“The Odissey”: Florence em Cinco Capítulos

Saga de videoclipes desvenda tema por trás de “How Big How Blue How Beautiful”

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Você deve ter visto que Florence + The Machine encerrou nesta semana uma série de clipes de músicas de seu terceiro álbum, o recém-lançado How Big How Blue How Beautiful. Ficamos nós aqui, os espectadores, fãs ou não da banda, na missão de entendermos a história contada ao longo deles.

Sendo um trabalho de Florence Welch (e sendo arte, no sentido geral), existe uma enorme possibilidade de interpretações. Este pequeno guia tem como propósito justamente apontar detalhes que possam facilitar sua própria leitura da história contada ao longo dos capítulos.

Como alguém disse em um comentário no Facebook ontem, vale a pena pegar pipoca e lencinhos para ver todos na sequência. Vamos lá?

What Kind of Man

“Então você me deixa sofrer?” pergunta a personagem de Florence ao namorado logo no início do vídeo, quando ele diz que ela falava durante um pesadelo. Gera aí a pergunta central do clipe: Um casal que sofre juntos é mais feliz? Após isso, o que vemos é um acontecimento devastador e a ação no que parece ser um grupo de psicodrama, no qual ela e o amante expõem seus traumas.

Um dos clipes mais intensos da saga, ele serve como introdução para a mitologia do toque (mãos, dedos, lábios) como conexão com outra pessoa, que continuará até o último dos vídeos. É uma obra sobre colisões, principalmente entre pessoas.

St. Jude

A música, batizada com o nome do patrono das causas perdidas, ganha um clipe sem cortes que traz a cantora no mesmo figurino de uma semana do que parece ser uma espécie de batismo, visto no vídeo anterior. A água acaba sendo um dos elementos mais presentes ao longo da saga, talvez por sua simbolização de renascimento ou de renovação.

Ela caminha por um vilarejo sozinha, encontrando e interagindo com pessoas (como o amante) aqui e ali, mas a imagem que fica é dela só, provavelmente pela necessidade de se resolver internamente, como pessoa, daí o fim com ela sem ninguém por perto.

Ship to Wreck

Este aqui começa de onde o outro parou: Florence sozinha na chuva. O vídeo central da obra é também o mais dinâmico, trazendo a personagem em brigas com o namorado e – a melhor parte – consigo mesma.

Dá impressão de que este é o momento em que ela entra em maior contato com o que sente e luta contra a culpa e qualquer outro sentimento negativo que possa vir da história como um todo. Por falar nisso, sua estrutura sugere que ele e os outros não seguem uma linha temporal muito definida, o que pode significar que todos juntos representam mais um certo período em que tudo isso aconteceu do que uma ordem cronológica dos fatos.

Queen of Peace

O mais diferente dos outros vídeos tem uma outra história acontecendo: O romance proibido entre dois jovens, nos quais Florence enxerga uma projeção de sua própria história – um relacionamento que tanto causa dor. Aqui, a figura da comunidade (a dos toques, das mãos) é reforçada, o que será essencial na conclusão da saga.

A ação paralela parece também ajudar a personagem a entender que o que os dois tem não poderia ter um futuro diferente daquele que já imaginávamos neste ponto – o que nos leva à segunda parte (que veio no mesmo vídeo, logo abaixo).

Long & Lost

A água vem como elemento determinante mais uma vez, mas não como um batismo ou a chuva: É o mar que faz a separação definitiva da personagem e de seu objeto de afeto. É quando ela tem suas emoções amparadas pelo grupo de pessoas à sua volta.

Sem cortes, trata-se de um encerramento digno para uma saga tão emocional.

Como dito anteriormente, estas são apenas algumas dicas para você compreender melhor o que Florence + The Machine trouxe nesses lançamentos, mas as interpretações são infinitas. Inclusive, e se a história for de trás pra frente – Eles dois insistiram em um relacionamento que nunca daria certo, o que levou a um fim trágico? Fica a reflexão.

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MARCADORES: Clipe, Guia

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.