Resenhas

Active Child – Rapor EP

Novo registro de inéditas mostra uma mistura de composições etéreas com um toque de Pop, mostrando um novo caminho na obra de Pat Grossi

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Ano: 2013
Selo: Vagrant
# Faixas: 6
Estilos: Chillwave, Eletrônica, Ambient Pop
Duração: 22:14
Nota: 4.0
Produção: Pat Grossi

Turnês são bem exaustivas. Sair do conforto do estúdio e passar praticamente um ano, ou até mais, viajando por países, sendo submetido à pressa de passar o som, não se atrasar da viagem do hotel ao local do show, não perder vôos e checar se os passaportes e vistos estão certos – tudo isso, por mais prazeroso que seja, esgota as forças de qualquer um. Ainda mais quando a banda é formada apenas por um membro, o que foi o caso de Pat Grossi, responsável pelo projeto Active Child. Mas, sabe aquele ditado “a melhor parte da viagem é a volta para casa”? Se é verdade ou não, a questão não é essa. O que é verdadeiro é que a intensa turnê do produtor foi extremamente benéfica para a produção de seu novo registro, Rapor EP.

Após este ano e meio viajando, Pat retornou a seu estúdio privativo, sedendo para começar a escrever material novo. A primeira faixa, She Cut Me, que havia sido divulgada antes do lançamento do EP introduz o registro como uma música isenta de letra. Parece que Pat precisou respirar um pouco antes de botar para fora todas as ideias que tinha enquanto fazia sua turnê pelo mundo (e que respiro meditante e relaxador foi esse). Talvez, a escolha de se trabalhar um faixa completamente instrumental, advém do fato de ficarmos mais envolvidos com a atmosfera do curto EP, entendendo mais os sentimentos que fizeram Pat Grossi escrever o registo.

Após essa primeira composição, notamos um dos novos elementos explorados pelo produtor nesse trabalho: batidas mais Pop. Active Child foi sempre conhecido por produzir faixas com um teor etéreo alto e amibentações inacreditavelmente envolventes e relaxantes. Neste EP, ouvimos tudo isso, mas a partícula Pop é mostrada um pouco mais. Não que ela seja algo extremamente notável ao ponto de se sobrepor a estética conhecida dos registro anteriores, mas a presença dela revela novas possibilidades com uma batidas mais marcantes do que antes. Subtle, que tem a participação especial de Mikky Ekko, e Calling Of Love exemplificam bem essa nova empreitada de Pat, que pode ser entendida com um dos toques que o produtor Kevin Seaton (que trabalhou com Major Lazer) deu ao EP.

Para os mais puristas e apreciadores do fator relaxante e hipnotizante de Active Child, há faixas no EP que ainda mostram estes caminhos que deram ao projeto tantos admiradores. Evening Ceremony mostra o incrível domínio técnico que Pat tem de sua voz alta, bem como a escolha precisa de pads envolventes. Um dos maiores destaque do EP é a parceria com Ellie Goulding, com uma letra romântica, que une as duas belíssimas vozes em um dueto elevante e hipnotizante. Uma espécie de música de tema de casal de novela, só que menos brega e que, se ouvida à exaustão, não tem uma data de validade.

Active Child nos mostra que o cansaço oriundo das turnês provocou a necessidade de parar e respirar. O registro poderia ter sido um álbum de estúdio se menores problemas, mas esse breve respiro de Pat Grossi foi mais do que suficiente para matarmos nossa sede etérea de músicas que não eram lançadas desde seu último registro, You Are All I See, em 2011. Um dos EPs mais interessantes do ano.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.