Você conhece o Grizzly Bear?

Saiba porque você deve escutar esta distinta banda de Folk, ao mesmo tempo que se prepara para o novo disco que vem aí.

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Poucas bandas compartilham uma história tão única quanto a Grizzly Bear. Ed Droste, vocalista e guitarrista, a iniciou sozinho e escreveu todas as músicas do primeiro disco do grupo,Horn Of Plenty, em seu quarto. Como um trabalho solo, mas todo orquestrado, Ed precisava de músicos para realizar os shows e logo se juntaram a ele dois colaboradores do disco, Christopher Bear e Chris Taylor. No início da primeira turnê da banda, Daniel Rossen também se juntou à trupe, fechando assim o que hoje conhecemos como Grizzly Bear.

O primeiro disco choca não pelo simples fato de ter sido feito por Droste praticamente sozinho, mas pela sua beleza e intimidade. Com um estilo próprio de música, uma mistura de Lo-Fi com Folk e certas doses de Psicodelia, em canções muito viajadas que lhe fazem pensar na vida e no ambiente ao seu redor, o grupo surgiu como um fenômeno único e isolado. Mas, para explicar essa “unicidade”, devemos primeiro entender o próprio Folk.

Como o próprio nome diz, o estilo tem a ver com folclore ou a cultura popular a qual representa uma identidade social baseada nos costumes e tradições. O folclore existe e se propaga através mensagens, histórias as quais são transmitidas das mais diversas formas, dentre elas, a musical. O Folk compartilha a mesma ideia ao transmitir relatos do cotidiano através de letras e uma ambientação musical normalmente ligada a vocais harmoniosos e instrumentos caracteristicos. O estilo como conhecemos, está sempre muito ligado ao violão, pois os principais nomes do gênero, como Bob Dylan, começaram através do instrumento acústico. Entretanto, quando nos aprofundamos mais no assunto, podemos nos deparar com guitarras, baixos, baterias e todo o tipo de equipamento sonoro que possa contribuir para o ambiente da história sendo contada. É ai que entra o Grizzly Bear.

Em Fix It, música do primeiro disco, temos uma letra abordando algo que sempre precisa ser consertado: o carro, o coração, os sentimentos. O ambiente criado pela instrumentação para indicar que algo está errado e precisa ser reparado é feito de forma magistral com um baixo repetido e uma bateria que remete ao som de uma obra acontecendo. Sem mesmo o ouvinte precisar entender a letra, ele pode perceber que algo está sendo mudado. Como poucas bandas, ela consegue transformar o que está acontecendo ao redor de quem a escuta, seja no trânsito, caminhando ou simplesmente aproveitando a música, com sua atmosfera onírica e sonhadora.

Quando lançou o seu segundo disco, dessa vez gravado na casa da mãe de Ed, a Yellow House do título, a banda alcançou patamares mais elevados de composição e produção. Por exemplo músicas como Merla, uma canção densa e pesada com instrumentos desconexos que tem em sua letra um poema da tia de Ed e consegue capturar o ar antigo e o espírito do texto, e Lullabye, com vocais harmoniosos em uma música que leva ao ouvinte a beira de um rio, jogando pedras na água e vendo ondas sendo criadas. Do meio para frente, esta faixa cresce de uma forma na qual consegue-se enxergar de verdade os ótimos músicos que estão por trás da banda.

Sempre carregada dessa atmosfera Folk viajante, a Grizzly Bear conseguiu em seu terceiro disco, Veckatimest, alcançar o grande público com uma obra muito mais acessível. Independente de ter ou não aspectos mais Pop, ainda sim é um disco típico da banda, com músicas atmosféricas tanto em letras quanto em orquestração. Em Two Weeks, um de seus grandes sucessos, podemos ver como as vozes do grupo são um grande diferencial. Nela, temos de forma mais tangível os aspectos oníricos que caracterizam seu trabalho. Fine For Now é uma canção incrivelmente bela, com instrumentos sendo adicionados aos poucos e um prato de bateria que ecoa os sons do mar. Tudo isso traz a atmosfera de alguns viajantes navegando por águas inóspitas, e mais uma vez o som da banda permite o ouvinte viajar de forma estática.

Seu quarto álbum, Shields, será lançado agora em setembro com a grande expectativa de seguir os passos de Veckatimest e ser mais um disco de fácil acesso. Entretanto, considerando toda a discografia da banda, podemos esperar uma obra ainda mais elaborada e bem produzida, participando da evolução sem fim que a banda vem fazendo ao longo dos seus trabalhos. Shields é portando um dos lançamentos mais aguardados do ano por nós.

Compartilhando mensagens e ambientes diversos, o folclore da banda é propagado de forma única, formando aquilo que hoje facilmente assimilamos como algo típico do Grizzly Bear. Um bom exercício para quem desconhece seu som é escutar algum de seus álbuns no momento certo para poder deixar os seus pensamentos fluirem como a música permite. Yellow House é um disco mais diurno, sendo apropriado para quando você está indo para a faculdade ou trabalho logo cedo. Já Horn Of Plenty é mais vespertino, sendo perfeito para um belo pôr-do-sol. As figuras de Veckatimest são noturnas, com semáforos acesos, faróis ligados e prédios iluminados. Obviamente, essa é uma visão pessoal que, com certeza, não será a mesma para cada pessoa que escutar a banda, e talvez isto seja o fator que realmente torne-a tão especial em um estilo tão abrangente quanto o Folk.

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ARTISTA: Grizzly Bear
MARCADORES: Redescobertas

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.