Young Turks e a inovação britânica

Nascida como braço do XL Recordings, o selo tem entre seus maiores nomes o The xx e outros tantos como El Guincho, Chairlift, SBTRKT e tantos outros

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Nascido como um grupo de três jovens londrinos, entre eles o cabeça Caius Pawson, que em 2006 começou a promover shows, festas e casas noturnas do centro londrino, o que mais tarde viria a se tornar o selo Young Turks, no começo realizava tarefas bem diferentes das que faz hoje em dia. Naquele mesmo ano, eventualmente, uma das festas realizadas pelo grupo saiu de controle e o que Pawson e seus amigos começaram estava arruinado, os deixando com alguns processos e uma dívida que os fizeram encerrar suas atividades como promotores da vida noturna da cidade. Felizmente, Richard Russell (dono da XL Recordings) o chamou para trabalhar com ele e como o próprio Caius disse em uma entrevista, “o resto é história”.

Nascido como um selo afilhado da XL e afiliado a gigante a Beggars Group, a pequena empresa nasceu já com o respaldo de uma multinacional e nos últimos anos fez descobertas incríveis, entre eles os The xx. O mais interessante ao se observar o seleto grupo de artistas que já tiveram suas obras impressas pelo selo, não há claramente uma linha que possa ser traçada para agrupar todos, seja em um gênero, cena, localidade ou que quer que seja. O maior ponto em comum e premissa para a escolha de Pawson é a inovação, independente de todos esses fatores já citados anteriormente.

É claro que o maior sucesso, de longe, foi o trio The xx e seu disco homônimo ganhador de um Mercury Prize em 2010, mas além de Romy, Oliver e Jamie o selo tem muito mais o que oferecer, alguns nomes não tão conhecidos quanto outro, mas todos pautados nessa inovação que Caius tanto prima em seus artistas.

Por mais que ao se analisar o todo não haja grande homogeneidade no catálogo do selo, ao dividi-lo em microgrupos, pode ser que facilite a compreensão não só estilística, mas também cronológica da evolução da Young Turks.

Pop Avant-Garde

No meio termo entre a Música Pop e Experimental, estas duas bandas são destaques mundiais quando se trata do gênero. O produtor espanhol Pablo Díaz-Reixa, mais conhecido como El Guincho, incorpora em sua música elementos de Afrobeat, Dub, Tropicália e Rock & Roll e o resultado disto tudo pode ser visto em seus dois álbuns, Alegranza (2008) e o ótimo Pop Negro (2010). Já o Gang Gang Dance mistura ao Pop tendências mais Psicodélicas e batidas tribais. O resultado é um frenético compendio de sonoridades vindas dos quatro cantos do mundo regadas de tons lisérgicos. Apesar da passagem curta do grupo pelo selo, o tempo passado lá rendeu um EP muito interessante.

Música Eletrônica

O time de produtores está bem servido também. Um dos maiores destaques de 2010/21011, o DJ inglês e mascarado SBTRKT fez seu nome na época por seu misto entre Future Garage, Post-Dubstep e Indie Pop que gerou um dos melhores discos de 2011, o SBTRKT, lançado em junho daquele ano. O produtor espanhol John Talabot também está no seleto time de produtores do selo. Com seu Synthpop sinestésico, o músico lançou um belo exemplar do estilo no começo do ano passado, o ótimo ƒIN. Apesar de trabalhar mais com remixes, Jamie XX (membro do The xx) também assina algumas produções, entre elas a do álbum We’re New Here feito em pareceria com Gil Scott-Heron.

Indie Pop nova-iorquino

Mesmo que sediada na capital da terra da rainha, o selo também tem olhos para sua antiga colônia e de lá traz um pouco do Indie Pop com selo exportação. Vindos do Broollyn, bandas como Chairlift e Tanlines são a linha de conexão via-Atlántico.

Singer-songwriters

Transitando entre o Pop, Rock e Folk a dupla de cantores e letristas Jack Peñate (seguindo um caminho mais Pop/Rock) e Kid Harpoon (Rock/Folk) alcançou certo sucesso entre 2007 e 2009. Mesmo que sumidos por um tempo desde o lançamento de seus mais recentes álbuns (ambos em 2009), os dois cantores ensaiam uma volta.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts