Ouça – Waxahatchee

Katie Crutchfield assume este pseudônimo para criar músicas repletas de dor e amargura, que remetem à sonoridade noventista de PJ Harvey e Cat Power

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A tag “Singer/Songwriter” é uma das mais genéricas. Mas ao mesmo tempo em que ela pode dizer pouca coisa, ela pode dizer muita. Talvez, ela signifique mais a incompatibilidade de certo artista com outros gêneros, do que uma categoria tão ampla que embarca muita gente. A jovem Katie Crutchfield faz parte deste vasto grupo de autores que se enquadram em um estilo por, na verdade, não se enquadrar em nenhum.

Certamente você vai perceber tendências do Rock e Folk, porém a simplicidade com que Katie faz sua música parece transcender estilos e vertentes, gerando algo muito pessoal, mas ainda assim sonoramente genérico (resultado direto desta simplicidade, já que grande parte de suas canções usam somente guitarra ou violão e uma percussão muito simples). Adotando o pseudônimo de Waxahatchee, a moça talha uma sonoridade que remete à década de 90, quando Cat Power e PJ Harvey faziam sua música trazendo como principal combustível sentimentos e muita sinceridade.

Em seu primeiro disco, American Weekend, lançado em 2012, Crutchfield criou um registro repleto de dor e amargura, em que memórias e poesia se faziam um só. Um disco que exalava sofrimento e intimidade e que encontrava sua vazão através das confissões musicadas de uma jovem que abria seu coração para um pequeno gravador em seu quarto. A profundidade que a garota atingiu nesta obra, infelizmente, esbarra na qualidade de gravação. Pois, ao mesmo tempo em que ela pode ser um ponto positivo para muita gente, por mostrar ainda mais intimidade, pode afugentar tantas outras pelo registro ruidoso e áspero.

Já em sua segunda obra, Cerulean Salt, lançada neste ano, a moça supera estes problemas de qualidade sonora, deixando limpo e em evidencia o som de sua voz e guitarra. Além deste aspecto, este novo registro mostra maior variedade, não só no humor da cantora, mas também nas sonoridades que traz ao disco. Mesmo que ainda tenha como base a sonoridade de cantoras como Cat Power e PJ Harvey, Katie consegue sair da sombra destas, para poder trilhar seu próprio caminho.

Mesmo agora assumindo uma postura um pouco mais roqueira e com uma banda de apoio, Waxahatchee cresce como projeto, porém mantém em seu cerne a mesma postura íntima e quase confessional de Katie.

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ARTISTA: Waxahatchee

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts