Linha do Equador

Exclusivo: novo disco do duo Antiprisma prova que o trabalho do grupo vai muito além do Folk. Ouça “Hemisférios”

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Hemisférios. Não foi à toa que o segundo álbum do duo Antiprisma recebeu um título no plural. Fruto de processos de amadurecimento e de experimentações, o disco expande o trabalho de Elisa Moreira Oieno e Victor José para continentes além do Folk – gênero pelo qual o projeto ficou conhecido. Com novos horizontes em vista, as classificações anteriores dão cada vez menos conta de definir seu som.

“Folk é um termo que, no Brasil, foi assimilado de um jeito muito amplo”, comenta Victor, ao que Elisa complementa “virou sinônimo de ‘acústico’”. Segundo os dois contam, esse estilo nunca foi o único por trás de sua estética. “Sempre teve uma influência direta e indireta de coisas como Clube da Esquina, essa vibe setentista e sessentista”, comenta Victor. “Com o tempo, a gente foi dando abertura para outras influências que tivemos ao longo da vida, mas que não tinham espaço ainda no Antiprisma, como o Pós-Punk naquela fase de Cocteau Twins e Bauhaus.”

Elisa comenta que essas orientações “sempre estiveram lá, mesmo nas músicas acústicas” – que tinham afinações inspiradas por Sonic Youth, como revela Victor. Hemisférios teve exatamente como objetivo dar abertura para que os dois trabalhassem também esse seu outro lado mais elétrico. Daí, inclusive, a dualidade presente no título: Antiprisma é elétrica e é acústica, é nostálgica e é contemporânea, é ela e é ele.

“A primeira vez que a gente ouviu todas as faixas na sequência, a gente falou ‘nossa, que disco estranho’ (risos)”

“São duas partes que se completam, tipo um yin yang”, nas palavras de Elisa. “A gente viu que as composições eram metade o que a gente já vinha desenvolvendo e, a outra metade, essa nova experimentação, com mais elementos e mais peso”, como explica Victor. As invencionices no estúdio resultaram em uma obra que comunica a vontade que os dois têm de explorar sonoridades que amparam suas letras e composições, de acordo com o que elas pedem. “Até loops nós pudemos usar pela primeira vez!”

O ouvinte logo nota uma cadência muito particular no álbum, como se Hemisférios não tivesse pressa em se desenrolar – as vozes só entram após quase dois minutos de instrumentação na abertura. “A primeira vez que a gente ouviu todas as faixas na sequência, a gente falou ‘nossa, que disco estranho’ (risos)”, relembra o músico, “é aquele tipo de álbum que você vai ouvir duas ou três vezes e vai perceber mais coisas ali”. Com tanto na bagagem, Antiprisma cruza seu Equador sonoro para visitar violões aqui e guitarras ali. Como Elisa sintetiza: “Sem querer, a gente fez um disco do jeito que a gente gosta”.

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ARTISTA: Antiprisma

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.