Tim Bernardes além do que se vê

Lançado hoje (14/06), “Mil Coisas Invisíveis” é o segundo disco solo do músico paulistano; ele fala das inspirações para o repertório, de Van Morrison, Jung e Jorge Ben Jor – e sobre “se dar conta de que a racionalidade não dá conta de tudo”

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Fotos: Marco Lafer & Isabela Vdd

E lá se vão 10 anos desde que O Terno apareceu na cena alternativa chamando a atenção da geração YouTube com o esperto e divertido clipe de “66” – que rendeu o prêmio de Aposta, em 2012, no último VMB da história. O vocalista e guitarrista Tim Bernardes, na época com 20 anos de idade, entoava logo no início da canção: “Me diz, meu Deus, o que é que eu vou cantar agora?”. A pergunta já carregava certa fé no que não se pode ver e a letra, ainda que irreverente, revelava um compositor analítico e observador. Depois de uma década produtiva, com álbuns junto aO Terno e a aclamada estreia solo em Recomeçar, Tim é um dos grandes compositores de sua geração e já dividiu seu talento com nomes como Maria Bethânia, Gal Costa e Alaíde Costa.

Hoje, 14 de junho, Mil Coisas Invisíveis, seu segundo trabalho solo, chega às plataformas. “É para ser um disco de canções, 15 músicas, de boa. E se você estiver olhando pela lente meio metafísica, vai ver que tudo está feito de propósito também, mas essa camada está meio escondida. Você ver isso tem a sensação de uma revelação”, elabora o compositor em entrevista ao Monkeybuzz.

A audição se faz entre descobertas, constatações e revelações que aproximam o ouvinte das histórias, e fica fácil se identificar com algumas das mil coisas não concretas investigadas por Tim. A capa do projeto mostra um cenário indefinido, uma encruzilhada entre o físico e o espiritual, o céu e a Terra – com Tim em um momento eureca! representado pela chama do fogo. (Não por acaso, elemento que simboliza fé, purificação, transformações, além de estar presente em rituais de diversas crenças como uma energia divina. Está tudo conectado).

Em “A Balada de Tim Bernardes”, ele canta: “E por que não cantar e por que não cantando?/ Eu quero música de qualquer jeito, canto no chuveiro, palco ou no metrô a paixão da minha vida, minha fantasia, meu eterno amor”. Durante a última década, Tim parece ter se esforçado, também, para se conhecer cada vez mais – inclusive, descobrindo segredos e desvendando mistérios que estão além da vista. E em Mil Coisas Invisíveis, esse ímpeto é traduzido em belas canções.

Talvez por eu ter completado 30 anos essas músicas bateram de maneira certeira por aqui. São constatações que só o tempo mesmo traz. Tive uma sensação de que se compararmos seus dois trabalhos solos, talvez esse seja mais para as pessoas ouvirem e no Recomeçar era você precisando falar.

É interessante ver assim. Eu acho que não foi intencionalmente “ah, eu descobri umas coisas e agora vou contar pra vocês”, a minha lógica aqui é meio parecida com a do Recomeçar no sentido de que lá eu também tentava desvendar sentimentos ou coisas assim de alguma maneira que fosse específica comigo – mas genéricas o suficiente, no bom sentido, para ser relacionável e para que a pessoa consiga se colocar no sujeito da experiência em primeira pessoa, você não está ouvindo uma história vendo de fora. Mas acho que o que muda muito é que as investigações não acompanham tanto um tema só, como relacionamento ou sentimentos e coisas assim, embora tivesse a coisa da busca, enfim.

Mas acho que como o atrás/além tinha essa coisa que falava de um salto, tem algo do salto para o desconhecido, essas músicas já são meio as primeiras impressões no desconhecido, porque é uma sensação de… Acho que tem a ver a coisa da idade, que é uma sensação de – algo que até certo ponto tá muito documentado na nossa cultura – o que é a cartilha do jovem, e depois de um momento “que que é jovem agora?”. E aí muda o foco quando você fica mais velho: tem mistérios que são menos comunicáveis porque são mudanças de perspectivas internas, de consciência. Mas, assim, essa é a parte conceitual que eu acabei vendo depois que juntei as músicas, porque a minha intenção não era fazer um disco como o atrás/além  ou o Recomeçar, que têm um conceito que amarra tudo. Embora ele [Mil Coisas Invisíveis] tenha um clima e o nome do disco mostre isso.

