Ouça: Matthew E. White

Descubra a música desse cantor e multi-instrumentista norte-americano que vai te levar a uma viagem sonoro e imagética por diversas paisagens bucólicas

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Algumas canções conseguem projetar em nossas cabeças, além de uma impressão sonora, uma impressão imagética. Elas nos levam a lugares distintos, seja o bar mais sujo ou o bosque mais sereno, nos transportando em uma viagem imaginativa na qual nem precisamos nos esforçar para que isso aconteça. É claro que faixas com essa qualidade são extremamente raras e, geralmente, quando as encontramos, as guardamos em nossas cabeças ou em qualquer lugar a que possamos recorrer quando queremos voltar ao lugar imaginado com a canção.

Um artista que consegue talhar suas músicas a essa maneira é Matthew E. White, que, logo em seu primeiro trabalho, Big Inner, conseguiu produzir uma viagem por um mundo sereno, pacífico e onde a claridade parece não encontrar fronteiras – eu diria que sua música é como uma daquelas experiências psicodélicas, em que sua consciência se expande e se pode notar beleza em todos os cantos. Ouvir seu primeiro disco pode ser tido também como uma experiência religiosa, mas sem necessariamente ter o amparo de alguma religião.

Para atingir esse resultado em sua música, White usa, quase sempre, uma instrumentação acústica e bem orquestrada, quase sempre também muito serena e paciente e que quando, eventualmente, cresce, o faz aos poucos, de maneira muito sóbria e comportada. Você poderá notar aqui um misto de gêneros como Jazz e Folk se entrelaçando em suas harmonias e o Gospel e o Soul ditando o ritmo quando Matthew canta. Dentre outras de suas inspirações, ele cita a do cantor norte-americano Randy Newman e da Tropicália.

O músico, que já trabalhou com Justin Vernon (Bon Iver) e Sharon Van Etten, é também o líder de um projeto de Avant-Garde Jazz chamado Fight the Big Bull que, com seus incríveis nove membros, lança discos desde 2008. Esse primeiro contato com grandes grupos o possibilitou transportar para seu trabalho solo os arranjos complexos e o uso de múltiplos elementos para criar algo que passa um tom de simplicidade e conectividade muito grande.

Durante Big Inner você verá paisagens bucólicas e estradas cheias de plantações e grandes celeiros, passando à sua frente a cada música. Se encontrará também em meio àquelas missas negras ou em volta de uma aconchegante fogueira cantando odes à vida e exaltando os lados bons dela acompanhado de seus amigos. O disco por melhor trabalhado que seja, sempre parece manter um clima leve e despretensioso, o que faz dessa viagem algo ainda mais aproveitável.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts