Sui Zhen, Anthony Naples, Shannon Lay, Fire-Toolz e mais…

Monkeyloop Retrospectiva Internacional, 2019 (Parte III)

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No último mês do ano, o Monkeyloop muda de cara. Agora, para além de ser um apanhado do que passa pelos ouvidos da redação do Monkeybuzz, ele torna-se temporariamente uma retrospectiva dos lançamentos internacionais deste ano sobre os quais não falamos até então, mas que, ainda assim, merecem a sua atenção. São dez discos por semana: anote!

MIKE – Tears of Joy

Para os fãs de Earl Sweatshirt e Milo, a mixtape Tears of Joy, sexto lançamento do jovem rapper nova iorquino MIKE, é uma aposta certeira. Dono de um flow “desconjuntado”, uma produção bastante heterodoxa (às vezes bastante Lo-fi e Experimental) e um uso interessante de samples, o músico cria com sua lírica bastante surreal algo extremamente psicodélico, quase letárgico. Entre o sonho e o pesadelo, o emocional registro de MIKE não só entretém, como também emociona. (Nik Silva)

Telefon Tel Aviv – Dreams are not enough

Há mais de dez anos, TTA já foi um projeto de Charlie Cooper e Joshua Eustis, até que em 2009 Cooper faleceu e o projeto ficou parado desde então. Durante essa década, Josh lançou uma série de projetos (Sons Of Magdalene e Second Woman), além de se envolver em produções de nomes como Nine Inch Nails e Apparat. Dreams are not enough marca o retorno do projeto criado a partir só de um dos polos originais, além de toda a experiência conseguida por Eustis nesses anos. Através de mais de 50 minutos, a obra consegue guiar o ouvinte por uma bela jornada que passa muito pelo Ambient, mas também visita o Synth Pop e Industrial Techno – algo que pode agradar os fãs de Apparat e Clark. (Nik Silva)

Anthony Naples – Fog FM

Dê o play e esqueça o conceito de “disco” por uma horinha: Fog FM é um set caprichadíssimo que Anthony Naples preparou para fãs de Techno e de House. Sua duração é uma volta inteira dos ponteiros no relógio, tempo de sobra para qualquer amante desses estilos ter uma experiência imersa nessa vibe. O conceito do rádio, expresso no título, tem muito a ver com essa atitude de colocar a obra para tocar e deixar que o repertório faça seu trabalho de guiar nossa audição. (André Felipe de Medeiros)

Palehound – Black Friday

Os fãs de Soccer Mommy, Girlpool e Lomelda têm mais um disco para curtir por uma temporada inteira – seja o tempo de cura de um coração partido ou aqueles dias que você tira para entrar em contato com sua melancolia. Em seu terceiro álbum, a banda de Ellen Kempner traz as emoções comuns no encontro do Rock Alternativo com o Bedroom Pop, de baladas como “Killer” à energia de “Stick N Poke”, passando pela vibe nostálgica (e sempre bem-vinda) de “Aaron”. Destaque para “Where We Live”, que surpreende com um Spoken Word bem diferente do restante do álbum, mas sem perder a identidade da obra ou da banda. (André Felipe de Medeiros)

Fire-Toolz – Field Whispers (Into the Crystal Palace)

O conceito é fazer música como uma consciência encarnada em um corpo não-binário nos dias de hoje. A estética é combinar o Vaporwave com vocais guturais e uma alta dose de experimentalismo. Ou seja, Fire-Toolz dialoga sobre o mundo que observa e interage com seus elementos da mesma forma, sejam eles um e-mail ou uma paisagem natural – tudo sob estilos quase polarmente opostos. Há estranhamento de sobra para quem curte ouvir um som desafiador e rico em detalhes, e todo um clima de trilha de videogame muito bem feita para quem curte essa proposta. (André Felipe de Medeiros)

Sui Zhen – Losing, Linda

Em um diálogo impressionante com sonoridades contemporâneas, a cantora, compositora e produtora australiana visita um dos estados de sensibilidade mais naturais da experiência de estar vivo: aquilo que acontece após o luto. “It’s a natural progression/I’m moving through”, Sui canta em meio a camadas volumosas e batidas bem marcadas, trazendo uma grande vulnerabilidade emocional para um terreno Eletrônico que flerta com o Dance. Evocando de Björk a Grimes, a artista impressiona com um vocal característico e uma enorme fluência de uma linguagem nem tão Pop, muito menos Experimental, mas sempre cheia de originalidade. (André Felipe de Medeiros)

Ty Segall – First Taste

Ao invés de optar pela mesma linha, Ty Segall deixou sua guitarra elétrica de lado, se permitindo brincar agora com sintetizadores, bandolins, sinos e instrumentos de cordas japoneses. Mas não se engane: uma vez que você é conhecido como um “rockeiro” de garagem, qualquer instrumento em sua mão soa como uma guitarra. Mesmo que First Taste seja simples e arrastado em alguns momentos, o registro é uma prova de que Segall se sente livre para se divertir e ultrapassar limites. Esse espírito mantém o álbum saudável, vale a pena ouvir. (Ana Laura Pádua)

Joan Shelley – Like the River Loves the Sea

O quinto álbum solo de Joan Shelley chega com a promessa de calmaria e te dá a chance para se afastar do caos persistente do cotidiano. A música da artista é Folk, mas desta vez explora também a comunicação consigo mesma em um lugar vazio, a paz e o poder da sensação de quietude. A maneira como o som de Shelley e seus colaboradores de banda se entrelaçam é bonito de ouvir. Destaque para as faixas “Cycle” e “Haven”. (Ana Laura Pádua)

Blacks’ Myths – Black Myths II

O duo de Washington D.C tenta se desvincular de qualquer gênero em Black Myths II ao não recusar o experimentalismo em prol do seu discurso. Jazz, Noise e acima de tudo Punk, o segundo disco da banda não tenta soar delicado ou ao menos convidativo, mas sim agressivo, dialético e verborrágico ao extremo. Não tente achar que seu envolvimento aqui pode ser pela metade, para entender o projeto é necessário entrar de cabeça em suas letras: a questão racial aqui é colocada como a figura central dentro da história dos EUA e o trabalho é dividido em 4 monólogos explorados de diversas maneiras sonoras. Potente e necessário, sobretudo ao entender seu contexto e origem na capital dos EUA. (Gabriel Rolim)

Shannon Lay – August

Shannon Lay faz um bom trabalho ao pontear opostos com seu Folk. Neste que é o seu primeiro disco solo pela Sub Pop, há algo de sombrio por trás de suas letras mais solares. Com isso, quero dizer que há estofo simbólico nos momentos escolhidos por ela para serem descritos em suas ótimas e bem produzidas canções. Ao mesmo tempo em que ela parece estar perdida, sem entender nada, há ternura em sua sonoridade: um contraste útil e importante para os ansiosos de plantão. (Pedro João)

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