Sundown o grupo soa perdido entre manter esse sucesso alcançado e voltar ao básico. Mas como já dito: certas mudanças não tem mais volta.

Depois

The Killers

Antes

Brandon Flowers e companhia desde os primórdios da banda se tornaram um fenômeno Pop que logo rompeu a barreira do underground e tornou um dos grandes representes da levada Indie Pop no mainstream. Não contrariando o mercado, cada novo lançamento do quarteto explorava ainda mais as possibilidades midiáticas e o resultado não podia ser outro: se tornou um dos mais populares grupos que carregam a alcunha de independente. Porém suas obras se tornaram datadas ao longo tempo (e Battle Born comprova isto muito bem) e a há algum tempo a música do quarteto já não justifica mais tanta pose e senso de grandiosidade. Bom, seu show no Lollpalooza deste ano também nos diz a mesma coisa.

Depois

The Black Keys

Antes

Dan Auerbach e Patrick Carney também servem de exemplo quando o assunto é mudança. Cada vez mais tornando seu som mais brando e Pop, o duo perdeu muito das raízes do Blues Rock, ritmo que impulsionava os primeiros registros da dupla. Nem preciso dizer que com isso a banda foi das casas mais sujas e apertadas de Akron, Ohio para os maiores palcos de festival do mundo (incluindo o Lollaplaooza deste ano). O único problema é que nesses shows a banda parece esquecer totalmente de seu passado e investir somente no repertório de Brothers e El Camino (de vez em quando surge algo do Attack and Release).

Depois

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts