Quero Fazer Carreira Na Música – Parte 1

Ramo que exige do profissional disciplina e curiosidade plena está em constante crescimento

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Quantas pessoas já tiveram na plateia olhando o palco, vendo os artistas usarem do horário comercial para comporem, gravar som, passar som, viajarem… e você sem nenhum dom pra música. Acredite, isso é mais normal do que você pensa. A notícia boa aqui é que fora dos palcos é onde mais se tem oportunidade de se aproximar da música sem, necessariamente, fazer parte de uma banda. O Brasil, hoje, é um dos países que os investidores mais estão em olho, trazendo mais festivais, incentivando apresentações de bandas, DJs, projetos, importando e exportando nomes. Por que não sair desse escritório agora e ir de encontro com o que você mais gosta?

Nessa avalanche de otimismo no meio cultural, abrem-se portas para diversas oportunidades. Não só dentro da pré ou pós produção de festivais/shows, ou em gravadora, produtora, agências, mas também sendo jornalista musical, trabalhar em um selo, casa de show ou balada, trabalhar em assessoria de imprensa ou agência de booking, design de pôsteres, capas de disco e camisetas, trabalhar numa loja de discos, criar uma fanzine ou blog, entre outras possibilidades.

Hoje em dia, para que um profissional entre no ramo e se especialize, é preciso ter muita curiosidade e perseverança. Arregaçar as mangas e ir para o trabalho cedo, desde que seja um coletivo de cultura, um blog ou até mesmo um show de faculdade, aperfeiçoar a malícia no trabalho. Coisas que demandem pouco investimento, uma logistica simples, e um contato mais direto com pessoas do seu convivio mesmo. Isso aumenta o networking na área e abrem, assim, as oportunidades. Seja ganhando parceiros, contatos influentes e até know-how na cena.

Mas os problemas começam desde o começo da cadeia, a parte acadêmica, até o comportamento das grandes empresas em ver esse tipo de cultura. As oportunidades existem, mas não tem uma divulgação acessível de escolas e universidades que foquem em áreas específicas que trabalhem com música, seja o jornalismo, ou a engenharia. Dando uma pesquisa para poder escrever isso pra vocês, achei algumas universidades na Europa que disponibilizam Marketing Musical, outras nos Estados Unidos de Marketing de Entretenimento, mas o que temos por aqui, principalmente na América Latina, são escolas técnicas para que se abrace a carência de profissionais nessa área, seja para produção musical, ou para mexer com iluminação e luz. Talvez a “informalidade” do ramo traga essa falta de profissionalização, mas há de se perceber que a falta de estudo traz uma cena inexperiente, imatura e mais suscetível ao erro, seja em críticas em sites de música até produção geral de um festival.

Quando pensamos em música enquanto negócio, seja uma revista, um site, uma empresa de serviços, é bastante desafiador, pois é algo que todo mundo gosta, tem interesse e quer estar junto, fazer parceiras, etc. Mesmo assim, parece ser algo que muita gente deixou de ver “valor financeiro”, então é sempre complicado financiar essas novas ideias. É perceptível que essa realidade vem mudando aos poucos, com a chegada de festivais e mais shows no país, com as grandes plataformas de Streaming como o Rdio e Spotify chegando, com a “volta do vinil”, maior oferta de baladas que tocam o tipo de música que gostamos, aos poucos o público tem entendido que isso também é um mercado, que precisa se sustentar financeiramente e tem estado cada vez mais disposto a pagar por tudo isso. É importante só que tanto público, quanto os empresários, tenham paciência e entendam o outro lado, sem abusar nos preços altos e também sem achar qualquer coisa cara demais.

Música está em constante movimento. Quem ama música, com certeza se adaptou bem a essa dinamicidade e não se abala em o quão rápido as coisas se tornam ultrapassadas e no turbilhão de coisas novas que aparecem a todo segundo. Esse é exatamente o perfil de quem quer fincar seu mundo no da música. Tem que ser um profissional que se molda a todo tempo e se reinventa, trazendo pra si funções diferentes e papeis diferentes, sem seguir uma cartilha pré definida ou fazer um curso específico e começar a trabalhar. Começam a fazer com as condições que tiverem no momento. Seja começando a escrever em um blog, fotografar shows, criar um canal no YouTube, se oferecendo pra aprender em alguma outra área com alguém mais experiente, trabalhando aos finais de semana ou meio período em alguma casa de show, balada, selo, assessoria, ou qualquer outra coisa que descubra. Só então conhece o ramo e entende como a engrenagem do mundo de entretenimento funciona (ou de marketing musical, em alguns casos). Muitos podem confundir com festa 24 horas, e poucos entenderem o quão cansativo é não ter finais de semana, mas só quem trabalha com música sabe a delícia que é laborar com uma realidade diferente a cada faixa.

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MARCADORES: Discussão

Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King