Rock Alternativo: Genérico e Generalizado

Afinal, de onde veio esse “estilo”, como é usado e para onde vai?

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Rotular. Desde o início da humanidade, observamos essa tarefa. Ao descobrir uma planta, uma fruta, um animal novo, o homem primitivo procurava nomear, agrupar e categorizar as coisas. Com a música, notamos o mesmo. Ao surgir uma nova sonoridade buscamos dar um rótulo para essa nova sonoridade e buscamos colocar em grupos, aqueles que usam mais teclados, mais uso de reverb, e assim por diante.

Sabemos que isso acabou sendo uma ferramenta para facilitar identificações – e é por isso que também temos espaço para artigos sobre estilos no Monkeybuzz. Porém, como dito em uma vez por aqui, é interessante olharmos pela ótica de como a rotulagem pode se resultar em alguns problemas de compreensão ou um de uma imposição de estigma para o artista.

Dentre os rótulos que mais geram assunto (entre eles o “Indie”, o qual já discutimos) temos o genérico e generalizado Rock Alternativo. E é sobre ele que vamos falar hoje.

Surgindo quase que junto com o Rock independente, ao final dos anos 80, o termo Rock Alternativo também foi um dos nomes dados à sonoridade que as bandas da época faziam e, desse modo, acabou por englobar diversos sub-gêneros desde o Post-Punk, New Wave, até o Grunge e o Noise Rock – sendo esses dois muitas vezes chamados de College Rock no início dos anos 90 e tendo como principais nomes Pixies, Sonic Youth, Dinosaur Jr. e Pavement, entre outros.

Entretanto, apesar de os principais exemplos serem os encontrados duas ou três décadas atrás, até hoje temos bandas que são taxadas com esse rótulo. Basta pararmos para pensar, por exemplo, com rotulam, ou como nós mesmos rotulamos, Radiohead, ou quem sabe, Placebo, The Smashing Pumpkins, Silversun Pickups e, mais recentemente, Alt-J. Assim ficamos com perguntas como: o que os juntam no mesmo balaio, visto as diferenças entre si? E o porquê do uso desse rótulo tão genérico?

O que podemos notar, ao ver as bandas que são assim categorizadas, é a presença de sons realmente complexos, com misturas de diversos estilos e influências, e diversas “personalidades” ao decorrer da vida de sua discografia, soando diferente tanto dentro de um mesmo álbum, quanto em comparativo com os demais trabalhos da banda. Desse modo, ficou comum se utilizar do nome “Rock Alternativo” para sons de difícil interpretação, mas que não chegasse à estruturas disconexas e dissonantes, como ouvimos no Experimental.

Se pegarmos o exemplo do Radiohead, vemos as diferentes nunaces da banda, que teve suas pitadas de um “quê” de Grunge e um Britpop melancólico em Pablo Honey, seu primeiro álbum, passando por referências do Noise Rock em algumas canções dos clássicos Ok Computer e Kid A. Outro exemplo fica com o Silversun Pickups, que mistura Shoegaze, New Wave e “Indie Rock” para resultar em sua personalidade sonora.

É difícil categorizarmos tudo o que vemos pela frente. E muitas vezes a não-rotulagem acaba sendo a melhor saída. O título de “Rock Alternativo” acaba se encaixando nessas duas situações, tanto para ser uma categorização genérica, a qual apenas indica uma leve procedência e referência do que estamos nos referindo – no caso, um Rock composto por elementos de diversos estilos – , ou para uma não-categorização, uma expressão que “rotula” a livre expressão do artista, sendo um “rótulo que não rotula”.

Com um cenário musical dividindo opiniões, tendo de um lado os responsáveis pelo surgimento de inúmeros sub-gêneros de sub-gêneros todos os dias e do outro lado os que defendam uma crescente para a não rotulagem, o “Rock Alternativo” acaba se tornando cada vez mais um nome menos utilizado, visto que no primeiro grupo citado há uma tendência de maior especificidade do som, e para o segundo grupo uma livre categorização. Assim, o bom e velho “carimbo” genérico, que já teve sua importância em décadas passadas para familiarizar novos ouvidos ao novo som que surgia, vai se tornando menos necessário e mais enfraquecido, mas sempre será utilizado como aquela famosa válvula de escape quando um amigo lhe perguntar qual o estilo das bandas de Thom Yorke e de Brain Molko.

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Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).