Resenhas

A$AP Rocky – LongLiveA$AP

Esperado disco do rapper de Nova York supre todas as expectativas e se torna, logo de cara, um dos grandes lançamentos de Hip Hop do ano.

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Ano: 2013
Selo: Polo Grounds / RCA
# Faixas: 12
Estilos: Rap, Hip Hop
Duração: 49:25
Nota: 4.0
Produção: A$AP Rocky, Bryan Leach, Mark Pitts

Os novos parâmetros da música atual – downloads, visibilidade instantânea, divulgação ao alcance de todos – permite que qualquer um possa se lançar no showbiz. Se o músico é bom ou não e se será alguém relevante na música daqui a 5 anos já são outros quinhentos. Diante dessa nova realidade, vemos cada vez mais artistas surgindo e desaparecendo como um bela estrela cadente em um céu sem nuvens. Alguns poucos serão lembrados e é por isso que, quando um músico realmente talentoso surge, olhos e ouvidos devem ficar atentos.

A$AP Rocky não tem um histórico diferente de seus conterrâneos no Rap: mixtape lançada, muita falação, contrato milionário e elevação de expectativas. Foi assim que o rapper, em 2011, surgiu com duas elogiadíssimas mixtapes: Deep Purple e Live.Love.A$AP. No ano seguinte, todos esperavam um álbum de inéditas do músico, no entanto, constantes adiamentos nos fizeram receber a sua obra somente nos primeiros dias deste ano novo. Em LongLiveA$AP, vemos uma estrela se formando, um músico capaz de dominar os instrumentais de seu estilo e nos fornecer um álbum carregado de hits, batidas e rimas bem colocadas.

A faixa-título, LongLiveA$AP, que abre o disco, já mostra uma batida pesada com uma letra pessoal, denunciando o que 90% dos rappers acredita que acontecerá com eles: prisão diante de sua realidade desigual. “I thought I’d probably die in prison, expensive taste in women/Ain’t had no pot to piss in, now my kitchen full of dishes”. O clima pesado contrasta com um verso que chega a ser doce, com uma voz em falsete dizendo “Who said you can’t live forever lied /Of course, I’m living forever I’ll/Forever, I’ll live long”.

Logo em seguida, Goldie deixa qualquer um de boca aberta com sua batida milimétrica. Com um tempo devagar, Rocky encaixa suas letras sobre mulheres, drogas e dinheiro de forma magistral em uma das grandes músicas do disco. Parcerias são fundamentais para a mistura e, em seu primeiro trabalho, o rapper não poderia ter escolhido melhores companhias.

Concentrado em artistas novos, uma forma de demonstrar o talento de sua nova geração em contraste com os dinossauros cada vez mais distantes das rimas, focados nas produções milionárias, Rocky compartilha o microfone com nomes como Kendrick Lamar, Drake, 2 Chainz e Schoolboy Q. Nesta seleção de featurings, temos também o menino prodígio do Dubstep Skrillex e a talentosa Santigold.

Em PMW, com Schoolboy, temos uma batida viajante, onírica, que leva o ouvinte a fechar os olhos para senti-la junto ao baixo pulsante. Ambos os rappers cantam de forma natural e a transição entre seus versos demonstra uma constante evolução entre os atores deste álbum. Em Hell, com Santigold, uma batida sintética, pesada, contrasta com a posição da cantora, que surge na música para trazer um toque mais calmo diante de tanto nervosismo. A batida na bateria não tem nada de inovador, mas o sintetizador ao fundo a deixa pronta pras pistas.

Fucking Problems já se destacaria só pelo lineup: Drake, 2 Chainz e Kendrick Lamar. Cada um tem o seu papel bem determinado na música, e, de forma impressionante, nenhum consegue se destacar mais do que outro dado o alto nível de cada rima despejada. O baixo gravíssimo, é o ponto alto da música, aparecendo sempre no momento certo, de forma teatral, enfatizando os versos certos. O seu refrão é, de certa forma, hilário ao fazer uma brincadeira com a palavra “fuck”, “I love bad bitches, that’s my fucking problem/ And yeah I like to fuck, I got a fucking problem”.

Wild for the Night, com Skrillex, tem os vocais de Rocky alterados por um efeito que o deixa mais grave, semelhante ao que Tyler, The Creator costuma fazer em suas músicas. A participação do DJ/produtor consiste em uma ambientação meio Reggae, com sua guitarra em loop ao fundo, mas sem deixar de colocar o seu excesso de informação usual. Explosões e lasers aparecem na música com um timing perfeito, e como um combo realizado em um jogo de luta, proporcionaria um knock out, no bom sentido, em qualquer um que a escutasse em uma balada por ai.

1 Train é o ponto alto do disco. Seja pelo maior número de participações especias, seis pra ser mais preciso – Kendrick Lamar, Joey Bada$$, Yelawolf, Danny Brown, Action Bronson & Big K.R.I.T -, cada uma distinta e melhor que a outra, seja pelo teor de suas letras ou simplesmente pelo timbres diferenciados de cada rapper. Poderia ser a melhor pela sua batida viciante e por ser orquestrada em cordas clássicas que, juntas de baixo e piano, criam a melhor atmosfera possível. Logo nas primeiras semanas de 2013, já temos uma candidata a melhor música do ano.

A última música do disco, Suddenly, demonstra o porquê de Rocky ser um dos grandes nomes de sua geração. Produzida pelo mesmo, não se utiliza de uma bateria até a sua metade. No momento de explosão, esta simplesmente aparece e some, como se não fosse necessária – algo que realmente não é, mas deixa a sua impressão marcada na memória. Quase sem batidas, A$AP demonstra rimas naturais e uma tendência a se tornar uma estrela que consegue conduzir um público, álbum, somente com o seu talento.

Logo de cara, já temos um excelente álbum de Hip Hop em 2013, possível lembrança entre os grandes lançamentos do ano. Serve de parâmetro para que os artistas do gênero tentem chegar ao mesmo nível alcançado no disco. A$AP consuma o seu hype e está pronto para voos cada vez mais altos e repletos de hits as soon as possible.

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BOM PARA QUEM OUVE: Kendrick Lamar, Kanye West, 2 Chainz
ARTISTA: A$AP Rocky
MARCADORES: Hip Hop, Rap

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.