Um Caso com In Rainbows, de Radiohead

Disco representa uma banda madura, que soube colher tudo de melhor que plantou em sua discografia

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Sabe aquele disco lançado há algum tempo que você carrega sempre com você em iPod, playlist e coração, mas ninguém mais parece falar sobre ele? A equipe Monkeybuzz coleciona álbuns assim e decidiu tirar cada um deles de seu baú pessoal e trazê-los à luz do dia. Toda semana, damos uma dica de obra que pode não ser nova, mas nunca ficará velha.

Radiohead – In Rainbows (2007)

In Rainbows é o meu disco preferido de Radiohead. Não é o mais importante – pelo menos não musicalmente, deixando de lado seu novo modelo de distribuição -, nem o melhor, mas é o que mais gosto.

Quando penso na banda de Thom Yorke e Jonny Greenwood – os dois para mim, no mesmo patamar de genialidade -, a vontade que tenho é de ouvir Reckoner, uma das mais emocionantes músicas que já apreciei, na qual encontramos a sincronia perfeita entre os falsetes prolongados do vocalista e a guitarra insistente e hipnotizante de Greenwood. É impossível para mim ouvir e não ter uma sensação quase física de estar levitando ou sendo transportado para um lugar em que tudo é mais simples e prazeroso. O vídeo dela ao vivo, abaixo, no imperdível Live From The Basement, é um dos melhores registros da banda – repare como todos tocam de olhos fechados ou de cabeça baixa, provavelmente tendo uma sensação parecida com a minha ao ouvi-la.

Não que Jigsaw Falling Into Place seja menos genial. É aqui que a banda consegue o efeito crescente e brilhante de te levar até um êxtase inigualável caracterizado principalmente pela voz de Thom Yorke se soltando por completo aos 2:15 da faixa. Minha sensação é de que esse alcance do vocal seja algo que temos que apreciar com moderação, por isso que ele não está presente aos montes através da discografia da banda. É aquele doce que você come o primeiro, se delicia, mas se comer mais um, enjoa. Mesmo assim, se precisar de mais uma dose, volte até Kid A e dê o play na famosa Idioteque, uma das poucas que também surtem tal efeito em mim.

Repare que após uma certa quantidade de vezes que você ouve um disco, você cria sua própria ordem para ouvi-lo. Entendo, respeito e admiro a sequência escolhida pela banda, mas ela já não funciona para mim, o disco já é mais meu do que deles e não tem quem diga o contrário. Por isso que em seguida, parto para 15 Step, que abre o disco.

Esta – que me lembra tanto In Rainbows quanto me lembra alguma edição do jogo Fifa – é onde tento diminuir o poder de Radiohead sobre mim e parto mais para curtir tudo o que a banda tem para oferecer. Me lembro de ter me empolgado muito na época de seu lançamento quando li em algum lugar que esta era a faixa que mais conseguia demonstrar as melhores qualidades de todos na banda. Concordo, os vocais estão lá em sua melhor forma, a guitarra de Jonny Greenwood tem um impacto ainda maior sem entrar desde o início, a percussão, o baixo escondidinho e tudo muito em seu lugar.

15 Step também resume muito do que acredito que seja a melhor qualidade de In Rainbows e possivelmente o que me atrai tanto no disco. Ele é um amadurecimento de tudo que Radiohead construiu durante sua carreira e principalmente de todas as barreiras que quebrou com Kid A. É aqui onde eu sinto que a banda consegue colher minuciosamente tudo que plantou nos discos anteriores, pegar o que funciona melhor, o que resulta em melhores músicas e botar em prática.

Estas três representam muito bem tudo o que este disco significa pra mim e toda a genialidade que vejo na banda britânica. As outras são tão importantes e tão boas quanto estas, mas como fã, acho um pecado invadir a sua própria relação pessoal com In Rainbows contando tudo o que fazemos aqui em nossa intimidade. É uma proximidade tão grande que eu entendo que você também ame o disco e se encontre com ele de vez em quando, desde que eu nunca veja ou fique sabendo.

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ARTISTA: Radiohead
MARCADORES: Fora de Época

Autor:

Nerd de música e fundador do Monkeybuzz.