The Walkmen e a Flecha Certeira

Disco da banda comemora dez anos e é de audição obrigatória para quem quer conhecer sua obra

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O teste do segundo disco é importantíssimo para a compreensão da história da banda e também um registro que pode definir seu sucesso ou fracasso. Basicamente, este trabalho permite você ver se o êxtase de um grupo foi apenas algo explosivo e efêmero ou se ele ainda tem algo a mostrar. Também é pelo segundo trabalho que vemos se a banda se propõe a explorar novas sonoridades ou prefere insistir na fórmula do sucesso (o que quase sempre configura pontos negativos em resenhas). Tantos os casos de evolução (como Ice Age e Japandroids), como os de involução (como Bloc Party e Klaxons) dizem muito sobre o grupo, porém um dos casos que penso como mais notáveis dentre os que curto é o segundo disco de estúdio de The Walkmen.

Comemorando uma década de seu lançamento, Bows + Arrows é um disco que trouxe frutos muito benéficos para a banda. Um dos fatos mais marcantes foi o merecidíssimo 9.2 que o site americano Pitchfork deu para o disco em seu lançamento. Embora a banda já tivesse algum sucesso com o primeiro trabalho (Everyone Who Pretends To Like Me Is Gone, de 2002), a divulgação em um veículo respeitado foi o estopim para o começo da reputação que o grupo veio a zelar nos anos seguintes. O site também resenhou o primeiro disco e usou comparaçoes com a fase The Joshua Tree do U2, tendo assim, bastante bagagem para ganhar um destaque.

Dentro do histórico de The Walkmen, Bows + Arrows trouxe para a banda características que fincaram-se muito fundo no consciente criativo dos músicos. Por exemplo, neste trabalho vemos o alto grau de experimentação com reverbs de guitarra durante quase todas as faixas, mas em especial na música The Rat (faixa que ganho o vigésimo lugar na lista de “500 Melhores Músicas dos Anos 2000″ da Pitchfork). Essa mistura de eco e timbres estridentes que privilegiam frequências médias é quase uma marca registrada em todos os trabalhos da banda depois deste e é por meio dela que a banda manteve a identidade nos outros discos. Você pode escutar trompetes (no disco Lisbon de 2010), ambientes profundos (You & Me, de 2008) ou preferência por instrumentos acústicos (A Hundred Miles Off, de 2006), mas guitarras te garantem que você está escutando um disco de The Walkmen.

A banda e o disco em questão tem uma profunda ligação com o famoso seriado norte-americano The O.C.. A banda se apresentou na casa de shows fictícios da série, divulgando este álbum em questão, e apresentando as faixas Little House Of Savages e What’s In It For Me. Junto da Pitchfork, o seriado deu um grande boost na carreira do quinteto, conseguindo contrato com gravadoras maiores para seus álbuns seguintes. A banda ganhou uma leve conotação de hipster quando o “preconceito” com essa “tribo” ganhou força no final da década. Porém, ela nunca se importou com isso, e seu novo disco em 2012 provou que o que realmente importava era a música.

Com o aniversário de dez anos do disco, vale a pena revisitar essa marcante obra para a banda, tanto pelo significado dentro da fama que ela ganhou com seu lançamento, como a firmação de seu estilo que se manteve como referencia nos registro seguintes. O título do disco se justifica como uma metáfora para os anos que sucederam ao lançamento de Bows + Arrows: uma flecha de conquistas sendo catapultada por um arco bem produzido.

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ARTISTA: The Walkmen
MARCADORES: Aniversário

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.