Resenhas

Adriano Cintra – Animal

Primeiro disco solo do multi-instrumentista diverte e agrada quem está atrás de Pop Rock

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Ano: 2014
Selo: Deck Disc
# Faixas: 13
Estilos: Pop Rock
Duração: 48:00
Nota: 3.0
Produção: Adriano Cintra, Péricles Martins

Adriano Cintra parece incansável. Um dos primeiros nomes brasileiros desta geração a ter reconhecimento internacional via sua antiga banda, CSS, o paulistano e multi-instrumentista encabeça diversos outros projetos como Madrid, ao lado de Marina Gasolina, e Thee Butchers Orquestra e está em atividade desde os anos 1990. No entanto, nunca havia se tornado uma figura única, dona de somente o seu nome diante de um projeto, e Animal abre espaço para o músico finalmente mostrar um caminho só seu.

Seu dedo está em todos lugares, seja na produção, instrumentação, sonoridade ou escolha de parcerias. Adriano demonstra neste disco que o seu caminho solitário é filtrado e voltado ao Pop Rock – sem banalidades, com aberturas para experimentação, mas sempre focado na acessibilidade. Sua baterista, Naná Rizzini, conduz muito bem os backing vocals em diversas faixas, nos deixando mais confortáveis com o músico que, apesar de seu bom timbre de voz, sempre esteve acompanhada por vozes femininas. A combinação diverte em Desagradável Aparelho, com seu sintetizador alegre e letra subjetiva, e Deu Ladrão nos lembra os tempo sintéticos do Cansei de Ser Sexy, mas muito mais maduro e interessante que seu último disco inteiro.

Alguns momentos parecem ser pensados puramente nas rádios, território que chegou a ser mais presente para o músico no exterior do que no nosso país, mas Desde o Início, com Rogério Flausino (Jota Quest) é construída para se tornar hit. Sua levada Funk retomada por Daft Punk no ano passado exalta a produção de Adriano, realmente impressionante. Em outros casos, lembramos dos anos 1980, como em Duda que retoma um verso de Flores de Titãs, Pop na medida certa, ou Animal, que brinca muito com sintetizadores, algo bastante constante no disco e que nunca chega ao experimentalismo de antes, mas agrada.

A diversão, no entanto, reside quando Cintra usa da ironia para alfinetar ou dar toques cômicos às suas letras, como em Boneca de Posto, com Marina Gasolina, com o refrão “Quando eu tento te abraçar, você levanta o braço e sacode sem razão”. Deu Ruim é outro deste exemplos e provavelmente tem um dos refrões mais pegajosos do ano, com a expressão que se popularizou na Internet e chegou na boca de todos, no entanto, se não bastasse toda a combinação lírica, a faixa é o melhor momento de Animal. A parceria com Guilherme Arantes, Não vai Dominar, volta no tempo e traz uma balada perfeita para o Vale a Pena Ver de Novo, enquanto Fracasso Favorito, cantada em espanhol, parece uma “homenagem” à sua antiga banda e todo o processo conflituoso de sua saída.

Todos os trabalhos anteriores de Adriano Cintra são retomados em Animal, um disco que não chama atenção por trazer coisas novas à música, mas por simplesmente divertir bastante. Daqueles trabalhos com faixas pontualmente muito boas e outras que não fogem do clima de Pop Rock que passa pela maioria das músicas. Com alguns singles que podem alcançar voos mais altos e por mostrar uma acessibilidade assim como um tratamento da música bastante preciso, nos acaba fazendo lembrar da inteligência que passava por trás de trabalhos mais antigos de Pato Fu. Deve agradar qualquer um que não esteja criando grandes expectativas e só queria ser levado sem muito compromisso.

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BOM PARA QUEM OUVE: Bazar Pamplona, Daft Punk, Pato Fu
MARCADORES: Pop Rock

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.