Uma Noite de Amor, Música e Playlists com Nick e Norah

Trilha do longa lançado em 2008 contribui para a sua narrativa e resume bem o cenário Indie da época

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Sabe aquele disco lançado há algum tempo que você carrega sempre com você em iPod, playlist e coração, mas ninguém mais parece falar sobre ele? A equipe Monkeybuzz coleciona álbuns assim e decidiu tirar cada um deles de seu baú pessoal e trazê-los à luz do dia. Toda semana, damos uma dica de obra que pode não ser nova, mas nunca ficará velha.

Trilha Sonora de Nick and Norah’s Infinite Playlist (2008)

Com uma proposta um pouco diferente do que costumamos trazer no Fora de Época, nesta semana teremos uma trilha sonora, não um disco de um só artista. E abrindo deste jeito tenho que frisar que o mais interessante da trilha de Nick e Norah – Uma noite de Amor e Música (Nick and Norah’s Infinite Playlist) é perceber que suas faixas realmente contribuem para narrativa. Seja em português ou no original, o nome do longa revela muito do que se pode esperar da trama: playlists, música e, é claro, amor – afinal, trata-se de uma comédia romântica.

A trama (inspirada em um livro de mesmo nome) se desenrola ao redor do casal Nick (vivido por Michael Cera) e Norah (Kat Dennigs), que se conhece e se apaixona em uma conturbada noite nova-iorquina em que ambos estão procurando o local do show supressa de uma fictícia banda Indie chamada Where’s Fluffy?. Como uma boa comédia romântica, nada parece dar certo de começo e as tantas adversidades (como procurar a amiga bêbada de Norah ou Nick superar sua ex-namorada) que se desenrolam durante a noite fazem com que o casal se aproxime ainda mais e que fique junto no fim da noite, como um bom filme do gênero deve ser.

Além da trilha e do tal show que o casal busca, o filme é pontuado de outros tantos elementos musicais: Nick é baixista de uma banda de Queercore (apesar de ser hetero), The Jerk-Offs; Norah é filha do dono de Electric Lady Studios (famoso e real estúdio por onde já passaram Radiohead, Lou Reed, Muse, Daft Punk, Mac DeMarco e outros tantos); além de por diversas vezes bandas aparecem fazendo shows ou até contracenando com os personagens, caso de Bishop Allen e Devendra Banhart, respectivamente. As tais playlists (ou mixtapes) que Nick fazia para sua ex-namorada (que as descartava e que Norah resgatava do lixo) são referenciadas por várias vezes e são elas o primeiro contato que o casal teve, mesmo antes de se conhecer pessoalmente. Algumas discussões sobre alma gêmea musical e sobre The Cure também dão o tom do filme, tudo de forma muito leve e divertida.

Lançado em 2008, filme e trilha refletem bem o que rolava na cena Indie naquela época, trazendo uma boa mescla do que de mais “fofo” era criado então: Takka Takka, Band Of Horses, Army Navy, The Submarines, Shout Out Louds e The Real Tuesday Weld. Até mesmo novidades mais Pop e animadinhas contribuíram para a trilha, como Devendra Banhart, Bishop Allen, The Dead 60’s e Vampire Weekend (que compôs Ottoman exclusivamente para o filme). Nomes importantes como Chris Bell e Richard Hawley completam a lista e a fazem completa, recheada de bons nomes que refletem muito bem o clima leve e romântico do longa.

Se você ainda não assistiu ao filme, saiba vale a pena. Ele de nenhuma forma vai mudar a vida, mas provavelmente irá te entreter por pouco mais de uma hora. E, assim como foi em Scott Pilgrim Contra o Mundo e Juno, um filme com o Michael Cera raramente tem uma trilha ruim.

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MARCADORES: Fora de Época

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts