The Cardigans, Muito Mais do que Você Pensa

Confinar a banda a um hit mundial é perder a chance de conhecer uma discografia muito agradável

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Ouvir sobre The Cardigans e pensar imediatamente no hit Lovefool (“love me, love me, say that you’ll love me…”) e apenas nele é como citar Los Hermanos e achar que a obra da banda é apenas Anna Júlia. Ou pior ainda, considerando que a banda carioca tem quatro álbuns lançados e o grupo sueco tem cinco ou seis discos (já explico por que a dúvida).

O fato é: Há muito o que ser explorado na discografia da banda de Nina Persson. E, agora que a moça lança seu primeiro álbum solo (aguardem resenha em breve no Monkeybuzz!), pareceu o momento apropriado pra revisitar um pouquinho da história do conjunto, naquela pegada de fazer bem tanto pra quem ouve The Cardigans há quase 20 anos, quanto pra quem confia na ideia de que tem muita coisa boa aí.

Dê uma chance. Ou melhor, cinco – uma pra cada álbum.

Life (1995)

Bom pra quem ouve: Camera Obscura, She & Him, Kings of Convenience

Vou explicar por que disse que a banda tem cinco ou seis álbuns lançados: Emmerdale (1994) foi só lançado na Suécia e no Japão. Quando a banda foi lançar Life no ano seguinte, as versões que saíram em outros países (inclusive a no Brasil) ganharam as melhores faixas do disco anterior e desse. Ou seja, a discografia completa na banda em seu país de origem e na Terra do Sol Nascente tem seis títulos. Para o resto do mundo, são cinco.

É uma obra com um apelo Pop inegável e delicioso. Daquelas que você vai ouvindo as músicas e nem acredita no quanto elas são envolventes, numa atmosfera fácil de respirar e arriscar uns passinhos de dança meio que sozinho. Tem um tom melancólico bem gostosinho também

Fique atento ao clima de bailinho vintage e aos timbres doces que acompanham o vocal cheio de personalidade de Nina.

First Band on the Moon (1996)

Bom pra quem ouve: The Kills, Alabama Shakes, Cults

Sem deixar a fofura de lado, Nina e os rapazes investiram em um Rock mais tradicional, aquela coisa meio caipirona norte-americana. Lovefool carregou as vendas todas nas costas, mas são as faixas mais psicodélicas e guitarrentas que seguram o disco até o final.

As mudanças de clima de uma música pra outra (é muito legal o quanto uma atropela a outra, ou como elas emendam aproveitando o embalo da anterior) fazem com que a obra tenha uma identidade muito própria em meio à toda a discografia. Uma cover de Iron Man (Black Sabbath) ajuda nisso.

Gran Turismo (1998)

Bom pra quem ouve: Garbage, Goldfrapp, Young the Giant

Ao meu ver, esta é a obra mais ousada de toda a carreira da banda. Ele é dark, numa mistura interessante de muitas camadas sonoras e um certo uso de silêncio e minimalismo eletrônico em alguns momentos, o que valoriza ainda mais os momentos mais carregados de instrumentação.

Com singles com muito potencial (mesmo que nenhum fosse repetir o sucesso do grande hit de sua história – algo que parece impossível), o álbum revela composições muito interessantes, como a tensa e, de certa forma, arrastada Hanging Around, a sublime Higher e a baladinha mela-cueca-mas-muito-simpática Junk of the Hearts. Favorito de muitos, o que faz muito sentido.

Long Gone Before Daylight (2003)

Bom pra quem ouve: Fleetwood Mac, Beachwood Sparks

Se toda banda tem um disco subestimado, arrisco dizer que, no caso de The Cardigans, é este. Long Gone Before Daylight enfiou o pé na jaca da amargura e é o disco mais triste da carreira do grupo, além de – infelizmente – ter os singles mais fracos. Esses dois fatos assustou público e crítica, mas uma aproximação despretensiosa hoje, agora que a poeira baixou, revela muita beleza.

Você vai se aprofundando no álbum e aquela melancolia toda ganha uma força interessante, uma beleza boa e tem uma sequência de faixas de deixar qualquer um com o coração na mão lá pelo meio. Não se assuste, vale a pena.

Super Extra Gravity (2005)

Bom pra quem ouve: The Cardigans

Gosto muito de discografias assim, que se encerram em uma grande conclusão. Super Extra Gravity chega como um resumão de tudo o que a banda fez em dez anos, reunindo suas melhores características e deixando um atestado de sua qualidade aos fãs e à posteridade.

É um álbum roqueiro, um misto de doce e amargo que não tem medo nem de agradar, nem de espantar quem ouve. As músicas podem ter menos carisma que as composições do começo da carreira, mas trazem melodias deliciosas com um vocal mais grave de Nina. Um final feliz para uma história que você pode recomeçar a cada play.

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ARTISTA: The Cardigans
MARCADORES: Redescubra

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.