“The Space Project”: Fotos Instantâneas do Desconhecido

Coletânea tem escolha interessante de artistas para trabalhar sons de origem espacial

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Sabe aquele disco lançado há algum tempo que você carrega sempre com você em iPod, playlist e coração, mas ninguém mais parece falar sobre ele? A equipe Monkeybuzz coleciona álbuns assim e decidiu tirar cada um deles de seu baú pessoal e trazê-los à luz do dia. Toda semana, damos uma dica de obra que pode não ser nova, mas nunca ficará velha.

The Space Project

Apesar de ser um lançamento recente (2014 está longe do que pode ser chamado de um parente distante), o marco inicial da coletânea The Space Project fica localizado no finalzinho dos anos 70, mais precisamente em 1977. Em um período onde a imaginação era fértil para temas espaciais (não vamos esquecer da franquia de guerras estelares que começou nos cinemas neste mesmo ano), duas sondas eram lançadas ao escuro sem fim do universo para investigá-lo: as irmãs Voyager (Viajante) I e II.

Responsáveis por fotografias em alta qualidade dos planetas Júpiter e Saturno, elas continuaram sua missão através do desconhecido, e no caminho, se depararam com “sons” vindos de flutuações da radiação eletromagnética na magnosfera de planetas, luas e grandes asteróides (eu não sei o que isso significa, mas soa como ciência para mim). Como cada um deles tem uma massa e composição únicos, eles emitem estes diferentes “sons”, captados então pelas destemidas irmãs viajantes.

O projeto consiste em entregar estas captações a um grupo de artistas, que tinha como missão fazer música a partir desta rara matéria-prima. The Antlers, Anna Meredith, Porcelain Raft, The Holydrug Couple, Beach House, Mutual Benefit, Zomes, Jesu, Benoit & Sergio, Absolutely Free, Youth Lagoon, Larry Gus, Blues Control e Spiritualized foram escalados para o trabalho, sem indícios de um briefing sobre qual o resultado que eles queriam chegar (prefiro acreditar que a harmonia entre as faixas seja uma coincidência cósmica fruto dos estímulos a que estes músicos-cientistas foram expostos).

As canções se distanciam do Space Rock, que talvez possa ser encarado, comparado-o com o resultado desta obra, como uma versão mais romântica das viagens espaciais. O resultado aqui se aproxima bastante da música Ambiente, com um tom muitas vezes reflexivo e contemplativo, no qual o tempo se estende sem pressa para uma viagem pelo infinito.

Nem sempre é fácil encontrar o elemento captado pelas sondas – não há como saber o quanto dele foi trabalhado pelos músicos em cada faixa, mas em todas existe particularidades que parecem conectá-las. As canções não são análises científicas do que tais sons representam, tenho certeza que um grupo diferente de pessoas deve ter cuidado deste aspecto, mas interpretações feitas a partir de “fotos instantâneas” registradas pelas Voyager, que mais nos surpreendem por serem um retrato daquilo que nos fascina por não conhecermos ao invés de uma pista para uma pergunta complicada sobre o universo.

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Autor:

Videomaker, ator e Jedi