Um Soco Na Cara, por Wolfmother

Disco de estreia da banda é até hoje seu melhor e mais potente

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Sabe aquele disco lançado há algum tempo que você carrega sempre com você em iPod, playlist e coração, mas ninguém mais parece falar sobre ele? A equipe Monkeybuzz coleciona álbuns assim e decidiu tirar cada um deles de seu baú pessoal e trazê-los à luz do dia. Toda semana, damos uma dica de obra que pode não ser nova, mas nunca ficará velha.

Wolfmother – Wolfmother (2006)

A famosa formação Power Trio não tem esse nome nome à toa. Popularizado bastante dos anos 1970 com o exemplo supra-sumo de Cream, os trios de Rock foram compondo cada vez mais poderosas composições, sendo que cada década possuía nomes de alta relevância para a música, como Nirvana, Rush, Husker Dü, Grand Funk, ZZ Top e outros. Porém, mesmo o triângulo sendo a forma mais estável e poderosa da música, é irônico que Wolfmother tenha durado tão pouco nesta formação, sendo que logo virou um quinteto e, recentemente, tentou voltar às origens com o catastrófico New Crown. Durou apenas um disco, mas Wolfmother, o primeiro disco do então trio australiano, é um ótimo exemplo de que às vezes menos é mais. Muito mais.

O disco é formado por doze faixas de uma potência incrível, tanto as mais pesadas como as mais brandas tem a mesma força. Músicas como Joker & Thief, Dimension e Woman (famosa por entrar na trilha sonora do jogo Guitar Hero 2) explodiram a cabeça dos ouvintes com as distorções estridentes, baixos profundos e baterias tocadas no melhor estilo “pedreiragem”, que faria inveja a John Bonham. Por outro lado, as composições mais “calmas” como Vagabond e Mind’s Eye mostram belíssimas melodias que nos arrepiam assim que as primeiras notas vocais são dadas pelo excelente e único membro da formação original que permanceu, Andrew Stockdale.

Outro fantástico atrativo do disco são as temáticas. O trio procura trabalhar com uma espécie de vibe do Rock pesado dos anos 70, porém abordando temáticas fantásticas e lisérgicas. Seja falando de florestas de gnomos, pirâmides, mulheres ou bruxaria, o fato é que às vezes o assunto das músicas se refletem em pequenos detalhes da faixa instrumental. A melodia da guitarra oitavada em Tales From The Forest Of The Gnomes quase que automaticamente nos faz vir à cabeça uma roda de gnomos saltitantes e dançando celebrando as forças da natureza. Já os acordes e frases de guitarra em Witchcraft sonorizam os encantos de uma bruxa, deixando a faixa macabra, ao mesmo tempo que com um riff potente junto com o baixo. Por último, Woman nos mostra todo o poder que as mulheres tem, em um riff que é sensual, ao mesmo tempo que feroz (curiosamente, a voz de Andrew alcança notas tão altas que também se aproxima da temática “mulher-sensual-feroz”).

Parece que com tantas temáticas, timbres e porrada, aos ouvidos de um total desconhecedor de Wolfmother, parece que se trata de um trabalho extremamente complexo. De fato, sua análise é bem profunda, mas o que é mais curioso é que estamos lidando com a simplicidade em forma de banda. A maioria das músicas possui uma estrutura básica de guitarra, baixo e bateria, sendo que muitas das frases são as mesmas entre os dois primeiros instrumentos. É desta ironia de se produzir uma obra densa e pesada com poucos elementos que nasce a obra prima de Wolfmother, algo que parece que não será recriado tão cedo.

No fim da audição do disco, você fica completamente esgotado: seja por fazer moshes na sala de jantar ou por balançar a cabeça a cada minuto reproduzido em seu player, a questão é que é bom ter uma garrafa d’água do lado. A primeira faixa do disco define bem este trabalho: Colossal.

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ARTISTA: Wolfmother
MARCADORES: Fora de Época

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.