Uma viagem pelo espaço com The Ventures

Disco é trilha sonora para um faroeste espacial

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Sabe aquele disco lançado há algum tempo que você carrega sempre com você em iPod, playlist e coração, mas ninguém mais parece falar sobre ele? A equipe Monkeybuzz coleciona álbuns assim e decidiu tirar cada um deles de seu baú pessoal e trazê-los à luz do dia. Toda semana, damos uma dica de obra que pode não ser nova, mas nunca ficará velha.

(The) Ventures In Space

Sinceramente, fico bastante empolgado com a possibilidade de uma viagem do homem ao planeta Marte em 2030 (segundos os planos divulgados pela NASA). A impressão que tenho do pouso da Lua, do ponto de vista de alguém que não era nascido na época e apenas leu e viu fotos do evento, é que as pessoas mergulharam, por um tempo, quando a lua ainda era mágica, em uma não literal viagem pelo espaço, o que deixou marcas visíveis até hoje em nossa cultura. É um marco próximo ao dessa magnitude que imagino que possa ocorrer daqui catorze anos.

Lançado em 1964, cinco anos antes da chegada da chegada da Apollo 11, mas cinco anos após a chegada do primeiro objeto humano encostar na superfície lunar (similar à nossa época, já que temos o robô Curiosity trabalhando em solo marciano neste exato momento), este disco de The Ventures é uma road trip espacial, retratando tudo o que se esperava e imaginava poder existir lá fora.

A imaginação do quarteto de guitarras se baseou em muita ficção científica: diversas faixas tem aquele gostinho de filme B com prazer culposo. Há ainda uma presença inegável dos faroestes espaguetes – e como não ter? Naquele mesmo ano Clint Eastwood estava com tudo em Por Um Punhado De Dólares, com Ennio Morricone sendo, bem, Ennio Morricone. Não é a toa que faixas da banda estão entre as músicas de Pulp Fiction, do diretor espagueteiro Quentin Tarantino – o mesmo que acaba de lançar um filme com composições de Morricone, aliás (apenas para completar o loop). Figuras de cowboys espaciais podem ter uma leitura infantil nos dias atuais, mas é exatamente a possibilidade de realização de sonhos precoces que alimentavam um período de galopante avanço tecnológico, e possibilidades infinitas é uma promessa difícil de não empolgar qualquer um.

É este avanço que parece guiar as experimentações do grupo estadunidense, que testou distorções para suas guitarras e ambientações que colaboraram para o surgimento do Space Rock. O sintetizadores, principais responsáveis pelo tal do “som espacial”, também soma ao clima taciturno de aventura, mantendo-se nos limites do Psicodelismo.

Ainda que seja um dos discos mais escondidos entre a discografia da banda, ele continua tendo seu merecido destaque exatamente por trazer tais inovações às faixas autorais e releituras. É um bilhete barato para uma viagem no tempo a um futuro nostálgico, um tanto mais simples e deliciosamente lúdico.

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ARTISTA: The Ventures
MARCADORES: Fora de Época

Autor:

Videomaker, ator e Jedi