The Knife: A música eletrônica em altas doses dançantes e sombrias

Saiba porque conhecer os irmãos suecos Karin e Olof Dreijer e seu trabalho, que varia entre a pista de dança e o experimentalismo dark

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Quebrando o hiato de pouco mais de meia década sem lançar material novo, The Knife está de volta em 2013 com um disco a ponto de ser lançado sob o título de Shaking The Habitual. Os irmãos Dreijer estiveram produzindo nesse meio tempo, cada um em seu projeto solo. No entanto, o Monkeybuzz aponta hoje os bons motivos para aguardar as novidades sonoras da intensa irmandade sueca de Karin e Olof.

Obscuro, mas nem tanto

Desde o início de sua carreira e através do primeiro lançamento homônimo em 2001 que o duo rema por uma sonoridade obscura, misteriosa e que emana uma dose cult acima da média. No entanto, ambos conseguem transcender a tal base sisuda apenas emplacando percussões adequadas para pista de dança, ritmo agridoces e tribais num nível que pode conquistar de maneira sutil e dosada até mesmo que se mostra mais resistente a uma musicalidade mais experimental. A prova viva disso é o hit Heartbeats, cuja cover feita por José González ampliou os horizontes da banda, transformando a faixa na trilha sonora de um comercial de TV aberta de uma grande marca de eletrônicos.

A soma dos fatores altera o produto

O longo tempo sem produzir juntos poderia até sugerir algum tipo de conflito interno entre Karin e Olof. Porém, ambos já apontaram em entrevistas que a independência musical de cada um sempre foi um fator marcante em suas carreiras. Karin obteve um destaque maior perante a mídia ao conduzir o rápido projeto intitulado como Fever Ray que trazia uma espessa camada visual ainda mais hostil, timbres metálicos e um tanto imerso na fragilidade, usando artesanalmente os sintetizadores a seu favor. Olof manteve-se praticamente na mesma linhagem, soando um pouco mais Pop sem se desprender das suas bases, em performances sob os nomes fictícios de Oni Ayhun e DJ Coolof. A união de ambos definitivamente é imprescindível para amarrar e manter em sintonia o sombrio e dançante na mesma dosagem.

Decadence avec Elegance

Se você se interessou por esse artigo, já deve ter visto o novo clipe dos irmãos Dreijer para a canção Full of Fire. Ele retrata bem o título do tópico de forma única: A elegância e a decadência andam na mesma corda bamba por toda a discografia da banda, ultrapassando de tempos em tempos um pouco de cada. A filmografia dos suecos traduz bem esse sentimento propagado por eles através da última década. A utilização de recorrentes cenas de amassos entre pessoas do mesmo sexo (seja numa moto ou numa sala cheia de estranhos), escatologia em praça pública e personagens anatomicamente fora do padrão de beleza comercial são constantemente acompanhados de ritmos eletrônicos bem trabalhados e vocais que variam entre o puro e o altamente editado. A tal busca pelo choque cultural vem acompanhada sempre de altas doses de classe.

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ARTISTA: The Knife

Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.