Ouça: Hjaltalín

Da gélida Islândia, vem uma banda cujo som de primeiríssima qualidade surpreende a cada audição

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Essa recomendação chegou pra mim há uns bons meses. Ouvi uma música e fiquei intrigado com uma sensação de que eu encontraria coisa boa se eu fosse atrás. Fui e deu no que deu: Hjaltalín (pronuncia-se “rialta-lin”) tá aqui no Ouça e eu tô fascinado com a banda em vários aspectos, e é sobre eles que eu vou te contar nas próximas linhas.

Em primeiro lugar, pra mim, toda banda que não tenta se enquadrar em um determinado estilo, mas faz um som bom demais acima de qualquer caracterização objetiva, já chama mais a atenção. Em seu mais recente álbum, Enter 4 (2013), cada música é bem diferente uma da outra, sem se preocupar em ser mais isso ou mais aquilo, mas estão todas bem costuradas e emendam super bem.

Daí, rolam pequenas maravilhas como esta:

E se você não pegou, vou te contar agora o segundo motivo pra Hjaltalín ganhar meu coração: Letras de uma poesia muito interessante, com uma pegada super humana, super sincera, geralmente sobre coisas que nem todo mundo verbaliza, mas sensações que conhecemos bem. Nessa última, o destaque vai para: “I found love in myself, so someone could love me back, but I don’t see that anybody’s loving me like me”.

Esse teor continua em exemplos como “Care for a lie? I know that you are mine. In my sleep, there’s a chance you’ll be in my sleep” (I Feel You) e “Use you and your tears to brush my heart and all of this, so I, I could be myself” (Myself, um relato “sem vergonha” da vontade de fazer sexo casual com alguém por motivos 100% egoístas). É um nível de intimidade escancarada muito bem vindo.

E se você não estiver no clima pra tanto “dedo na ferida”, tudo bem. As coisas mais leves são completamente agradáveis, como Crack in a Stone.

Mas essas são só as músicas do último álbum, em uma discografia que possui três obras. A banda surgiu em Reykjavík, capital da Islândia, em 2004 e já teve várias mudanças na formação desde então, o que reflete também as mudanças no som. Por exemplo, o hit Goodbye, July / Margt að ugga, que projetou o grupo ao sucesso em seu país natal, tem uma construção feita em cima de muito mais timbres do que os usados na maioria das músicas de Enter 4, e uma urgência na composição que não se vê também nas novas músicas.

Como eu disse antes, essa variedade anima na hora de ouvir seus discos, porque isso nunca fica cansativo. O primeiro, Sleepdrunk Sessions (2007), saiu meses antes de seu conterrâneo e contemporâneo Með suð í eyrum við spilum endalaust, da banda Sigur Rós, com a mesma pegada do uso de timbres orgânicos em músicas que vão da tensão à contemplação facilmente.

Outra coisa que, convenhamos, é muito legal é a raiz cultural que a banda mostra, na qual elementos do design contemporâneo se misturam com o folclore do extremo norte da Europa e os dois convivem em um casamento que, pra nós daqui, parece super exótico.

Hjaltalín segue firme na divulgação de Enter 4 e da trilha sonora do filme Days of Gray, que estreia agora no fim do mês nos cinemas europeus. Daqui deste lado do mundo, fica a chance de conhecer uma banda de som de primeiríssima qualidade, tão profundo quanto agradável e capaz de te acompanhar qualquer seja seu humor.

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ARTISTA: Hjaltalín
MARCADORES: Ouça

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.