Teejayx6, Félicia Atkinson, Moodymann, Kelsey Lu e mais…

Monkeyloop Retrospectiva Internacional, 2019 (Parte II)

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No último mês do ano, o Monkeyloop muda de cara. Agora, para além de ser um apanhado do que passa pelos ouvidos da redação do Monkeybuzz, ele torna-se temporariamente uma retrospectiva dos lançamentos internacionais deste ano sobre os quais não falamos até então, mas que, ainda assim, merecem a sua atenção. São dez discos por semana: anote!

Ariel Zetina – Organism

Há algo de aquático no Techno feito por Ariel Zetina. A produtora passou a vida perto da água: primeiro no mar da Flórida e agora nos lagos de Chicago. Isso sem falar em suas raízes de Belize, na América Central: um país tomado por praias paradisíacas. Assim, esse universo cheio de água se revela na música eletrônica repleta de loops vocais da artista. Assim, o resultado é um Techno sem porrada, que vai construindo tudo aos poucos e com leveza, na contramão do que é garantia de sucesso nas boates. Um caminho mais difícil, mas que compensa. (Pedro João)

Leif – Loom Dream

Loom Dream é o terceiro álbum de Leif Knowles, mas o primeiro composto inteiramente pela música Ambiente. A essência explorada aqui é a natureza – todas as faixas recebem títulos de plantas e ervas, como “Borago”, “Murta” e “Yarrow”. Inclusive, essas seis músicas são interligadas por cantos de pássaros, passos, som do vento, dando a sensação que é apenas uma. Leif nos convida lindamente a reconectar-se com a paz do universo dos seres vivos. (Ana Laura Pádua)

Moodymann – Sinner

Na moral: se você gosta de House, tira um tempo para ouvir esse disco. Cada uma das faixas foi pensada meticulosamente do começo até o fim. A riqueza, para além das batidas (igualmente inteligentes), está nos detalhes, nos samples, nos inserts… No desenvolvimento das músicas, passamos por diferentes ambientes e vivemos uma experiência de House imersiva: é uma viagem. Tem que escutar! O retorno deste genial produtor de Detroit merece seus ouvidos. (Pedro João)

Haviah Mighty – 13th Floor

13th Floor é o primeiro disco completo que a rapper canadense Haviah Mighty lança. Trata-se de um exercício lírico com batidas densas e agressivas que não se contrapõem em momento algum ao conteúdo de suas rimas. Focada em questões raciais e de gênero, a cantora sabe utilizar seu discurso de maneira ampla e direta – ela não deixa a peteca cair em nenhum momento e soa como uma gangster a todo momento. Ao mesmo tempo, sabe dosar a potência disso tudo em circunstâncias menos explosivas. Destaque para “In Women Colour, Waves” e a inesperada, feita para as pistas de dança atuais, “Wishy Washy”. Surpreendente, Haviah é daquelas artistas que a trajetória deve se tornar meteórica em um curto espaço de tempo. (Gabriel Rolim)

Kelsey Lu – Blood

Blood é o disco de estreia da violoncelista Kelsey Lu, musicista que traz na bagagem treinamento da música clássica, mas que sabe dar temperos bastante modernos à sua obra. As canções até guardam um pouco do Chamber-Folk presente no primeiro EP da jovem artista, mas é muito mais que isso: é como se nomes como Solange, King Krule e Florence and the Machine, se encontrassem para criar algo inspirado em Arthur Russell. Uma mistura e tanto que cozinha lentamente e apresenta belíssimos sabores no final. (Nik Silva)

Quelle Chris – Guns

Às margens de uma cultura que glorifica a violência, o rapper radicado no Brooklyn constrói uma obra que exala crítica sócio-política. Se aproveitando de metáforas agressivas, Quelle Chris soa ora sarcástico, ora bastante nervoso (o que gera os melhores momentos do disco, como “Straight Shot”). Guns é um trabalho que sabe usar sua sonoridade bastante preenchida, muitas participações e o dinamismo de faixas curtinhas em meio a músicas mais longas para embalar o ouvinte por um panorama de um contexto pós-Obama nos EUA experimentado por uma minoria. (André Felipe de Medeiros)

Joel Ross – KingMaker

Joel Ross tem apenas 23 anos. Mesmo assim, já conseguiu se transformar em uma das presenças mais procuradas no cenário de clubes de Nova York. O responsável pelo vibrafone e sua banda fizeram dez músicas que fluem na tradição do Post-Bop – são estimulantes, líricas e aguçadas. Embora influenciadas por elementos da música contemporânea, o maior destaque fica com as que brincam com raízes clássicas do Jazz. (Ana Laura Pádua)

Ultramarine – Signals Into Space

O duo britânico Ultramarine está na ativa há nada menos que 30 anos. Mesmo depois destas três décadas de carreira, o som produzido por Paul Hammond e Ian Cooper continua inclassificável. As referências vão de um mix de gêneros eletrônicos (Techno e Ambiente, principalmente) ao Soft Jazz, passando pelo Rock Progressivo no caminho. Signals Into Space é uma das mais belas representação dessa mistura inusitada. (Pedro João)

Félicia Atkinson – The Flower and the Vessel

The Flower and The Vessel é uma viagem sonora flutuante que explora tonalidades e ambiências em favor do ouvinte – por vezes perdido e absorvido em diferentes texturas. O uso da voz de Félicia Atkinson é feito através de métodos poucos usuais e muitas vezes ambíguos – não sabemos se o que é cantado tem algum valor lírico além do som, mesmo que seja um sussurro ou um ruído: a exploração de timbres em loops em textos confusos é intencional para sempre contrair o ouvinte e expandir sua exploração sonora. Ela, a voz, é talvez o elemento mais importante do registro. A intimidade que criamos com Félicia é quase angustiante, parecemos nos aproximar e paradoxalmente nos distanciar cada vez mais de seu personagem. Um trabalho para se ouvir de olhos fechados e imaginar novos espaços a serem explorados nessa trilha sombria. Experimental ao extremo e bastante original, o LP desafio gêneros e não tem amarras. (Gabriel Rolim)

Teejayx6 – Fraudulent Activity

Umas das novidades do Rap em 2019 foi o “Scam-Rap”, em que os artistas detalham como conseguem dinheiro através de golpes, os mais variados deles. O jovem rapper de Detroit, Teejayx6, é um dos nomes mais proeminentes desse gênero e a mixtape Fraudulent Activity foi só um dos destaques de seus lançamentos neste ano (tendo lançado mais alguns registros durante os últimos 12 meses). Em sua obras, o músico descreve com bastante minúcia e com uma verborragia eloquente como consegue roubar dinheiro dos outros para conseguir viabilizar suas produções. (Nik Silva)

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