The Black Keys e os dez anos de “Thickfreakness”

Bem apegado ao Blues Rock, o álbum foi importante para solidificar o estilo para a banda, mesmo que mais adiante caísse para o lado mais Indie Rock

 3,969 total views

Exatamente hoje, dia 08 de Abril, completa-se uma década do lançamento de Thickfreakness, segundo disco de estúdio de The Black Keys e um dos discos mais encorpados e agressivos da discografia da banda, mas, que infelizmente, é meio esquecido tanto em apresentações, quanto na mente dos fãs – principalmente aos recém-chegados.

Para muitos, The Black Keys é uma novidade, conhecida lá por volta de 2008 ao ouvirem Attack and Release, ou Brothers, de 2010, ou ainda mais recentemente agora com El Camino, que saiu no finalzinho de 2011. Pois bem, mas a dupla não é nem um pouco nova de carreira – tá aí os dez anos que Thickfreakness carrega nas costas e não deixa mentir. Para os novos fãs, essa sonoridade Blues Rock com o pé no Indie Rock soa normal e carrega já uma alta identificação com o som da banda. Entretanto, para os antigos, os lançamentos dos dois últimos álbuns, principalmente o último, causaram um certo estranhamento e geraram algumas preocupações e desgostos. Tão acostumados com a blueseira suja e agressiva dos discos anteriores, eles ouviam saindo de seus fones de ouvido uma música com arranjos mais Pop e que lhes causavam estranhamento, a mesma sensação que recai ao novo fã quando este escuta os primeiros discos da dupla.

Após um bom disco de estreia, The Big Come Up, e que fez jus ao seu título, Thickfrekness veio para confirmar as guitarras ríspidas e furiosas com aquela levada dolorosa e sofrida do Blues. Quase que gravado em sua totalidade de maneira caseira, no porão da casa de Patrick Carney – o rapaz de óculos que comanda as baquetas – o disco se apresentou com bons singles, como um bom sinal de confirmação, algo que o segundo disco de uma banda sempre pede por parte da mídia e do público.

O fato de Set You Free – um dos três singles – ter sido escolhida para compor a trilha sonora original do filme School of Rock, “ao lado” de nomes como The Who, Cream, Ramones e Led Zeppelin, mostra tanto a sua qualidade individual de faixa, quanto a da banda, que apostava em uma sonoridade mais crua e que se aproximava de um Rock mais clássico.

A presença de dois covers, Have Love, Wil Travel de Richard Berry e Everywhere I Go de Junior Kimbrough, grandes nomes do Blues raiz, só confirmavam a fonte de inspiração de qualidade que Dan e Patrick possuiam para as suas canções. E era dessa mistura de Rock e Blues, ambos de gente grande, que The Black Keys apresentava em seus primórdios, e que viria a se repetir em Rubber Factory no ano seguinte, ou em Magic Potion três anos a frente.

Se hoje em dia a única canção de Thickfreakness que é colocada no setlist da banda é a faixa título, isso deve-se a alguns motivos. O primeiro é a tardia explosão e exposição da banda para o mainstream, o que figurou no conhecimento limitado do público ao seu último, ou no máximo penúltimo álbum. Tal fato acaba gerando uma demanda limitada e que a dupla atende preenchendo seus shows com canções de ambos. Outro motivo pode ser visto como uma real mudança do som que Auerbach e Carney vem procurando para seu trabalho, algo mais moderno e que se apresente menos limitador e mais expansivo, mais ao alcance do público, caindo então num molde mais maleável, se transformando num som mais acessível.

O que se sabe é que Thickfrekness pode ser facilmente considerado um dos melhores discos de The Black Keys e que, mesmo ainda não tão coeso quanto seus dois sucessores e sendo levado mais pela espontaneidade que o momento e o ambiente de gravação lhe trouxeram, foi responsável por gerar influência interna para as demais obras seguintes dos músicos, além de nos dar faixas que até hoje são prazerosas de serem ouvidas – e em volume bem alto.

 3,970 total views

MARCADORES: Disco

Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).