Twinklecore: Quando Técnica e Emoção se Encontram

Estilo é capaz de emocionar com sua letras e encantar o ouvinte pelo seu primor instrumental

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Fotos: Na foto Owls, uma das mais representativas bandas do estilo

Math Rock, Emo e Post Rock. Esses são os ingredientes básicos para a formação de um subgênero que fica no meio termo entre os dois primeiros e usa algumas das técnicas do terceiro para se expandir musicalmente. O chamado Twinklecore busca sua principal inspiração na sonoridades dos anos 90, quando esses estilos ainda estavam em seus estágios mais iniciais, e surge com uma fusão que sabe emocionar ao mesmo ponto em que se prova extremamente técnica – algo que era de se esperar de um gênero que surge a partir do Math Rock e Emo, não é?

O termo que designa o estilo surgiu como uma brincadeira e data do começo dos anos 2000, quando a segunda onda de bandas do gênero começou a conquistar mais fãs. O nome vem de uma piada com “Twinkle”, que se refere as “twinkly guitars”, guitarras dinâmicas que se inspiram principalmente no Math Rock e Jazz, construindo melodias em tempos assimétricos e a base de muitos dedilhados e tappings – e grande parte das faixas do estilo se desenvolvem principalmente pela parte instrumental, sendo que a parte lírica quase sempre ocupa uma porção menor delas.

Twinklecore também faz referência aos “Twinkle Daddies”, que basicamente são tidos como os progenitores do estilo. Bandas como American Football, Cap’n Jazz, Owls, Joan of Arc ou qualquer outro projeto em que os irmãos Tim e Mike Kinsella estavam já estiveram envolvidos. Mesmo que não só com bandas do estilo, o duo de irmãos ajudou a pavimentar a trilha que seria seguida por outras bandas a partir dai, bem como abrir caminho para outros terrenos mais experimentais, caso de seus outros projetos: Joan of Arc, Owen, Their / They’re / There, Make Believe e tantos outros.

Apesar de não haver um consenso de qual foi a obra primordial do estilo, sue gênese aconteceu ainda nos anos 90, quando Emo e Math Rock se fundiram. Ambos ainda davam seus primeiros passos e, apesar de surgiram em frentes e em públicos completamente diferentes, sua junção se mostrou um terreno extremamente fértil e agradável aos ouvidos. De um lado, o primor técnico, do outro, as letras confessionais e muito pessoais (e, é claro, os vocais seguindo o mesmo rumo). Outros frutos do gênero surgiram com bandas como Pele, Sharks Keep Moving e The Appleseed Cast, além dos projetos dos Kinsella que datam do fim da década de 90.

Desde então, o estilo tem evoluído e se perpetuado entre a nova geração. Cada artista se relaciona com os extremos da gênese do Twinklecore de forma diferente, alguns trazem mais do Emo, enquanto outros mais do Math Rock. Embora a proporção seja diferente em cada caso, o resultado é geralmente muito bom e mantém muito da proposta inicial estabelecida nos projetos dos irmãos Kinsella. Tornando o gênero um verdadeiro celeiro de novos artistas que sabem como poucos unir emoção e técnica.

É o caso de This Town Needs Guns. O quarteto britânico lançou no ano passado seu segundo álbum, o elogiado 13.0.0.0.0, e conquistou certo destaque ao reapresentar o gênero (com muito do Math Rock) a um novo público. Fãs assumidos das bandas Owls, American Football e Make Believe (todos projetos dos irmãos Kinsella), em seu primeiro disco, Animals (2008), o grupo cria quase um tributo aos Twinkle Daddies.

Se o exemplo anterior ia mais para o lado do Math Rock, Empire! Empire! (I Was A Lonely Estate) está mais alinhado com o Emo. Ainda assim, há muito do Twinklecore na música desse duo do Michigan, principalmente no que diz respeito às “twinkly guitars”. Hoje, o duo anunciou seu segundo álbum, You Will Eventually Be Forgotten, esperado para 19 de agosto.

Crash Of Rhinos é um representante desse grupo de bandas filhas dos Twinky Daddies, porém traz também elementos do Punk e Hardcrore, além da tradicional mistura entre os dois elementos primordiais do estilo. Seu mais novo álbum, Knots, foi lançado no ano passado e mostra o quão pesado (porém altamente melódico) o Twinklecore pode parecer.

E se eu te dissesse que Cap’n Jazz, uma das mais importantes para o desenvolvimento do estilo, voltou mesmo depois de seu definitivo fim em 1995? Owls é uma banda que conta com uma das formações do seminal grupo, porém com uma sonoridade bem diferente e bem alinhada ao que sucedeu o que eles próprios criaram. Além dos irmãos Kinsella, o grupo conta com Victor Villareal (Joan of Arc e Make Believe) e Sam Zurick (Joan of Arc, Make Believe e Ghosts and Vodka). Ou seja, por mais que estivessem em projetos diferentes, esses músicos acabaram tocando juntos por muito tempo e com diversas propostas diferentes. Owls surge quase como uma união de tudo isso e vale lembrar o que o quarteto lançou seu mais recente álbum, TWO, neste ano.

Seja evoluindo para outros caminhos ou retornando para sua própria gênese, o Twinklecore já gerou inúmeras ótimas bandas e tem um potencial ilimitado para gerar ainda mais outras tantas. E o possível caminho a ser seguido é tomar o ensinamento dos irmãos Kinsella como uma possibilidade e não como um dogma, podendo assim trazer ainda mais novidades e somar novas sonoridades ao gênero.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts