A Banda de Joseph Tourton – A Banda de Joseph Tourton

Segundo disco do grupo recifense traz pluralidade em uma narrativa instigante e sem palavras

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Ano: 2018
Selo: Balaclava Records
# Faixas: 9
Estilos: Psicodelia, Instrumental,
Duração: 35:07
Nota: 3.5
Produção: A Banda de Joseph Tourton, Arthur Dossa , Vinícius Lezo e Bruno Giorgi

É comum ver entusiastas de diversos gêneros musicais se debruçando sobre as letras de músicas em análises bastante profundas, tornando seus conteúdos repletos de significados pessoais. Entretanto, a música instrumental pode aguçar semelhante análise, à medida que estamos diante de elementos passíveis de uma subjetivação muito mais ampla, sugerindo narrativas as vezes mais complexas que os discos que contém letras.

É justamente destas dinâmica que os recifenses d’A Banda de Joseph Tourton se valem ao construir suas obras. Há oito anos, o grupo lançava sua estreia autointitulada, um registro que contornava os limites de uma sonoridade multirreferencial e pintava cenários ricos indo da Psicodelia à Música Brasileira. Após seis anos sem lançamentos, o grupo está de volta para mostrar a riqueza de sua narrativa e nos surpreender com sua voracidade.

Novamente autointitulado, o segundo disco do grupo sugere que a classificação mais plausível para esse mix de referências seria a Psicodelia. Entretanto, parece uma injustiça classificá-lo apenas como tal, uma vez que esta obra nos joga para lugares tão distantes uns dos outros que isso transcende o estilo. É uma grande colcha de retalhos, onde cada pedaço (suas faixas) tem uma peculiaridade única, mas que compõe o trabalho maior (álbum) como se fosse una.

É interessante como, pela música instrumental, a banda cria seu universo mas também nos dá uma liberdade de completá-lo com aquilo que percebemos destes microcosmos. Enquanto alguns podem encarar suas composições como melancólicas e ácidas, outros podem enxergar uma epifania monstruosa entre os contratempos, texturas mansas e os majestosos metais (sem dúvida, um dos personagens principais desta história).

Distante e com metais quentes e fortes, Tcb começa a contar esta história com explosão e sem economizar na magnitude dos riffs e malemolência dos grooves. Afroganja esbanja lisergia com sua mistura de Dub e efeitos reverberados ao fundo de guitarra, ao arranjo quase erudita dos metais, mais uma vez. Songda é quase um mantra envolvente que logo cede espaço a um Rock cavernoso e assombroso. Mais veloz, Antimofo flerta com um Punk Rock, mas amplia seu tamanho colocando temperos mais exóticos, como uma escaleta e pedais de wah. Por fim, Joseph Jazz é a faixa que mas se afasta do que ouvimos até então, em um misto de Ambient e Post-Rock que certamente agradará fãs de Mahmed e/ou Kalouv.

O novo disco d’A Banda de Joseph Tourton é um resultado fantástico de como contar uma história sem pronunciar sequer uma palavra. O curioso é que, podemos não saber ao certo como Joseph Tourton é, mas parece que já o conhecemos por meio de suas narrativas. Assim, temos um disco que existe de forma diferente para cada ouvinte, mas é igualmente ótimo em cada uma dessas percepções. Um disco plural.

(A Banda de Joseph Tourton em uma faixa: Joseph Jazz)

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.