Sonhar Acordado com Cantoras Canadenses – Quem Nunca?

Cantoras como Feist (foto), Grimes e Julia Holter se destacam experimentando novas sonoridades na terra famosa por grandes artistas pop

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Se durante um game show o desafio fosse “Cite três cantoras canadenses”, certamente grande parte das pessoas escolheria algo do calibre de Celine Dion, Avril Lavigne ou Alanis Morrissette, caso não citasse as três. O caso é que, de uns tempos para cá, principalmente quem lê o Monkeybuzz e está mais ligado nas novidades musicais, poderia citar outros nomes, entre eles, Grimes, Julia Holter e Feist.

Todas lançaram ótimos discos há menos de um ano e por incrível que pareça, todos possuem uma característica em comum que é a atmosfera etérea e a sensação de se estar sonhando acordado. A experimentação de novas técnicas, instrumentos e a instrospecção das artistas na produção de suas obras pode ser o motivo de criarem trabalhos que ultrapassem a sensibilidade dos ouvidos e mexem com todos os nossos sentidos.

Feist, que lançou Metals no final de 2011, foi com sua enxuta equipe para uma região montanhosa da Califórnia e lançou aquele que talvez seja seu álbum mais maduro, acrescentando texturas em cada música, criando mais do que canções delicadas de vocal feminino e se arriscando em faixas de impacto como A Commotion. O álbum passeia entre todas as possibilidades dentro de um contexto muito bem construído pela cantora, variando entre o Pop, o Folk, o Rock e experimentando muito em faixas que lhe fazem viajar na mesma hora para algum lugar mais rústico como o que a inspirou.

Já Claire Boucher, optou por elementos eletrônicos na hora de trabalhar em Visions, seu segundo álbum. Como ela mesma disse em entrevista ao Monkeybuzz, acredita que a música eletrônica é extremamente humana e a ajuda a expressar sua arte. Esses sintetizadores casam perfeitamente com a voz de Grimes e a ajudam a criar também um clima muito viajado, porém de maneira mais sintética, mexendo mais com a cabeça do que com o coração.

Por último, talvez a menos conhecida das três, vem Julia Holter, que faz um som bastante experimental. O timbre da cantora e a maneira com que encaixou com seus instrumentos, dão a impressão de um som mais espiritual, remetendo a música de igreja, com agudos e ecos que reverberam em nossos ouvidos a cada trecho. Apesar de muito harmoniosas, as composições de Julia são mais difíceis de consumir rotineiramente, mas funcionariam muito bem para trilhas sonoras ou em parcerias como a que fez recentemente com a cantora Nite Jewel.

Em um país onde as estrelas Pop sempre fizeram muito sucesso, inicia-se um processo de experimentação maior por parte do lado feminino da produção musical de lá. O nível de envolvimento que as três citadas tiveram com seus projetos são enormes, tendo Feist se isolado nas montanhas, Grimes tendo feito tudo sozinha, da composição à produção e Julia Holter ter gravado tudo em sua própria casa. São estes os casos onde a experimentação delas ganhou o mundo e em breve, servirão de influencia para artistas Pop deixarem tudo mais acessível e ganharem o mundo novamente.

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Autor:

Nerd de música e fundador do Monkeybuzz.