tantas coisas com Luísa Sonza

“Doce 22”, Clarice Lispector, Paul McCartney e “Round 6”

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Fotos: @felipegrafias

O maior aprendizado que tive com Doce 22 foi…

Acho que eu diria que esse álbum foi uma prova concreta de que se você quiser fazer o que você sente, genuinamente do fundo do seu coração, você chega nas pessoas, você entrega, e chega onde você acredita que é capaz, quando você se solta e deixa fluir. Esse é um dos aprendizados, foi muito importante para levar para a minha vida e para me apoderar desse lugar de “seja você mesma”, de uma maneira muito concreta. O Doce 22 você pode pegar e ver de uma maneira concreta, seja em números, seja no boca a boca das pessoas, seja na forma de carinho que você recebe. Você se expor, ser real, vulnerável, nos dias de hoje ainda faz efeito, a gente ainda vive um mundo real por mais que não pareça. 

A coisa mais inusitada que aconteceu enquanto eu gravava Doce 22 foi…

Acho que tudo aconteceu! Foram 14 meses fazendo esse álbum, então tudo que aconteceu nesse tempo foi inusitado. Minha vida virou de cabeça para baixo, o Brasil inteiro acompanhou, né? Tudo aconteceu! (Risos)

Para me sentir mais positiva e forte em dias difíceis eu…

Depende do motivo, mas eu tento olhar para as coisas que eu tenho agora e aproveitar o processo, sabe? Quando me sinto pra baixo em algum momento, tento entender e aprender a ser feliz no processo, a vida é um eterno processo. A gente acha que chegar lá  no potinho de ouro e aí a gente vai ser feliz, só que não existe esse potinho de ouro, o que é chegar lá? Então eu procuro ser grata ao agora e não só falando sobre coisas materiais. Tudo que eu tenho agora é o necessário… não só falando de carreira, falando do emocional mesmo. Seja o que estou passando no momento, eu sou grata, e é necessário para mim, vou transformar isso, vocês queiram ou não, em algo bom! Mas óbvio, como qualquer pessoa, tem dias que eu consigo isso maravilhosamente bem e tem dias que eu preciso de uma dica para saber o que eu faço para não ficar tão para baixo. Eu fico mais introspectiva mesmo, começo a pensar, refletir ou converso muito com meus amigos, gosto muito da troca, da conversa. Quando não estou muito bem, gosto de falar sobre, não tento fugir muito não.

Meu xodó do repertório do disco Doce 22 é…

Eu sou de momentos, mas uma das minhas preferidas de cantar é “Melhor Sozinha”. Eu me sinto muito dentro dessa música, me vejo, me entendo e desde que essa música foi lançada, ela me trouxe aprendizados do que antes como eu me achava melhor sozinha e de como eu lidava com isso, e como eu sou de fato melhor sozinha. Me trouxe muito prazer cantar ela, tanta identificação com a melodia e com a letra.

Um assunto sobre o qual eu falaria por horas e horas…

Sobre música, adoro falar sobre carreira, por mim eu falo o dia inteiro sobre isso! Eu adoro falar sobre mim, inclusive. Adoro fazer entrevistas por isso, tenho essa facilidade…! (Risos)

Eu sei que uma música está pronta quando…

Ela nunca está pronta. Sempre tem algo pra melhorar, aperfeiçoar. É outra dica que eu dou para as pessoas também: a maioria dos artistas são iguais. Tem alguns que às vezes se perdem em tentar muito na perfeição para começar a lançar o seu trabalho, só que não vai existir, é outro potinho de ouro. O Doce 22 até hoje não teria sido lançado, se eu não botasse um ponto final em mim mesma, eu ia tá até agora mudando. A música pra gente nunca tá pronta, por isso a gente faz tantas versões depois porque a gente vai vendo, conhecendo e mais a gente vê que dá pra mudar. Por isso música é música, é feita há quantos anos, ela é volúvel, nunca tem fim.

Minha maior referência artística fora da música é…

Clarice Lispector. Obviamente eu li alguns livros, mas sou mais fissurada nela, sabe? Na forma como ela pensa… Eu fiz uma homenagem pra ela no lyric de “Penhasco” com entrevista dela no Panorama, na forma que ela se enxerga. Eu estou em um momento em que me identifico e me inspiro nela.

A última série que fez minha cabeça foi…

Round 6. Eu achei muito incrível, é uma série preto no branco, né? Ela não tem dó. Faz você refletir de várias maneiras. A gente se assusta com Round 6 porque é uma maneira muito nua e crua, mas quanta gente não faz isso de maneiras indiretas com outras pessoas, quantas pessoas não se matam um pouco todos os dias, matam uns aos outros, por causa do dinheiro e do poder. É bom a gente refletir sobre essa série fictícia, em que a vida imita a arte. Eu fiquei muito chocada com o enredo. Nossa, o velhinho eu chorei horrores, fazia tempo que eu não chorava. Faz você dar valor na vida. Amei a fotografia, atuação, jogo de câmera, tudo muito intenso. Eles têm uma forma muito visceral de fazer o trabalho e atuar. 

Queria produzir/compor uma música com…

Paul McCartney! O primeiro que me veio à cabeça foi ele, mas também gostaria de compor com a Ariana Grande, Beyoncé… Mas principalmente o Paul.

Se eu pudesse escolher qualquer lugar do mundo para estar, eu estaria em…

Eu juro que eu estaria aqui, acredita? Estaria aqui fazendo essa entrevista com você agora porque enfim… é isso! (Risos) Me sinto bem aqui nesse momento.

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ARTISTA: Luísa Sonza
MARCADORES: Tantas Coisas