Viaje em Cultura e Subcultura com “Trainspotting”

Com a ajuda de uma poderosa trilha-sonora, o diretor Danny Boyle montou o retrato das juventudes dos anos 80 e 90 ao revelar o seu rico e pop repertório musical

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A subcultura do Reino Unido no fim dos anos 80 foi impressa em filme por Danny Boyle com seu Trainspotting (1996) com a ajuda de uma interessante trilha-sonora que parece preencher a vida sem sentido dos viciados em heroína retratados na trama.

Passada em Edinburgo, a história narrada por Renton (Ewan McGregor) mostra um grupo de dependentes químicos que escolheram viver assim ao invés de ter uma vida convencional (com carreira, casamento, etc). Embora o diretor não tenha tido o menor medo de usar várias pirações visuais para mostrar as diversas sensações que os personagens vivem durante a narrativa, é a presença marcante da música que guia o espectador pela experiência do filme.

Canções como Lust for Life de Iggy Pop (a do trailer), Sing do Blur e o New Order com Temptation soam muito diferentes entre si, mas fazem parte do mesmo repertório de quem analisava no meio dos anos 90 o que era a vida do jovem de classe baixa no período pós-Thatcher, uma vibe parecida com o que o Grunge tinha acabado de ser nos Estados Unidos ao refletir o tédio de toda uma geração.

É com Lou Reed cantando a balada Perfect Day, o Pulp com Mile End ou a faixa-título nas mãos da escocesa Primal Scream fazendo sua psicodelia que se faz um panorama do que alimentou a mente do jovem que agora via, simultaneamente ao lançamento do filme, o auge do Britpop – que ganhava o mundo principalmente com o Oasis.

A pluralidade dos sons na trilha de Trainspotting abraça a diversidade cultural no repertório da juventude britânica na hora de retratar justamente sua subcultura. É um filme sujo e denso, mas incrivelmente pop por tocar a música que as gerações na época mais ouviam no momento e antes – uma trilha tão icônica quanto o filme veio a ser para a História do Cinema.

Iggy PopLust for Life

Primal ScreamTrainspotting

PulpMile End

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.