Savages – Shut Up

Faixa incrivelmente consistente usa sabiamente o Post-Punk para tomar forma através de uma labiríntica melodia

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Começando de forma inusitada, com a inserção de um dialogo do filme Opening Night (1977), a faixa que inaugura o debut do Savages, Silence Yourself, parece uma introdução necessária ao resultado final. Ela conversa com ouvinte e apresenta parte das ideias do disco e da própria canção sem mesmo apresentar nenhum dos instrumentos que formarão seu corpo.

Após esse dialogo, a poderosa linha de baixo de Ayse Hassan entra em cena com uma linha rápida, labiríntica, ríspida e potente que logo é acompanhada pelos riffs cortantes e angulares das guitarras furiosas de Gemma Thompson. As batidas entram quase ao mesmo tempo, se mostrando precisas, rígidas, mas também criando a sensação que há um baterista cuidando delas (ao contrario do que acontecia no gênese do estilo). Neste caso quem empunha as baquetas é Fay Milton, que sabe como ninguém impor um bom ritmo ao seu instrumento, comandando o motor musical do quarteto.

A quarta parte, e não menos importante, é composta pela voz lancinante e interpretativa de Jehnny Beth. Ela é responsável não só por dar a voz ao projeto, mas também trazer toda a ideologia e os pensamentos do grupo à tona. Muito performática, ela comanda cada um dos momentos da faixa, fazendo com que a banda se enquadre em cada região que é levada pela sua potente voz.

Savages – Shut Up

A versão da faixa mostrada no clipe troca o dialogo da introdução pelo texto apresentado na capa de Silence Yourself – que também apresenta muito da ideologia da banda. Ele segue assim:

“The world used to be silent. Now it has too many voices and the noise is a constant distraction. They multiply, intensify. They will divert your attention to what’s convenient and forget to tell you about yourself. We live in an age of many stimulations. If you are focused you are harder to reach. If you are distracted you are available. You want flattery. Always looking to where it’s at. You want to take part in everything and everything to be a part of you. Your head is spinning fast at the end of your spine, until you have no face at all. And yet if the world would shut up, even for a while, perhaps we would start hearing the distant rhythm of an angry young tune, and recompose ourselves. Perhaps, having deconstructed everything, we should be thinking about putting everything back together. Silence yourself”.

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ARTISTA: Savages
MARCADORES: Ouça

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts