Resenhas

Albert Hammond Jr. – Momentary Masters

Músico parece brigar contra própria personalidade em novo trabalho solo

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Ano: 2015
Selo: Vagrant
# Faixas: 10
Estilos: Indie Rock
Duração: 36
Nota: 2.5

Não tenho dúvidas que a principal questão para a maioria dos ouvintes de Momentary Masters – ou de qualquer outro trabalho de Albert Hammond Jr. – é saber se o músico atingiu, finalmente, a independência em relação a seu trabalho principal The Strokes, ou se continua vagando pelos vastos caminhos abertos pelo grupo no passado. Curiosamente, quando se trata de Julian Casablancas, não temos a mesma cobrança por uma música diferenciada – ao menos, não na mesma moeda -, como se o legado deixado pelo grupo tivesse que ser naturalmente levado adiante pelo seu vocalista e não por quaisquer outros integrantes do grupo.

É compreensível que Casablancas, sendo o principal compositor de outrora, tenha herdado o direito de manter sua semelhança estilística. Mas a questão é que The Strokes, como um dos principais grupos de Rock do século 21, deve muito de sua personalidade às guitarras. E é aqui que entra Hammond Jr. e a influência recíproca entre seu trabalho atual e sua banda anterior.

Assim sendo, e, aproveitando a deixa para responder a questão que parece ser a mais urgente, não, Albert Hammond Jr. ainda não se afastou do legado construído por The Strokes (um legado que ele próprio ajudou a erigir, insisto em lembrar). Ainda assim, na altura do seu terceiro trabalho solo, o músico caminha vagarosamente em direção à coesão artística – como compositor, letrista e band leader -, para longe de seu passado e ao encontro de uma evolução pessoal, começando, finalmente, a mostrar o valor de seu trabalho per se, e não mais como um mera tabela comparativa de álbuns anteriores.

O principal mérito de Momentary Master é justamente na faceta “guitarrística” de Hammond Jr. Aqui, estão reunidas excelentes melodias sobrepostas, timbres de Stratocaster que farão os mais aficcionados pelo instrumento regojizar em alegria e riffs pegajosos que irão suprir as necessidades de qualquer órfão do “Indie do início dos anos 2000”. Todavia, quando entramos no campo das composições, as coisas começam a ficar um pouco embaralhadas.

A começar pela disparidade de títulos. Por exemplo, a influência de Carl Sagan e seu Pálido Ponto Azul no nome do trabalho e o bom gosto duvidoso na faixa de encerramento Side Boob. Um salto, para dizer o mínimo, arriscado. Além disso, parece que Hammond Jr., no afã de se afastar de The Strokes e encontrar a sua própria sonoridade faz uso sem parcimônia de suas outras influências correlatas. Não temos nenhuma acusação grave, mas é fácil deduzir a faceta de Arctic Monkeys em Caught By My Shadow, de Kings Of Leon (ouça The Bucket) em Losing Touch e de Television em Born Slippy.

Além destas, e ainda no campo das influências, temos também espaço para um cover de Bob Dylan (Don’t Think Twice), que destoa um pouco do restante do trabalho (aparentemente gravado numa sessão ao vivo) mas que denuncia, justamente por seu aspecto mais maleável, uma dimensão pouco conhecida – e bastante interessante – de um Hammond Jr. que dialoga melhor com seus 35 anos de idade.

Momentary Master parece ficar no meio do caminho entre a personalidade inédita do músico e a influência de The Strokes. O problema é justamente esta atitude que soa mediana e indecisa, afinal, qualquer uma das duas outras opções levadas mais a fundo poderia ser uma excelente escolha. Enquanto isso, é fácil se deixar levar pelas melodias assertivas de um exímio guitarrista.

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Autor:

é músico e escreve sobre arte