Uma Segunda Chance para os Segundos Discos

Expectativas de uma obra igual a primeira pode ter afastado público destes álbuns ótimos

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Tem músicos que escolheram um estilo que gostam e decidem explorar essa sonoridade, o que não tem problema nenhum (assunto ao qual voltaremos ainda nesta semana no Monkeybuzz). Porém, alguns outros são artistas que precisam dar vazão à sua criatividade independente de aonde ela os levar. E isso está certo? Se perguntarmos para parte do público, é provável ouvirmos um enfático “não”.

É que não é difícil criar expectativas que um novo disco continue aquilo que tanto curtimos no primeiro. O anúncio de um segundo álbum gera a expectativa de “mais daquelas músicas”, não necessariamente “mais daqueles artistas”.

Certa vez, um músico me disse que se preocupa ao ver uma banda que faz o mesmo som há anos, porque, segundo ele, alguém que compõe com sinceridade teria em sua obra um reflexo das mudanças pelas quais sua vida passou – e ninguém é exatamente o mesmo por dois, cinco ou dez anos.

Reunimos alguns álbuns número dois que alguns dos ouvintes dos discos anteriores se recusaram a passar da primeira impressão. Saiba por que eles merecem uma segunda chance.

The Vaccines

.Come of Age

Lançado em 2012, veio com a – desculpe o trocadilho – expectativa de continuar o que o quarteto britânico começou em seu What Did You Expect from the Vaccines (2011). Só que esses ingleses amadureceram e decidiram sair um pouco do “mimimi” de coração partido pra falar de questões mais pertinentes com um som que também mostra mais experiência. Ainda é uma música bem jovial, mas nada é tão jovem do que crescer e mudar. Ponto pra The Vaccines.

Foster the People

.Supermodel

Não é difícil imaginar a decepção de quem esperava mais hits do calibre de Pumped Up Kicks e Houdini e se deparou com Pseudologia Fantastica e A Begginer’s Guide to Detroying the Moon – praticamente “anti-hits”. Uma vez que o desapontamento passou, fica a descoberta de uma obra conceitual, densa e cheia de conteúdo, com Coming of Age e Best Friend dando um tom Pop delicioso para a Psicodelia bem construída de Mark Foster e seus parceiros.

Apanhador Só

.Antes que Tu Conte Outra

A alegria de canções como Prédio e Vila do Meio-Dia ficaram no passado para dar lugar a músicas ruidosas e tensas que impressionam logo de cara, como Mordido, Despirocar e Lá em Casa Tá Pegando Fogo. É mesmo um contraste grande e pode assustar quem foi pêgo de surpresa. Uma segunda audição revela não só o valor que essas faixas tem, mas também músicas muito bonitas, como Cartão-Postal, e outras que agradarão em cheio o público do primeiro disco, como Não se Precipite.

Cícero

.Sábado

Não tem um hit como Tempo de Pipa, não tem uma candidata à favorita emocional como Açúcar ou Adoçante?, não tem as distorções que acompanham o refrão de Laiá Laiá. O que teve foi muita gente querendo um “mais do mesmo” e perdendo a chance de descobrir um álbum que se revela aos poucos e ganha mais e mais força (e emoção) a cada audição. Ouça mais uma vez e perceba o sorriso abrir à medida que Capim-Limão se desenvolve.

Two Door Cinema Club

.Beacon

A festa de Tourist History (2010) ganhou outros tons na segunda obra da banda irlandesa. As músicas aqui vieram menos festeiras, menos urgentes, com menos energia. Isso significa menor qualidade? Não mesmo, mas, como teve gente que esperava aquela empolgação toda, o disco ficou manchado com uma imagem de “menos agradável”. Coloque pra tocar aí de fundo enquanto você trabalha, estuda ou faz qualquer outra coisa pra ver como músicas como Sleep Alone funcionam muito bem.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.