tantas coisas com Ana Cañas

“Back To Black”, as letras de Belchior e ufologia

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Fotos: Marcus Steinmeyer

O meu lugar preferido para compor é…

A inspiração costuma acontecer em casa, de pijama, com os meus 6 gatos em volta, tomando café e arranhando um violão. Mas pode rolar na estrada ou até na passagem de som de algum show. Aí, o quarto do hotel é um lugar perfeito… tranquilo e silencioso, ele propicia a introspecção e criatividade.

Meus artistas favoritos para ouvir cozinhando…

Adoro cozinhar e costumo até cantar sozinha na cozinha… Tem um reverb massa que vem dos azulejos (assim como no banheiro). Gosto muito de ouvir Nina Simone, Erik Satie e Belchior.

Se eu pudesse escolher qualquer lugar do mundo para estar, eu estaria em…

Eu adoraria conhecer a Amazônia e o Pantanal. Fazer um mergulho nesse Brasilzão profundo de natureza transcendental. Mas pensando no mundo todo (socorro!), gostaria de conhecer a Jamaica e o interior da Espanha, por razões ancestrais familiares/ciganas. 

A última série que eu maratonei foi…

Maid. Amei essa porque ela fala sobre assuntos importantíssimos com veracidade – e que ainda são tabus. Violência doméstica, abuso psicológico, dependência alcóolica, bipolaridade, abandono parental e maternidade solo são alguns exemplos. O roteiro é genial. Fiquei sem fôlego e completamente apaixonada pela protagonista!

A ideia mais mirabolante que eu tive nos últimos dias foi…

Hoje mesmo! Tentei colar um carregador que abriu com Super Bonder. Colei todos os meus dedos uns nos outros e ainda grudei o carregador na tomada porque ele aqueceu e a cola derreteu todinha. Meu Deus!

A segunda mirabolância foi entender finalmente que as músicas do Belchior soam tão atuais porque, para além da própria genialidade do autor em si, elas foram escritas na ditadura/AI-5 e isso tem um diálogo radical com a moldura fascista e pandemia do agora.

E por último, pensei: porque não existe revista com nudes masculinos para o público hétero feminino? Não é curioso isso?

São muitas mirabolâncias! Risos

Os artistas que nunca faltam em minhas playlists…

Sou virginiana então montar playlist é quase uma vocação espiritual! Tem pro date, pra baladinha, pra breja, pra dormir, pra correr, pra pensar na vida. Me lembro de montar fitas K7 na adolescência também, com as favoritas que tocavam no rádio (playlist analógica). O que nunca falta é Tim Maia, Billie Holiday, Rita Lee e estou adorando a Marina Sena.

No início da minha carreira, os discos que eu mais ouvia eram…

Em 2007 eu fiquei absolutamente vidrada no Back to Black, da Amy Winehouse, e no The Reminder, da Feist. 

Um show que eu não assisti, mas gostaria muito é…

Do Bob Marley. Tenho a sensação que aquilo ali era mais do que um show, era uma egrégora, um culto pelas coisas que também acredito e que poderiam transformar a energia do planeta. Fora o grande frontman e cantor genial, a vibe do rolê, as músicas atemporais e a banda!

Um assunto sobre o qual eu falaria por horas e horas…

Sexo e espiritualidade (Ufos incluso).

Eu sei que uma música está pronta quando…

Fico exausta de mexer nela! Como boa virginiana sou muito autocrítica e chega aquele momento em que é preciso encerrar senão vira um inferno. A gente acha sempre algum defeitozinho e vai enlouquecendo. Como dizia o Picasso: “quadro não se termina, se abandona”.

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ARTISTA: Ana Cañas
MARCADORES: Tantas Coisas