Smashing Pumpkins: Em Forma Com “Oceania” Ao Vivo

Registro ao vivo desta banda marca dos anos 90 trás clássicos e uma redescoberta por sua incrível história

 4,230 total views

Alguns fãs oriundos dos anos 90 podem discordar, mas, Smashing Pumpkins sempre foi sinônimo de Billy Corgan e sua mania de perfeição, desde o início. Mesmo com a formação clássica da banda, com James Iha nas guitarras e vocais, D’Arcy no baixo e Jimmy Chamberlin na bateria, Corgan sempre foi o responsável pela criação, direção musical, arranjos e tudo mais na banda. Sua ideia era produzir um conteúdo visual que completasse a ideia de um conjunto musical exótico, tocando algo que não era Grunge, em tempos de domínio do flanelão de Seattle sobre todos os tipos de música Pop naquele início de anos 90.

Smashing Pumpkins é de Chicago, habitat totalmente distinto da chuvosa Seattle. Uma olhada mais atenta para as músicas de Corgan e cia. já mostrava que havia nelas algo mais complexo que o Grunge. Havia música eletrônica inglesa, havia pós punk, havia admiração até por canções mais singelas e lindas, como Landslide, sucesso setentista do Fleetwood Mac, devidamente refeito pela banda em Pisces Iscariot, coletânea de lados B e sobras de estúdio, lançada em 1994, depois dos dois primeiros belos álbuns, Gish(1991) e Siamese Dream (1993). Em 1995 os Pumpkins lançaram Mellon Collie And Infinte Sadness, um disco duplo, megalomaníaco, cheio de canções esquisitas, títulos esquisitos, com elementos visuais esquisitos, tudo muito diferente do que era moda naquele tempo, mas identificado totalmente com conceitos de Rock dos anos 70, tanto nas referências a Julio Verne, como em instrumentais cheios de teclados e viagens que poderiam ser chamadas de progressivas, mas talvez fosse exagero falar isso tão cedo. Afinal de contas, três anos depois a banda lançava um disco que poderia ser feito em 1982, chamado Adore, cheio de teclados, baterias eletrônicas e climas pós punk. Dois anos depois viria Machina – The Machines Of God, e Smashing Pumpkins interromperia suas atividades com o novo milênio, lançando sintomática coletânea de hits em 2001. Corgan, que já havia tirado Chamberlin da banda por conta de drogas, também a dispensou e D’Arcy (que chegou a ser substituída antes pela baixista Melissa Auf Der Maur, também sacada).

Pouco tempo depois, mais precisamente em 2003, surge o Zwan, na verdade, Billy Corgan fazendo canções à mesma moda da banda antiga, com outros integrantes, mas indicando que permanecia em forma, igualando em qualidade os últimos trabalhos do Smashing Pumpkins. Mas Corgan mudaria novamente e lançaria um disco solo, chamado The Future Embrace em 2005, mantendo o bom nível, mas sem a repercussão imaginada. Em três anos lá estava ele lançando novo disco, dessa vez a bordo do retorno do Smashing Pumpkins. Apenas Corgan e Jimmy Chamberlin participaram da gravação de Zeitgeist, sétimo disco da banda, lançado em 2007. A produção ficou por conta de Roy Thomas Baker, com pilotagens de estúdio para o Queen no currículo. Zeitgeist dividiu a crítica na base do “ame ou odeie”, com um maior contingente para os detratores do disco.

Quando ninguém mais esperava nada, em pleno 2011, Corgan remontou a banda, anunciou que estava compondo novo disco e preparou o terreno para a chegada de sua obra mais ambiciosa desde Mellon Collie. Oceania, o oitavo disco dos Pumpkins é, de fato, um disco que flerta muito com o rock progressivo. A faixa título chega na marca dos nove minutos, enquanto a banda ainda propõe um “disco dentro do disco”, referindo-se a Teargarden By Kaleidoscope, um projeto de lançamento de canções em formatos distintos, até completar a marca das 44 músicas previstas. Algumas estão em Oceania, outras são lançadas em EP’s desde 2009. O disco recebeu críticas positivas ao redor do mundo e seus singles, The Celestials e Panopticon fizeram bonito. Com Corgan estão atualmente Mike Byrne (bateria), Nicole Fiorentino (baixo e vocais) e Jeff Schoroeder (guitarras e vocais). Esta formação percorre o mundo desde o lançamento de Oceania em 2012. A banda agora lança em vários formatos o show desta novíssima turnê.

Oceania Live At NYC foi gravado no Barclay’s Center, no Brooklyn. A banda não conseguiu cumprir o cronograma original por conta da ação do Furacão Sandy, só realizando a apresentação em 10 de dezembro. O conceito do show passou por grandes cuidados visuais, ficando a cargo de Sean Evans, o responsável pela turnê The Wall, de Roger Waters. A banda executa Oceania integralmente, reforçando a importância do disco na carreira do Smashing Pumpkins, onde assume um papel de marco renovatório, algo como um renascimento. A segunda parte do show traz Corgan e seus amigos revisitando sucessos das fases anteriores da banda, com destaque para a dobradinha Tonite Reprise”/”Tonight Tonight, além de Cherub Rock, Zero, Hummer e “Disarm, além de uma bela cover para Space Oddity, de David Bowie.

Billy Corgan mostra que foi plenamente capaz de manter sua obra viva ao longo do tempo, reinventando sua sonoridade, assumindo sua meticulosidade musical como uma virtude e jamais uma esquisitice. Os relançamentos da discografia dos Pumpkins, conduzidos pessoalmente por ele, são exemplos de consideração e carinho com os fãs, expondo o processo criativo por trás de cada obra, incluindo DVD’s inéditos e todo material possível para trazer os fãs para dentro de sua música. Oceania Live At NYC segue esse padrão, mostrando a competância inatacável da banda, que, pensando bem, poderia integrar o line up do Rock In Rio no lugar de bombas como Nickelback ou Matchbox 20.

Que não demorem a trazer o show para o Brasil.

 4,231 total views

MARCADORES: Redescobertas

Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.