Um Tributo a Django Reinhardt com Os Acústicoloucos

O Gipsy Jazz tomou conta da noite paulistana em uma homenagem a um dos maiores nomes do gênero

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Numa noite de segunda-feira chuvosa, nada mais propício do que um tributo ao mestre do jazz cigano Django Reinhardt em um lugar tão charmoso e intimista como o Madeleine Bar, em São Paulo.

Na segunda-feira retrasada (04/06), o trio Acústicoloucos, composto por Bina Coquet (violão), Rafael de Oliveira (violão e percussão) e Flavio Nunes (violão), prestou uma homenagem ao lendário guitarrista Django Reinhardt, que consolidou o estilo conhecido como Gypsy Jazz, ou o Jazz Manouche.

Filho de ciganos oriundos da Bélgica, Reinhardt se tornou o ícone máximo desse gênero musical cujo ápice se deu ao longo das décadas de 30, 40 e 50 nas principais capitais da Europa e dos EUA. Autor de clássicos como Nuages, Minor Swing, I’ll see you in my dreams e Les Yeux Noir, Django se destacou pela notoriedade com que improvisava na guitarra. O mais surpreendente é que ele solava com apenas dois dedos devido a um acidente que lhe ocorreu, tirando-lhe parcialmente o movimento dos dedos da mão esquerda num incêndio. Inovador e inventivo, o músico também desenvolveu ao longo de sua carreira uma levada percussiva ao tocar aquela batidinha seca, mas com muito suingue no violão típico de Gypsy Jazz conhecida como La Pompe que cai muito bem ritmicamente enquanto se tem outros músicos solando durante a música.

Confiram abaixo um vídeo do trio Acústicoloucos em uma das apresentações passadas no Madeleine Bar fazendo uma versão de Les Yeux Noir ou Olhos Negros de Djando Reinhardt:

Originado a partir do trabalho do violonista e guitarrista Bina Coquet, o trio Acústicoloucos é uma extensão de seu novo e tão aguardado álbum Batuque Manouche em que o músico interpreta composições de grandes nomes da nossa música popular brasileira misturando estilos e ritmos como Xote, Maxixe, Choro, Samba e Baião com as levadas la pompe e swing características do Jazz Manouche. No repertório, músicas como Alvorada de Cartola, Trem das Onze de Adoniran Barbosa e Sabiá de Luiz Gonzaga ganham uma sonoridade única e bem humorada com o toque de Jazz Manouche.

Curtam uma prévia do que será esse álbum cheio de surpresas de Bina Coquet unindo tradições musicais distintas nesse feliz encontro do jazz cigano com a nossa música popular brasileira.

Para mais informações, acesse a página do Batuque Manouche.

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Autor:

Antropólogo batuqueiro. Dependendo do contexto, toca de tudo um pouco ou nada de muito.