Tantas Coisas com Pedro Pastoriz

Músico comenta discos que mais ouviu na vida, bons shows e filmes preferidos

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Fotos: Jonas Tucci

Nós já ouvimos as músicas, agora é a hora de conhecermos um pouquinho mais sobre as pessoas por trás dos discos que tanto ouvimos. No Tantas Coisas, os artistas revelam ao Monkeybuzz detalhes de suas histórias, suas carreiras e predileções, tudo sem enrolação.

Pedro Pastoriz

(O músico gaúcho ficou conhecido primeiramente como integrante da banda Mustache e os Apaches, depois gravou um primeiro disco solo diretamente em vinil (direct cut). Hoje, ele trabalha a promoção de seu segundo álbum, Projeções)

Quais os discos que você mais ouviu na vida?
“Eu trabalhei vendendo uma porção de coisas em Porto Alegre, sapato, óculos, livro, tudo em shopping. Trampei uma época de garçom mas os trabalhos eram todos horríveis, até que conheci um lugar incrível que me contratou como garçom, era um restaurante japonês. O único problema era que o casal que administrava o lugar gostava muito daquele Made in USA, do Pizzicato Five. Trabalhei lá por três meses, até que o lugar fechou, e ouvi nesse tempo ininterruptamente o mesmo disco deles. Até hoje, quando toca os primeiros acordes, eu lembro do cheiro forte de wasabi e aquela meia luz que o lugar tinha. Bons dias. Mas certamente foi o disco que mais ouvi na minha vida”

Para você, o que faz um bom show?
“Não sei, quanto mais tento entender, menos parece lógico. Posso dar a resposta mais fácil e durinha, de que experiência e prática fazem a coisa fluir, ou de que é casa cheia. Mas tu sabe que, como vivo especificamente de música, toco em muitos lugares diferentes, teatros, casamentos, eventos corporativos, faço shows em inferninhos no interior, na rua, enfim, varia muito. Às vezes, um show que tem tudo pra dar certo, cheio de gente legal e que sabe as músicas… é frio. Outros que têm tudo pra dar errado, com executivos depois do jantar, viram um filme absurdo do Kusturica, com gente que perde a linha se pendura no lustre. Lógico que vem do cuidado da banda ensaiar, de gravar um disco legal, de cuidar do show. Mas, ao mesmo tempo, é um mistééério. Talvez essa seja a graça”

Quais os seus filmes favoritos?
“Acabei de ver todos os filmes do Bruce Lee pela primeira vez essa semana, estou apaixonado pelo figura. São filmes de baixo orçamento (pelo menos os dois primeiros são bem roots), mas ele têm muito carisma. Mas são bem “indicáveis” O Dragão Chinês, A Fúria do Dragão, O Voo do Dragão e Operação Dragão. O Jogo da Morte, peço que não vejam, é uma desconsideração tremenda com ele, é um filme póstumo e meio bizarro. Estou fazendo kung fu há algumas semanas e aproveitei pra colocar em dia esses filmes. Há umas duas semanas, depois de ver o Hypernormalisation, eu tirei um tempo entre os ensaios e shows pra ver todos os documentários do Adam Curtis e ele é foda. O Século do Eu é uma boa pra quem quer começar. Enquanto respondo essa pergunta, ainda me recomponho do Eu, Daniel Blake, acabei de ver e por favor, vejam! Enquanto estava compondo pro meu último disco, estava pirando muito nos reggaes, então vi o Rockers um par de vezes e achei os filmes do Yorgos Lanthimos bem bons pra soltar a mão e escrever depois. Alps, Lobster e Dogtooth são bem bons”

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MARCADORES: Tantas Coisas

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.