Scott Pilgrim e seus Clichês Indie

A divertida produção encontra na música e nos estereótipos a sua base para contar a história de um baixista que precisa lutar contra os ex-namorados da menina que ele gosta. Já assistiu?

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Ainda não conheci alguém que tenha ficado indiferente quando assistiu ao filme Scott Pilgrim Contra o Mundo (Scott Pilgrim vc. the World, 2010). Conheço aqueles que não curtiram a mistura de video game, Indie Rock e todas as diversas referências à Cultura Pop em uma produção acelerada e nada realista. Ao mesmíssimo tempo, há aqueles que (como eu, confesso) se apaixonaram à primeira vista pelo longa justamente pelos mesmíssimos motivos.

Baseado na série de quadrinhos Scott Pilgrim (publicada de 2004 a 2010), o filme conta a história do personagem-título, um jovem canadense que toca baixo em uma banda e conhece Ramona, a mulher de seus sonhos (literalmente, ele sonha com ela antes de vê-la pela primeira vez), e os dois começam a sair. O problema é que, para namorá-la, ele precisa derrotar uma liga chamada Seven Evil Exes, as sete pessoas com quem ela namorou durante sua vida. Tudo isso acontece durante uma Batalha de Bandas em que a Sex Bob-Omb, a banda de Scott, compete para ganhar um contrato com um selo Indie.

A música desempenha um papel fundamental na narrativa, seja como trilha ou como parte integral da história – já que muitos dos personagens estão envolvidos em bandas e duas das lutas acontecem com instrumentos. Por isso, os atores tiveram que aprender a tocar (exceto Michael Cera, que vive o protagonista, que já tinha experiência no baixo) e nomes bem bacanas foram chamados pra dar uma mãozinha nas composições, como os caras do Broken Social Scene e o músico Beck, que fez todas as músicas da Sex Bob-Omb.

Como toda boa obra que faz referências à Cultura Pop, o longa usa e abusa dos clichês. Até por conta de seu ritmo acelerado e o grande número de personagens, a narrativa precisa apelar aos esterótipos para o espectador sacar imediatamente o que está acontecendo – e parabéns ao diretor Edgard Wright, que fez isso muito bem. Tem o clichê dos filmes de ação, das sitcoms (com referência a Seinfeld em uma cena) e dos jogos de luta, por exemplo.

E é claro que a música não fica de fora. Vemos a banda Indie que ensaia em casa e quer estourar, a banda com vocalista feminina que bombou quando “se vendeu”, a banda emo que canta I’m So Sad, So Very, Very Sad (“Estou tão triste, muito, muito triste”), japoneses fazendo música eletrônica e até brincadeiras com cartazes de shows e camisetas de bandas desconhecidas.

O mais legal de tudo isso é que Scott Pilgrim Contra o Mundo consegue contar sua história com uma enorme quantidade de elementos, referências e esterótipos em cada cena, criando um filme que não é inovador, mas passa longe de ser um clichê do cinema.

Ah, e todas as músicas são muito boas.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.