Tourist: “O ofício do músico é sentir”

Produtor britânico prepara lançamento de seu álbum de estreia, “U”

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A figura do produtor de música Eletrônica vem sofrendo muitas mudanças nos últimos anos, seja pelo status de popstar que alguns deles adquirem em grandes festivais ou porque, pouco a pouco, sua imagem vem sendo associada mais à composição e arranjos e menos a alguém que meramente aperta os botões certos. É nesse contexto de transição que Tourist decidiu lançar seu primeiro álbum, U.

Tourist é na verdade William Phillips, um músico inglês que ajuda, querendo ou não, a preencher as lacunas que faltam para quem tem dificuldades de visualizar o produtor como um artista completo. O disco, puxado pelo belo single Run, é prova disso.

“Com este álbum, tentei entender melhor um relacionamento que havia terminado”, contou ele ao Monkeybuzz por telefone, “achei que a melhor maneira seria explorar o tema em sons”. O assunto central de U, porém, não é o fim do namoro, mas o relacionamento em si, como ele explica: “Há momentos felizes, músicas como Run são sobre estar apaixonado, e há também músicas sobre uma verdade fria e difícil, que é a de que talvez seja melhor você não estar com alguém”.

“Foi bom, foi como uma terapia”, conta ele sobre o processo de colocar nas músicas aquilo que estava passando. Sobre a escolha do conteúdo da obra, ele comentou: “Eu não quero comprar um álbum que não tenha um argumento, que não tenha um arco dentro de um tema. Quero que seja sobre algo. Talvez não nos meus futuros lançamentos, mas, para meu primeiro álbum, eu queria que tivesse uma história por trás”.

“Não quero que as pessoas ouçam e tenham dó de mim (risos), não estou tentando ser uma pessoa melancólica e mal humorada, eu não sou assim”, continua, “quero fazer músicas que me façam sentir algo, que me deixem feliz. Esse é o único objetivo que tenho quando entro no estúdio, me fazer sentir algo que eu não sabia que existia”.

Para ele, esse é o argumento central de seu trabalho como produtor. “Ao meu ver, o ofício do músico é sentir algo. Preciso me forçar a sentir as coisas, me tranco no estúdio e exploro sons até um deles me causar uma reação. Procuro um estado de absoluta alegria, a mesma sensação de estar apaixonado. É um trabalho estranho (risos)”.

“O maior desafio é ser constantemente 100% honesto com você mesmo”, conta Phillips, “e isso é independente de eu ser um produtor ou ter qualquer outro emprego, tem a ver com você ser honesto com o seu ser e perguntar sempre ‘você está fazendo isso pelos motivos certos? Você está se pressionando para fazer melhor, está saindo da sua zona de conforto? Está fazendo pela arte e a serviço da arte, não de si mesmo?’. Acho que fazer arte é manter essa atitude de ‘isso está bom o suficiente? Estou fazer o melhor uso de mim mesmo como pessoa?’. É contra isso que batalho todo dia”.

Para esse disco, ele preferiu não ter nenhum vocalista convidado, porque “não queria ter outra pessoa cantando sobre algo tão pessoal para mim. Como produtor, eu deveria ser capaz de falar por mim mesmo”. O resultado disso tudo poderá ser ouvido em 6 de maio, quando U chega ao mundo.

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ARTISTA: Tourist
MARCADORES: Entrevista

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.