Essa outra camada no trabalho tem uma energia, até mesmo os nomes das faixas , como “Mistificar” e “Mesmo Se Você Não Ver”, falam de realidade e de certa fantasia. Queria saber se o misticismo te influencia. Eu, por exemplo, sinto que agora estou mais apegada a coisas que não são concretas, mas que têm alguma ciência por trás.

Muitas das canções eu compus depois do atrás/além, de 2017, o único disco que eu fiz em uma leva, tinha acabado de gravar o Recomeçar, ia lançar ainda, e falei “caralho! eu não tenho mais nenhuma música, será que eu não vou mais saber fazer música?”. Porque sempre tinha algumas e ia juntando com outras, então, o atrás/além veio desse vácuo. Eu tava saindo da casa dos meus pais, enfim… E a partir daí fui compondo canções no ritmo que é mais o meu normal. De tempos em tempos, faço uma ou quando acontece algo muito significativo para mim. E aí é uma coisa muito gradual, são reflexões que não são “ah, agora eu tô numa brisa espiritual específica”. Mas, quando chegou 2020, comecei a juntar as músicas e reparei que tinha um pouco desse elemento. Pelo menos do jeito que vivi as coisas. Tem a ver com se dar conta de que a racionalidade não dá conta de tudo e de que não fecha a conta ser só racional. Então, a mesma abordagem, que era mais a que eu tive nos discos, quase psicanalítica assim…Eu já tinha pensado coisa demais, elaborado mentalmente e tava sentindo a presença de mais coisas que não eram mentais. E em 2020 rolou uma parada, uma virada de panorama, ia falar no meu cérebro (risos), mas justamente não foi nele. Com a pandemia, então, ficando tudo mais parado… Tem uma música do Gil que fala “preciso aprender a só ser”. Mentalmente, talvez eu me definisse como músico, amigo, filho, e comecei a reparar que ali não estava sendo músico. Então, não sou mais eu?

O que acontece se eu não estiver agindo em nada, sem me definir pelo o que eu faço e nem pelo o que eu penso ou tenho? Eu só existindo, estou existindo e as coisas também. Poderia ser usada a palavra “místico”, em contrapartida à materialista, no sentido da ciência materialista. Só que eu costumo ter cuidado para usar o termo, porque acho que foi popularizada uma coisa mais água com açúcar do misticismo, algo mais raso, o que é natural pelo jeito como as coisas funcionam na nossa geração. Tipo, o horóscopo é um assuntinho, o tarot…

Surgiu em mim uma vontade mais profunda dessas ciências ocultas, as pessoas que estão estudando a parte que não é mensurável. Então, tem a ver, sim. Assim como fui entrando em assuntos mais sutis, tipo no início dO Terno. Eu falava que fulano foi lá e fez isso e aquilo, são histórias mais concretas, depois era eu sentindo o que é isso e esse sentimento está se transformando naquilo. Sinto que agora existe uma camada muito sutil. Tento falar concreta e objetivamente, mas você pode ouvir em qualquer camada. Que nem eu falo “o mundo existe dentro de você”. Você pode ouvir isso de várias maneiras, poéticas. Mas, assim, quando eu penso nessa frase tem uma onda fractal na minha cabeça a respeito do que é a realidade, como uma coisa fantástica. E a relação com a realidade como um lance muito mais sobrenatural do que a gente supunha. Acho que a visão materialista de que só existe o que é concreto é um delírio da produtividade.

“‘Mil Coisas Invisíveis’ é um turbilhão de assuntos mais sutis e abstratos que rondam a percepção de estar vivo. Tem uma leveza por causa da beleza da vida, mas são temas profundos e densos, não é a leveza pelo raso”

Quando eu vi a capa do álbum, antes mesmo de ouvir todas as faixas, me remeteu na hora ao Astral Weeks, do Van Morrison. Eu sei que você e seu irmão são fãs dele. Esse álbum é referência sempre ou nos últimos anos ele voltou a você?

Depois que eu fui me dar conta da presença do Astral Weeks. Quando mudei de casa há uns 5 ou 6 anos e fui morar sozinho pela primeira vez, compus algumas músicas que estão no álbum. Antes de conseguir pegar todos os vinis, fui com dois e a vitrola – era o Astral Weeks e A Tábua de Esmeralda. Eu nem tinha pensado em fazer o disco, mas depois fiquei lembrando e achei engraçado, porque são dois discos absolutamente semelhantes. São folk, simples e meios cósmicos. No nosso caso, o nosso folk seria um disco de samba. Mas acho que tem um pouco a ver, sim, porque tem uma sutileza ali, você sente que existe um clima. Nunca sei qual é a melhor palavra para isso, mas essa coisa meio cósmica, de espiritualidade, de consciência. Só que é muito natural e sem forçar a barra. Não é tipo “leia o livro”. Até quando o Jorge Ben canta o Tábua você não leva exatamente muito a sério essa parte, mas depois fui ler o Hermes Trismegisto e são coisas bem interessantes. Mas não são discos leves e tinha a ver com isso. Não são inspiradas diretamente nestes discos, mas é desse tipo de família de músico. Uma leveza por causa da beleza da vida, mas são temas profundos e densos, não é a leveza pelo raso.

E tinha a vontade de não ser um disco temático. Tem música de término, sobre um relacionamento estável, sobre várias coisas. E dá para ver a pressa que as pessoas têm em catalogar as coisas. Soltando os singles, o pessoal já fica querendo adivinhar o que vai ser, se vai seguir o tema da primeira música, e não adianta, não é sobre uma ou duas coisas. Por isso, Mil Coisas Invisíveis é um turbilhão de assuntos mais sutis e abstratos que rondam a percepção de estar vivo. E acho que fala meio de alma, não do jeito espírita, talvez, também não sei. Mas dessa sensação de “quem sou por trás da minha mente”, porque a gente tem uma tendência a pensar “eu sou isso aqui que está pensando, olhando”. E quando você tem a chance de alguma coisa te impactar e você enxerga sua mente de fora, não sei se você já sentiu essa parada, mas, tipo, você sente a presença de uma outra parada invisível, que faz você sentir “isso aqui sou eu”. Alma poderia ser um termo. E tudo tentando falar em uma linguagem simples e falando com a nossa geração, mas não só com ela.

E o conceito da capa, como veio?

Foi meio na mesma intuição para compor algumas das músicas, que é essa sensação, esse sexto sentido de que você tem alguma coisa para comunicar a música, “esse ar” que tem um pouco a ver com a Lua. Compus meio assim, fui sentindo, tentando puxar de um terreno estranho um assunto que você está intuindo, e a capa e o nome vieram meio juntos, quando vi que tinha algo de misterioso em várias das musicas. “Mil Coisas Invisíveis” é uma frase de “Meus 26”, que acho que fala bastante disso e queria uma coisa sutil que fosse ao mesmo tempo coloquial e pudesse ser vista de maneira mais profunda. Aí fiquei imaginado na capa do disco, tinha até pensado em uma foto em que estou sentado em uma duna, uma coisa que fosse eu na Terra, mas que, para cima de mim, só se visse o céu.

O segundo disco dO Terno, por exemplo, é um horizonte de água com céu e esse, não sei, queria que fosse de terra com céu, e eu tô vendo o fogo. E você pode ver como o fantástico da realidade física, então tinha meio isso. Senti que tinha que ser verde a parada, por acaso uma cor básica que eu ainda não tinha explorado. Na minha cabeça, é uma cor meio mágica, não sei se por algum motivo, mas aquele tom de verde parece uma presença própria. Fiz como sempre faço, penso primeiro na capa e aí fui falar com o Marco Lafer que tinha feito a capa do Recomeçar. E disco de cantor-compositor tem isso, da primeira capa ser mais o rosto do cara e o segundo é um plano mais aberto. O Recomeçar é mais escuro e esse é uma coisa mais iluminada, não solar, tinha que ser uma luz mais branca. Aí o Marco chamou a Isabela, o que é muito legal, um casal fazendo a foto, cada um com uma câmera e foram tirando tudo junto. A gente procurou um lugar que não parece nem cidade e nem campo, foi um trabalho nessas sutilezas. Sentimos que era esta a foto por ter estes elementos ou até mesmo a ausência de elementos reconhecíveis. Fiz meio que umas indicações de como eu queria a moldura, não totalmente redonda. A Isa compilou a coisa como um todo e foi legal trabalhar com ela, uma designer muito foda.

Desde que eu ouvi “Meus 26” pela primeira vez, ela se tornou minha favorita e acho interessante ela ter o trecho que dá o nome ao disco. Você a compôs durante o ano em que você tinha 26 anos?

Eu comecei a fazê-la quando completei os 26 anos e fiz 27. Quando tinha uns 20, achava que com 26 anos estaria mais desenvolvido, teria realizado coisas, e acabou se cumprindo porque foi a época em que lancei o Recomeçar e que fui morar sozinho. Teve uma série de saltos  para viver como um indivíduo minimamente independente e foi um ano bem legal. O Terno fazia um monte de show do Melhor Do Que Parece e fazendo shows do Recomeçar, senti que essa era a minha cara, pelo menos artisticamente falando. Mas pessoalmente também, porque o uso é misturado, uso as composições como um processo. O Jung fala de um processo de individuação que é do indivíduo, porque a gente é “vários eus” e quando a gente vai começando a se condensar em um círculo fechado e tal. Não que eu tenha conseguido fazer já a individuação, mas essa sensação…. Só que eu comecei “Meus 26” ali, fiz boa parte dela, tem músicas que eu faço uns 70% e aí nos outros três anos passo vendo se vem um verso melhor e foi o que aconteceu com essa música. Mas tem uma coisa curiosa, porque eu a compus, acho que em 2018, e o refrão que fala de 2020 era quase dizendo que nada mudou. Tipo quando virou pros 2000 que nada aconteceu, e aí o que veio a acontecer em 2020 deixa a música mais dramática, tem algo de misterioso.

E o processo de gravação teve alguma mudança se comparado aos trabalhos anteriores, até mesmo por conta da pandemia?

Foi bem legal, mais comprido, mais desafiador. Em 2020, me permiti relaxar, olhei para as músicas que tinha e fui compondo com calma. Por causa da pandemia, me permiti entrar no limbo e as músicas saíram desse lugar. Não só reagindo a demandas da vida, vivendo uma vida sem demanda. O plano era fechar o repertório em 2020 e começo de 2021 já ia começar a gravar. Em 2020, organizei meu esquema de gravação no estúdio em casa, com equipamentos legais. Aí comecei a achar que, pelo clima íntimo das canções, seria legal ter algumas coisas gravadas em takes aqui em casa, tipo meio da noite estava inspirado e fazia um take. Eu tinha essa expectativa, em alguns casos rolou e em outros, não. Foi um processo mental bem maluco.

Em janeiro, fazendo demo; em fevereiro, entrei no Canoa, estúdio do Gui Jesus, e senti que queria começar lá, porque às vezes sinto que é difícil dar o início. Um mês lá tem uma disciplina, você está pagando, você se se move. Completamente sozinho é mais difícil. O Recomeçar tinha sido uma experiência muito boa de gravação, eu já tinha passado um bom tempo pensando em arranjos, como ia gravar e quando cheguei já sabia o que queria. Nesse disco tinha as canções, mas não sabia como seriam os arranjos, tive que testar mais e em banda você testa no ensaio, sozinho às vezes você tem que gravar, então tive que girar mais lâmpadas.

E é um processo perigoso, porque você começa a pensar “será que eu tô espanando essa música?”. Às vezes fluía, às vezes ficava angustiado. Por isso, também, o Mil Coisas Invisíveis. Nesse sentido de forças psíquicas agindo em mim. Tinha que lutar e ser disciplinado, mas sem me blindar muito para vir a emoção da coisa. Fui terminar só em dezembro, às vezes parava duas semanas para ouvir. Aí a pandemia piorava. Eu ouvia em casa, compunha os arranjos de corda e sopro, trazia o Pacheco, violinista do Rio de Janeiro para gravar. “Fases” gravei várias vezes. Tem música que vale gravar com outras pessoas. Muita gente grava com metrônomo, eu não, acho que engessa a música. Só que às vezes é difícil gravar várias camadas se, no início, você gravou com click. Houve uma música que eu sentia que não estava indo, eu curto quando acelera e desacelera. Aí chamei o Tuti (Música de Selvagem), que é o baixista acústico que toca em várias músicas. E a música andou.

Teve a pandemia, que se misturou à necessidade do outro. O quanto você é autossuficiente em algumas coisas, mas o quanto outras não têm jeito. A interação e a empolgação com o outro gera um encaixe. Então, a gravação foi uma odisseia. Eu olhava as coisas de forma menos racional, o que às vezes era legal e às vezes não. Tem que tomar cuidado para não pirar, gravação é isso.

E o disco sai pela Coala Records e a Psychic Hotline. Quando esses nomes apareceram para você?

