Resenhas

Agridoce – Agridoce

O chamado “fofolk” de Pitty e Martin consegue aliar diferentes sabores no mesmo projeto. Ver a baiana desprovida da sua pose roqueira é interessante, assim como vê-la fazendo um som que não é muito usual dela, o Folk

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Ano: 2011
Selo: Independente
# Faixas: 12
Estilos: Folk, Rcok Alternativo.
Duração: 42:25
Nota: 3.0
Produção: Rafael Ramos
Livraria Cultura: 22955302

Agridoce é o projeto de Pitty Leone e Martin Mendezz (Guitarrista da banda da Pitty). Diferente do que a baiana fazia em sua banda, esse projeto vem com novas influências e novos estilos incorporados, deixando o Rock de lado e mergulhando de cabeça no Folk. Soma-se a isso a presença de Martin, que trouxe um frescor ao projeto.

Pitty diz que esse projeto nasceu em dia chuvoso em que ouviam Nick Drake e decidiram seguir essa linha mais Folk. A partir daí, com um violão e um piano, nasceram os primeiros rabiscos e acordes do que viria a ser o disco Agridoce, que foi todo gravado em 22 dias na serra da Cantareira, próximo a Mairiporã, região metropolitana de São Paulo. Uma produção totalmente caseira, mas não entendam isso como ruim.

Muitas vezes flertando com o pop, Agridoce tem poucas variações ao longo de suas faixas. Mas consegue bem estabelecer o porquê do nome do projeto, soando ora melancólico, ora lúdico. Quanto às melodias, elas também seguem o mesmo principio, indo do mais suave e aveludado Pop ao Folk mais triste.

Embrace the Devil abre o disco e, logo de cara, já espanta quem esperava mais um disco da Pitty, muito mais suave e leve do que de costume, A música já conta um pouco do que podemos esperar nas outras onze faixas. “Once in hell, embrace the devil” refrão que expressa bem essa fase folk da Pitty, que às vezes soa meio forçado. Com músicas em inglês (Say e Rainy) e francês (Ne Parle Pas) o disco continua com a mesma levada de violão e ocasionalmente outros instrumentos entram no meio da musica como o xilofone e a percussão. Diferencial desse álbum esta em 20 Passos e Upside Down, em que Martin além de tocar violão também canta. Na segunda fazendo um dueto com Pitty. Fechando o disco quase de mesma forma que começou Please, Please, Please, Let Me Get What I Want, cover do The Smiths, traz a face mais melancólica do disco, bem ao estilo de Morrisey e companhia.

O disco lembra muito a Cat Power no começo de carreira (mas com uma pegada menos Lo-Fi) em seus aproximadamente 42 minutos. Nota-se uma grande unidade no álbum, as músicas conversam bem entre si, mas ao mesmo tempo todas soam muito iguais – salvas as exceções 20 Passos (pelo fato de Martin cantar) e O Porto.

Talvez o fato de Pitty ter sido mãe a deixou de alguma forma mais sentimental e mais suave na maneira de compor. Descaracterizado de sua pose rocker, o trabalho faz com que seus fãs possam explorar outra sonoridade e que quem não é fã possa conhecer o som dela sem o escudo do preconceito.

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BOM PARA QUEM OUVE: Tennis, Pitty, Chairlift
ARTISTA: Agridoce

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts