STRR, Slowaves e os novos beats vindos do Pará

Entre House, Lo-Fi, Indie e toques psicodélicos: dois nomes da cena paraense para você ficar de olho

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Fotos: Divulgação

Muitas vezes o jornalismo de cultura se perde pelas bandas   do Sudeste e é difícil ler e conceber outros espaços sem expectativas impostas por um padrão que espera ‘X’ do estado ‘Y’ e ‘Z’ do estado ‘W’. Nessa toada de definições pré-concebidas e perspectivas de antemão, é curioso como os artistas do Pará constantemente bagunçam qualquer (precipitada) previsão: o Tecnobrega se desconstrói; a MPB ganha outros toques e tons; e ritmos como Carimbó, Guitarrada e Calypso são desmembrados em novas e amplas possibilidades.

STRR e Slowaves, dois jovens nomes da cena paraense, por sua vez, nos levam em beats mais eletrônicos, que dialogam com batidas bem mais escuras e esfumaçadas do que as ‘tropicalidades’ invariavelmente esperadas do Pará. Com bons lançamentos e parcerias de peso, os dois artistas são nomes a se ficar atento. Por isso, batemos um papo com ambos para apresentá-los por aqui.

STRR

STRR (pronuncia-se star) é na verdade Mateus Estrela, produtor musical, compositor e especialista em mixagem de áudio, de Belém. Com projetos que já foram da deep house à MPB, Mateus tem marcado seu nome no cenário brasileiro em colaborações diversas com artistas como Julio Torres (Manimal), Enkode, Arthur Nogueira, Luê e até Adriana Calcanhotto – ele é coprodutor do recente disco (2020).

Mateus participa bastante de uma espécie de cena Indie-MPB de Belém, tanto que conta que sua relação com a música eletrônica nem é tão antiga. “Eu comecei a escutar mais em 2015; e nem foi um disco essencialmente de música eletrônica, mas sim o do Chet Faker, Built on Glass, e esse disco me capturou muito, fez muito sentido pra mim”. Mateus conta que se encantou pelos processos de produção do disco e isso o levou a se embrenhar nesse universo eletrônico. Esse caminho redundou em um aprendizado bastante autodidata das formas de produção eletrônica.

Em 2018, Mateus foi um dos quatro produtores brasileiros selecionados para participar do projeto 808, promovido pela Roland. A residência artística resultou na produção de uma faixa (“Walk Away”) e em uma performance musical com o Manimal, dupla formada pelos produtores Junior Lima e Júlio Torres, na sede da Roland, em São Paulo. De lá para cá, STRR lançou diferentes faixas mais próximas do universo mainstream da música eletrônica nacional. Porém, cada vez mais, Mateus busca dar vazão a suas produções mais íntimas, como o EP Low Profile (2019), lançado de forma independente e que busca texturas e beats mais fora da curva.

“Agora eu estou trabalhando nas guias do meu disco, que deve sair em 2021, mas ainda nem sei como farei”, explica Mateus, que pensa em buscar editais e outras ações de finalização do disco, para conseguir fechar o projeto de forma independente. Nesse meio tempo, Mateus aproveitou as madrugadas insones provocadas pelo isolamento social e compôs cinco fonogramas inéditos, que serão lançados sob o título de Instante, mixtape que sai ainda em agosto e que mescla House, Lo-Fi e outras experimentações.

Slowaves

O Slowaves começou como um duo e agora se tornou o projeto solo de outro Matheus, o Matheus Nascimento – esse com H e também amigo de Mateus Estrela, um parceiro geracional e musical. Assim como STRR, o Slowaves também vem de um universo mais Indie e alternativo do que necessariamente de uma cena eletrônica – e essas misturas se mostram latentes nas canções do projeto.

Matheus e seu antigo colega de banda Carlos Duarte tocavam junto na banda Youth Veins, de Belém. A partir dessa parceria, eles acabaram produzindo as primeiras canções do Slowaves, que foram gravadas essencialmente no quarto de Matheus, tudo de forma independente. Os primeiros lançamentos saíram pela Midsummer Madness, selo fundamental da música independente nacional e zine clássico desde os anos 1990. A chancela, por exemplo, já mostra os diferentes flertes da banda.

Ainda com a formação de duo, o Slowaves lançou em 2020 o EP I, com fortes traços de French House e com uma pegada bastante Pop, do tipo quase assoviável. Matheus cita como referência especialmente artistas de french pop, como Claire Laffut, Vendredi Sur Mer e Paradis, por exemplo. “Nosso trabalho foi bastante caseiro, o Mateus [Estrela] é nosso engenheiro de som, ele que fez a mixagem, mas a produção é sempre caseira”. A masterização do EP foi feita por Denis Guedes, da banda carioca The Outs.

Matheus, atualmente o nome por trás da Slowaves, conta que, curiosamente, nunca foi a uma festa de música eletrônica. Ele estava mudando para São Paulo no início do ano, mas o caos da pandemia o fez retornar para o Pará. Nessa fase de isolamento social, agora em voo solo, ele está se preparando para o lançamento de seu segundo EP, gravado e produzido em casa. A proposta é conectar ainda mais as referências de House e French Pop com experimentações nacionais, além de um tanto de psicodelia.

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ARTISTA: Slowaves, STRR

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