Comecei fazendo o disco pensando que queria que ele fosse independente, um disco meu. Estava em um momento de saltos de independência de vários lados e sentia que queria produzir e fazer a parada, eu mesmo bancar e lucrar com ele, ter a liberdade de não estar fazendo para alguém. Só que uma vez que ficou pronto e comecei a entender o quanto parcerias de lançamentos seriam legais, me abri a possibilidades. Logo no começo, gravei no Canoa, que é do Gui do selo Risco, e todos meus outros trabalhos tiveram algum tipo de parceria com o Risco. Falei pro Gui “esse vai ser meu”, mas aí eu estava pensando, mais para frente, que queria um selo gringo para lançar ao mesmo tempo e isso eu nunca tinha feito. Nessa época, por ter lançado a música no Shore, eu estava falando com a Aja, empresária do Fleet Foxes, e ela gostou do disco e começou a me ajudar para achar um selo por lá. Falamos com alguns e a Psychic Hotline teve um approach legal, e por ser um selo feito por músicos, do Sylvan Esso, é de quem sabe o que é ser músico, menos lançamentos e mais atenção. Eu estava abrindo mão de fazer com o selo para fazer comigo mesmo, senti que combinou muito. E aí na cara do gol, por uma série de coisas que já estava querendo fazer com o Coala, que eu acho o máximo de produção de shows, de fazer produtos, a coisa meio que se juntou em uma ideia fonográfica também. Foi isso: eu estava decidido a fazer sozinho porque queria essa atenção. Mas no momento em que alguns selos foram aparecendo e pensando em trabalhar desse jeito e me dando a independência de coordenar do meu jeito, dando só o suporte, eu me animei e foi rolando naturalmente.

Me conta sobre a turnê de abertura para o Fleet Foxes. Você montou algo diferente? Queria saber também da sua expectativa, acredito que esteja alta.

Eu estou bem animado, são 17 shows com o Fleet Foxes e shows de abertura são curtos, 30 ou 40 minutos. Quero focar no disco novo porque é o que vai estar sendo lançado lá, mas uma música do Recomeçar e uma dO Terno acho que vai ser legal colocar. E é encontrar um repertório, porque é muito mais uma apresentação para um público que não me conhece do que a rigidez de ser fiel ao disco. Vou estar sozinho, guitarra, violão… Estou pensando em como fazer um esquema de levar o violão de nylon para os shows. Isso é uma coisa que, às vezes, guitarra funciona mais, mas eu sinto que tem o elemento brasileiro do violão de nylon, que tem bastante no disco, eu estou vendo como colocar. Estou enxergando esses shows quase como sessions, que as pessoas possam ver sessions e que misture repertório. Acho que não vou nem fazer o mesmo set list em todos, minha vontade é mudar um pouco, se tiver teatros com piano, vou fazer as que têm piano. Não sei exatamente o que esperar, estou ensaiando uma coisa nessa filosofia e depois vou fazer outros shows sozinhos pelos Estados Unidos.

E com as portas se abrindo no mercado internacional, você pensa em talvez passar um tempo fora? Você tem a ambição com esse olhar voltado para fora?

Ah, acho que esse lançamento com selo de fora é um jeito de dar uma intenção de fazer as coisas com mais carinho por lá, tudo depende da resposta. Porque depois do atrás/além e do Recomeçar, o BadBadNotGood, o Fleet Foxes, a turma do indie, eles têm essa relação afetiva com a música brasileira, principalmente dos anos 1970 e, de alguma maneira, eles enxergam na minha música alguma coisa que é meio dessa linhagem. Acho que desenvolver um pouco lá… Eu tenho a intenção, mas depende, né? Você joga e vai vendo o que é que vem (risos). Não estou desenvolvendo muito a expectativa, quero fazer o trabalho bem feito lá e ir vendo quanto mais posso fazer, porque é legal fazer as coisas aqui e em Portugal. Enfim, tenho vontade, sim.

Esse ano o foco total é no seu projeto solo ou O Terno tem algumas coisas engatadas?

Como agora estão voltando os shows e eu tô bem ocupado fazendo esse trabalho, a sensação é que eu preciso focar nisso aqui, diferente de quando eu fiz o Recomeçar, que O Terno já estava em turnê e, durante uns seis meses com um pouco menos de shows, dava para fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Agora tem a tarefa de aquecer o motor. A gente está com a vontade de voltar com uma turnê meio especial, que a gente possa ensaiar com coisas diferentes, acho que primeiro uns meses vão ter que passar para isso acontecer. Em outubro vai ter turnê desse disco, acho que no fim do ano a gente vai começar a pensar nas coisas e acredito que turnê mesmo seja para o ano que vem.

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ARTISTA: Tim Bernardes