Superchunk e Seu Relato Sobre Alienação e Sofrimento

“Foolish” permanece como um dos discos clássicos da banda de Mac McCaughan

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Sabe aquele disco lançado há algum tempo que você carrega sempre com você em iPod, playlist e coração, mas ninguém mais parece falar sobre ele? A equipe Monkeybuzz coleciona álbuns assim e decidiu tirar cada um deles de seu baú pessoal e trazê-los à luz do dia. Toda semana, damos uma dica de obra que pode não ser nova, mas nunca ficará velha.

Foolish

Muita bandas tem um discografia tão vasta que a escolha de uma simples obra se mostra extremamente complicada. Ao analisar a história de Superchunk, tal tarefa é igualmente complexa, mas, entre dez discos lançados, Foolish se destaca tanto na lírica como na música. O trabalho, que vai chegar aos 20 anos de idade no próximo dia 18 de Abril, é um dos relatos mais angustiantes e bonitos sobre o sofrimento e a alienação.

A combinação de tais temas não poderia vir melhor acompanhada da cólera e de riffs nervosos do vocalista e guitarrista Mac McCaughan entrelaçados com grandes momentos de melancolia e calmaria. Essa montanha-russa de sentimentos define-se em faixas clássicas como Like a Fool e sua triste história – “I dreamt you chased down the car/waving a sign that made no sense/I drifted in and out/I read the sign out loud/ like a fool” -, que mostra a falta de esperança e baixa autoestima que parece seguir a obra como um todo, mas que emerge de diversas formas.

Em First Part, com sua introdução e chuva de guitarras marcante, a alienação surge na bebida desenfreada: “We’re drunk and/selfless relentless caresses/How long must the first part last before we make our respective messes?”, enquanto em Without Blinking ela vem de relacionamentos que permanentemente se mostram errados e sem sentimentos pelos demais. Seu refrão “You can’t pretend to not know how that hurts” permanece como um dos mais viciantes do grupo e vem do constante sofrimento que o “otário” personagem do disco sempre parece encontrar.

Dificilmente alguma canção nesse disco não faz sentido para todos e temos aqui um relato de Mac quase definitivo sobre os anos 1990 e a sua correlação com a falta de esperança juvenil à beira da virada do século. Clássicos e mais clássicos, como Keepin Track e a extremamente divertida Why Do You Have to Put a Date on Everything, fizeram de Foolish um dos trabalhos do grupo mais aclamados pela crítica. Eleger uma faixa favorita é quase impossível, no entanto, dois momentos se mostram particularmente marcantes para mim: a linda balada Driveway to Driveway e a derradeira In a Stage Whisper.

A primeira tem fluidez e maciez poucas vistas no Rock Alternativo e é daqueles momentos em que tiramos o último gás do além em um show para cantar a plenos pulmões. A segunda é quase uma versão Lo-fi e calma da primeira, com letra extremamente marcante e mostra como muitas vezes o artista se sente desconectado do mundo ao seu redor. Seus versos iniciais são quase tatuagens para Mac: “Don’t you sometimes feel someone cares/knowing you for the particulars of your own life?” e a sua escolha como encerramento não poderia ser mais certeira para o disco.

Foolish é apenas um pequena marca do que Superchunk foi capaz de fazer em sua extensa discografia, mas permanece como o trabalho favorito de muitos de seus fãs. Para quem gosta do grupo, não se esqueça que McCaughan vem ao Balaclava Fest, com apoio do Monkeybuzz, em momento solo ao país e que promete cantar não só as músicas de seu novo trabalho, Non-Believers, mas também clássicos da banda e de Portastisc. E você, espera ouvir alguma momento marcante de Foolish no dia 25 de Abril em São Paulo?

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Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.