Underground Vs. Mainstream

Por mais contradizentes que sejam, eles são dois lados de uma mesma moeda é a partir de um que o outro se sustenta

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A metáfora dos “dois lados da mesma moeda” nunca fez tanto sentido quanto quando é aplicada à discussão da Música Underground versus Mainstream. De fato, elas são a antítese uma da outra, mas também são os pontos extremos de um mesmo ciclo. Ele faz parte da Cultura Pop e, desde que a Mídia Cultural e a Indústria do Entretenimento se consolidaram, ele se tornou uma de suas engrenagens e conforme essa roda gira é impossível não gerar novas tendências e grandes expoentes dentro de uma determinada forma de arte (seja cinema, teatro, pintura ou o qualquer outra). É claro que com a música não seria diferente, afinal, ao mesmo tempo em que ela é uma arte, é também produto de entretenimento.

Mas, antes de “confrontarmos” esses dois lados, é bom deixar claro como funciona esse tal ciclo Underground/Mainstream. Pense nele como uma roda, em que o topo representa o máximo da popularidade que um gênero, artista ou cena pode chegar (Mainstream) e, do lado oposto, o mais obscuro e enclausurado dentro de um nicho que esse mesmo gênero, artista ou cena pode se encontrar (Underground).

Começando (sempre) de baixo, aquilo vai ganhando popularidade por determinado motivo (ou por um conjunto deles) até chegar ao ponto em que começa a penetrar a zona aonde pessoas influentes vão os notar e começar a difundir isso. A partir daí, o rumo é até o ponto máximo de sua curva, para depois perder novamente sua popularidade e voltar ao começo do ciclo. Isso pode levar décadas, anos ou, como podemos notar nos últimos anos com as hypes, alguns poucos meses, mas invariavelmente todos passarão por esse ciclo.

Ou seja, o que é popular hoje em dia (ou que foi em algum período) certamente não surgiu como um grande arrebatador de massas. Foi assim com Rock & Roll (bem como com suas diversas vertentes), Rap, Folk e outros tantos estilos que em algum momento atingiram a consagração popular. E vale ressaltar aqui que isso é extremamente saudável, pois sem esse ciclo não teríamos muito do que ouvimos hoje em dia. Uma vez que artistas não precisassem se renovar ou que o público não se cansasse de ouvir sempre a mesma coisa, os mesmos estilos do começo do século 20 ainda tocariam em tudo que é lugar.

Dando exemplos mais concretos disto, podemos citar o Grunge, estilo que começou nas pequenas casas de show em Seattle, no fim da década de 80, para se tornar o grande fenômeno cultural do começo dos anos 90 e depois voltar ao seu nicho. Britpop, a mesma coisa; Gangsta Rap, também. Esses e outros tantos gêneros cumpriram seu papel mercadológico em determinada época e voltaram ao estágio mais baixo do ciclo. O que não os impede de em algum momento voltar, pois muitos dos movimentos de apelidados como revival resgatam essas tendências e fazem esse ciclo se movimentar novamente – Post-Punk, Rock Psicodélico, R&B e outros tantos estilos que dominaram o passado voltam ao presente e saem mais uma vez do Underground para chegar ao Mainstream.

Uma vez deixado claro que tudo o que está hoje no topo foi originado em algum nicho, nossa discussão toma outro rumo e foca agora na fervorosa discussão: “Mainstream versus Underground”. Bom, muito do que toca hoje está no topo (no Mainstream), realmente não é apelativo a mim, mas me parece no mínimo hipócrita contestar quem ouve dizendo que aquele não é “o real [insira um estilo]” ou que não há profundidade naquelas músicas ou ainda que aquilo seja música para vender (esse talvez o argumento mais ingênuo, ainda mais quando estamos falando de um Mercado Fonográfico).

Cada um tem seu gosto e nem todo mundo está interessado (às vezes até você mesmo) em letras profundas, arranjos bem trabalhados ou se aquele grupo tem um apenas séquito de fãs, às vezes as pessoas só querem uma melodia fácil, um refrão pegajoso ou qualquer coisa que seja divertida de se ouvir. Seja com filmes, TV, livros ou que for (às vezes até mesmo com a música) é bem possível que você queira a mesma coisa, apenas relaxar e se divertir um pouco. Para mim, às vezes é muito mais divertido assistir um episódio de Family Guy do que um documentário qualquer History Channel, por exemplo.

Voltando ao mundo musical, é claro que aqui estou generalizando o que acontece no Mainstream como músicas fáceis – e por mais que generalizações facilitem a compreensão geral, elas excluem muitos casos -, mas, para uma análise mais ampla, essa simplificação pode nos ajudar bastante. Muito do que alcança grande popularidade é de fato mais simples e demanda menos dedicação e atenção por parte do ouvinte. Porém, ser fácil ou popular não diminui necessariamente a qualidade da música, assim como o contrário também não é uma verdade absoluta – fazer música difícil, ao ponto de ninguém entender, também não é um mérito algum.

Um caminho natural rumo ao Mainstream é subtrair (simplificar) a fórmula original de um gênero para facilitar a audição e, é claro, vender mais. Mesmo um determinado gênero, como Pop por exemplo. Por mais facilmente deglutível que o gênero tenha se tornado nas últimas décadas, ouvir Rihana, Justin Timberlake ou Britney Spears não é a mesma coisa que ouvir Young Wonder, Chlöe Howl ou Dan Croll – artistas que mesmo fazendo músicas Pop tentam levar o gênero a outro lugar e não só pegar as maiores tendências dos anos anteriores e tentar transforma-las em hits. Isso basicamente acontece com todos os gêneros que se tornam populares e é daí também que vem a máxima de que música de mainstream “é ruim”. Bom, se ele está lá é por que muita gente gosta e acha aquilo bom (mesmo que você não concorde, elas tem seus méritos – seja a acessibilidade ou uma grande gravadora por trás).

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts