Exclusivo: DJ Guerrinha lança o EP “Estações Esquerdinhas”

Em entrevista ao Monkeybuzz, o produtor carioca revelou seu desejo de ter criado um disco “estupidamente discotecável”. Ouça!

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Fotos: Thiago Rebello

Em 2006, o carioca Gabriel Guerra lançou mão do programa Guitar Pro e, corajosamente, subiu o resultado dessa aventura no antigo site MySpace. De lá para cá, muita coisa mudou em termos de profissionalização, mas esse vigor independente ainda pulsa nas veias do jovem artista. Há seis anos, por exemplo, ele juntou-se ao seu amigo Lucas de Paiva para criar o selo 40% Foda/Maneiríssimo para poder jogar no mundo as composições que criavam em dupla. Nessas idas e vindas, ele ainda passou por bandas “reais”, como ele gosta de denominá-las. A experiência mais exuberante, provavelmente, é a sua participação na Séculos Apaixonados que, depois de cinco anos de vida e brilho, encerrou sua trajetória em maio deste ano.

Sua flexibilidade enquanto músico e pluralidade enquanto artista não o permite parar, no entanto. É por isso que sob mais um de seus tantos pseudônimos, ele renasce DJ Guerrinha, com seu novo EP Estações Esquerdinhas, lançado com exclusividade aqui no Monkeybuzz. “Esse EP, na verdade, foi a primeira vez na vida que eu decidi fazer algo que eu pudesse tocar nos meus DJ sets”, diz o artista cada vez mais inserido na cena eletrônica. “Em meu aniversário de 25 anos, fui discotecar e percebi que nada funcionava totalmente ‘na pista’. Mesmo amando House desde muito jovem, aquilo não rolava. A partir daí, fiquei obcecado em fazer um disco estupidamente discotecável.”

2019 é ano de transformações importantes para Guerrinha. Se seu último lançamento Wagner (2018) se debruçava sobre os sons que ele ouviu durante a infância, Estações Esquerdinhas fala do agora. Momentos singelos e cotidianos como viagens de metrô entram em cena: cada uma das quatro faixas de Deep House que listam no EP tem o de alguma estação de trem muito frequentada pelo DJ. Na “Estação Cidade Nova”, ele já resolveu burocracias na prefeitura, na “Estação Praça Onze”, tratou de pendências jurídicas e nas “Estação Cinelândia” e “Estação Uruguaiana” visitou amigos em suas lojas e bares. “Eu estou toda hora no transporte público. Talvez, essas paradas sejam os lugares em que eu mais me sinto confortável. Elas indicam que estou ‘em trânsito’, indo para algum lugar. O momento que antecede o destino e acaba sendo mais interessante que ele”, confessa.

O Rio de Janeiro está intrinsecamente ligado ao trabalho de Guerrinha. De alguma forma, sua relação com a cidade sempre acaba transparecendo em suas músicas. Como produtor, seu mérito está em criar vínculos com os lugares por onde passa através de melodias. “Tendo a passar horas no Google Maps vendo os arredores dos locais nos quais meus discos favoritos foram feitos. Provavelmente porque, talvez, o café da manhã que a pessoa em questão tomou naquele fatídico dia em que ela foi genial tenha sido mais importante que o instrumento que ela empunhou em estúdio.”

“Todas as vezes que criei expectativas, me frustrei: seja com bandas, projetos ou selo”, relembra o músico a respeito da repercussão que o EP pode vir a ter. “É um trabalho mental de evitar pensar nisso. Não vou dizer que é fácil, porque quem cria alguma coisa fatalmente está botando o seu na reta. Mas, tentar se satisfazer só com a pura existência da criação talvez seja o primor da minha vida.”

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