Redescubra: The Spinanes

Dupla marcou os anos 90 com sua música sem o contrabaixo e se mantém relevante no cenário alternativo mesmo doze anos após seu término

 2,305 total views

Em 1991, o noroeste dos Estados Unidos via a cena de Seattle explodir com bandas do movimento Grunge, como Nirvana e Pearl Jam. Perto dali, em Portland (no estado de Oregon), surgia simultaneamente um dos expoentes do Indie Rock na década, a dupla The Spinanes.

Rebecca Gates e Scott Plouf apostavam em um som mais intimista criado pela mera junção guitarra e bateria, sem o tradicional baixo do formato de banda de rock, com os vocais suaves da cantora. Longe de ser minimalista, o duo conseguiu se sobressair principalmente pela riqueza sonora atingida apenas com os dois instrumentos.

The Spinanes – Spitfire

Após dois singles lançados em 1992, a dupla assinou com a Sub Pop Records e lançou no ano seguinte seu primeiro álbum, Manos. Empurrado por músicas como Spitfire, Noel, Jonah and Me e Sunday, o disco foi o primeiro lançamento independente a alcaçar o topo das paradas de college radios, as rádios universitárias de seu país, o que fez com que The Spinanes continuasse a se destacar na cena alternativa estadunidense.

The Spinanes – Noel, Jonah and Me

Em 1996, foi lançado seu segundo disco, Strand, impulsionado pelos hits Madding e Lines and Lines. A essa altura, o reconhecimento do talento dos músicos já lhes rendia diversos convites para participações em outros projetos, como os vocais de Rebecca em St. Ides Heaven de Elliot Smith – que retribuiu o convite colaborando com backing vocals em duas faixas de Strand. Enquanto isso, Scott começou a tocar com a Built to Spill, que logo conseguiu um contrato com a Warner – o que fez com que ele abandonasse a The Spinanes para seguir como o baterista oficial da banda.

The Spinanes – Lines and Lines

Elliot Smith com Rebecca Gates – St. Ides Heaven

Foi aí que Rebecca se mudou para Chicago e começou uma nova formação para a banda, agora com Joanna Bolme (que tocava com Elliot Smith) no baixo e Jerry Busher na batera. O trio lançou o disco Arches and Aisles em 1998, com a ajuda de Sam Prekop (The Sea and Cake) nos vocais e produção de John McEntire (também da The Sea and Cake e do Tortoise). The Spinanes – Kid in Candy

O novo formato não aguentou e a banda se dissolveu em 2000, mesmo ano em que foi lançado Imp Years, compilação de singles da The Spinanes feitos na gravadora IMP Records antes do contrato com a Sub Pop. Mais de uma década depois, Scott Plouf continua firme na Built to Spill, enquanto Rebecca retornou recentemente à ativa sob o nome Rebecca Gates + The Consortium, que traz alguns dos músicos com quem a artista conviveu nos últimos 20 anos em um novo projeto autoral.

Aproveitar o momento para redescobrir o som da banda é relembrar por que os elementos da década de 1990 estão em voga hoje em dia na cena alternativa. O caminho que Rebecca e Scott trilharam há 20 anos consegue nutrir diversos artistas do cenário atual, assim como mantém seus sons feitos hoje com um aspecto contemporâneo o suficiente sem parecerem “retrô”, ainda que se aproveitem das experiências que viveram. Isso se chama “maturidade”.

Rebecca Gates + The Consortium – Suite Sails

Built to Spill – Carry the Zero

 2,306 total views

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.