tantas coisas com Renato Cohen

Hermeto Pascoal, o instrumento mouse, o Techno de Detroit e Chicago e a linha tênue entre enfiar o pé na jaca e se manter inteiro

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Fotos: Arte: Beatriz Dorea

Set/show que eu mais amo assistir/ouvir…

Eu sempre prefiro mais os discos de estúdio do que ao vivo. Acho que a produção geralmente é mais interessante, mas tem muitos bons discos ao vivo que realmente transmitem a energia do momento.

No minimalismo eletrônico, Manuel Göttsching ‎– Live At Mt. Fuji; no Jazz, Hermeto Pascoal ‎– Ao Vivo Montreux Jazz; no Rock; Frank Zappa – Bongo Fury; e no Techno, Submerge Live In Japan; vários hits do Underground Resistance tocado ao vivo no Liquid Room em Tóquio. 

Eu adoraria aprender a tocar…

Eu já toquei diversos instrumentos ao longo da vida, mas sem uma dedicação diária você realmente enferruja. Infelizmente, o instrumento a que eu mais me dediquei nos últimos 15 anos foi o mouse.

A minha rotina quando eu vou produzir…

Acredito mais na transpiração do que na inspiração. Acho que com esforço e trabalho duro é como realmente você chega lá.

Queria fazer um B2B com…

B2B pra mim é mais uma diversão, uma coisa que acontece espontaneamente. Às vezes alguém que você admira nem sempre pode ter a mesma química e o resultado pode não ser o que você esperava. Algumas pessoas que eu tive uma sinergia perfeita foram DJ Benjamin Ferreira, Mau Mau e Denis Sulta.

No início da minha carreira, o disco que eu mais ouvia era…

Muito Techno de Detroit e Chicago, Derrick May, Kenny Larkin, Carl Craig… tudo que saía pela Relief na época, Dance Mania, Jeff Mills, Robert Hood. Da Europa, The Advent (o álbum Elements of Life eu era apaixonado), Scan X, Luke Slater, Weatherall,  KLF, Prodgy, FSOL, T Power, LTG Buken e o que saia pela Good Looking records, Warp records,  Djax Up Beat. Apesar de hoje em dia não gostar, eu ouvia muito Gabba também.

Meu ritual pré-festa/pré-festival…

Aquela linha tênue entre enfiar o pé na jaca e se manter inteiro para poder tocar.

Um artista/cantor/banda/DJ/produtor descoberto recentemente…

Doja Cat, “Say So”. Para mim, nos últimos 20 anos essa é a primeira música com autotune na voz que ficou realmente incrível. (Lukasz Gottwald é um produtor brilhante). Gostei bastante da faixa nova da Róisín Murphy também, “Assimilation”.

Se eu pudesse escolher qualquer lugar do mundo para estar, eu estaria em…

De volta às festas em São Paulo, sem pandemia. Não tem nada igual. Blum, Tantša, Sangra Muta, Mamba Negra…

O disco mais inusitado que eu ouvi…

Impossível pensar em apenas um. Não sei dizer se são fora da casinha. Acho que são todos fora do comum no sentido geral, inteligência, construção, produção, qualidade e etc… São álbuns que eu adoro e escuto muito. Os álbuns da Kaitlyn Aurelia Smith, Ears e The Kid. Toda a harmonia e vozes se fundem com os synths modulares de uma forma tão natural.

 Soulwax –  EMS Synthi 100, DEEWEE Sessions Vol. 01: Se você gosta de sintetizador… Um álbum feito inteiro no Synthi 100 da EMS.

Lemon Jelly – Lost Horizons: A arte de samplear feita de maneira brilhante.

Jah Shaka Meets Aswad – In Addis Ababa Studio: Se você gosta de Dub, tem um baterista mais espirituoso que o normal.

Maria Beraldo – Cavala: Para quem reclama que MPB hoje em dia não tem qualidade, álbum de 2019.

Bernard Wright ‎- Nard: Álbum de 1981 que teoricamente seria Jazz mas é um pré Hip-hop.

Darondo – Let My People Go: Compilação de 2006 de faixas dos anos 1970 de um artista que só ficou conhecido na década passada.

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ARTISTA: renato cohen
MARCADORES: Tantas Coisas